Sobre o Tremor de Terra no Japão de 17 de Julho de 2007 e o acidente na maior central nuclear no País

Após o recente tremor de terra no Japão, a maior central nuclear do mundo está desligada da rede eléctrica e se não fôr rapidamente ligada de novo esperam-se uma série de blackdowns nos próximos dias, já que quase 2/3 de toda a energia eléctrica japonesa provém de centrais nucleares, sendo esta a maior de todas.

Ora ocorreram na sequência destre tremor de terra pelo menos três fugas radioactivas, naquele acidente que já é considerado por alguns como o terceiro maior acidente radioactivo de sempre, e o maior do Japão. E destas três, pelo menos duas não foram reportadas ao Governo pela empresa operadora da central, sendo que esta tentou pelo menos ocultar a existência da terceira fuga! Os móbeis deste grave crime são evidentes… Quanto mais fugas houver, maior é o tempo de paragem da central, e logo dos rendimentos do accionistas… Aqui, como em tantas vezes, a rentabilidade joga contra a Saúde Pública e o Ambiente (outra fuga contaminou as águas oceânicas). Outro factor aqui considerado é o facto de o Japão depender tanto de uma única central, o que leva a sua gestão e até o Governo a sentirem-se tentados a aumentar mais do que o devido a sua tolerância a falhas, já que o País do Sol Nascente está em grande medida refém desta Central… O próprio acidente indica também que embora os núcleos dos reactores sejam construídos para suportar os tremores de terra mais intensos jamais registados, são as estruturas de suporte que quase sempre (excepto em Chernobyl) deixam vazar gases e águas radioactivas… Se o núcleo está sobreprotegido, as tubagens, canalizações, depósitos e contentores com detritos radioactivos não estão tão protegidos, mesmo num país tão sísmico como o Japão, e esta questão empurra-me ainda mais para as bandas dos detractores de Patrick Monteiro de Barros, mais o seu projecto de estabelecer uma central nuclear em Portugal… É que por muito pouco provável que seja hoje a ocorrência de um acidente nuclear grave, ela existe sempre e como diz uma das Leis de Murphy… Havendo a possibilidade de um erro, podemos confiar que mais cedo ou mais tarde, ele vai mesmo acabar por acontecer.

E se o sísmico Japão não conseguiu lidar melhor com este tremor de terra, porque é que Portugal e a empresa de Monteiro de Barros seria mais capaz?

P.S.: Este acidente revela também o erro de concentrar a produção eléctrica numa grande instalação: quando ela tem que ser colocada offline, por razões de segurança a pressão política e económica para a colocar antecipadamente novamente a funcionar é demasiado grande… Se em vez de uma grande central, houvesse 3 ou 4, o rendimento (por economia de escala) seria menor, mas a segurança e flexibilidade seriam muito maiores…

Fonte: BBC News, 18 de Julho de 2007

Categories: Economia, Política Internacional, Sociedade, Websites | 6 comentários

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6 thoughts on “Sobre o Tremor de Terra no Japão de 17 de Julho de 2007 e o acidente na maior central nuclear no País

  1. bianca castafiore

    Há poucos meses tive a oportunidade de estar presente numa tertúlia científica cujo tema era precisamente a energia nuclear. Confesso que ia um pouco desconfiada sobre o tipo de informação que nos ia ser passada , pois o convidado tinha sido membro da extinta Junta de Energia Nuclear. Foi uma sessão excelente, com informação relevante e a apreciação dos vários aspectos a ter em conta, quer tecnológicos quer económicos e ambientais. Pois o que mais me espantou foi ter sabido que a mais pequena das centrais produz MAIS ENERGIA ELÉCTRICA do que aquela de que precisamos. Deixaríamos de precisar de importar energia simplesmente convencendo toda a gente a usar LÂMPADAS DE BAIXO CONSUMO. Não é extraordinário???? E andamos aqui a brincar aos feiticeiros de OZ!

  2. Bianca:
    é verdade… cá em casa já troquei todas as lâmpadas, das pequenas às maiores… mesmo sem o devido incentivo fiscal que o Governo devia tornar prioritário!

    e as ditas lâmpadas não têm os mesmos riscos de um reactor… mas é claro que a construção de um comvem muito, muito mesmo aos interesses que o querem instalar em Portugal! Sem pensarem nos riscos, nem nas consequências ambientes que de qualquer modo não lhes interessam grandemente… Que se invista em centrais solares, eólicas e de ondas, e que se faça uma politica sistemática de redução de consumos (com lâmpadas destas, p.ex.), esta é que devia ser a verdadeira via a seguir!

  3. Li o teu artigo, e o teu comentário e concordo completamente contigo. Mas já sabemos que quando os valores se levantam mais altos…
    abraço

  4. Neste caso os mais altos de todos: o Dinheiro…

  5. Pingback: Lâmpadas de baixo custo ou… Uma Central Nuclear! « Q u i n t u s

  6. rsrsrs que sem graça

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