Daily Archives: 2007/07/21

Sobre a declaração de George Bush de apoio à declaração uniteral de independência do Kosovo

Quando George Bush declarou em Tirana (Albânia), a 10 de Julho que as longas negociações entre a comunidade internacional e a Sérvia deviam terminar e que se o Kosovo declarasse unilateralmente a sua independência, os EUA a reconheceriam… Uma tal declaração revela mais uma vez a imensa ignorância búshica quanto à História e quando à natureza das coisas no turbulento e sempre explosivo caldeirão balcânico… É que foi precisamente o reconhecimento precoce da Alemanha e do Vaticano da independência da católica Croácia que desencadeou a sanguinária Guerra Civil da Ex-Jugoslávia… É que se o Kosovo se mantêm hoje como região semi-independente da Sérvia (segundo a ONU ainda a sua potencia legal administrativa) isso deve-se à presença de 17 mil soldados na NATO… A independência unilateral do Kosovo poderá reaquecer o caldeirão balcânico e motivar a união directa com a Albânia, criando assim a “Grande Albânia” sonhada pelas mafias albanesas que dominam o narcotráfico e tráfego de carne branca na região e em Itália… Esta “Grande Albânia”, legitimada pelos EUA e pela sua dócil NATO poderá servir de incentivo para revivificar os sonhos adormecidos mas não esquecidos de uma “Grande Croácia” e de uma “Grande Sérvia” à custa da Bósnia-Hezgozvina…

As instituições democráticas e autonómicas kosovares simplesmente não existem ainda… A administração provisória do pequeno território compete à ONU e os partidos e políticos kosovares estão infiltrados profundamente pela narco-guerrilha do “extinto” UÇK com laços fortes e constantes com as mafias albanesas, sediadas no outro lado da fronteira no “Estado falhado” albanês. Não havendo assim as estruturas políticas e administrativas básicas, na ausência de uma matriz cultural e linguística autónomas ao Kosovo e reconhecendo-se a incapacidade económica de solvência do território, o ímpeto para uma união com a Albânia é irreprimível, caso ocorra mesmo esta declaração unilateral de independência… Em si mesma, a união destas duas “albânias” não é negativa, nem deve ser negada a longo prazo, mas a sua ocorrência agora, neste momento e nas circunstâncias actuais em que temos um Estado albanês mafioso e criminalizado e uma série de outros actores regionais que irão aproveitar o pretexto para reacenderem as chamas da guerra é um erro estratégico crasso e sinómino de uma cegueira estratégica profunda que já levou a América e o Ocidente a uma guerra desastrosa e inconsequente no atoleiro iraquiano…

Fonte:

Ignacio Ramonet; Le Monde Diplomatique; Julho de 2007; edição francesa.

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Sobre o Tremor de Terra no Japão de 17 de Julho de 2007 e o acidente na maior central nuclear no País

Após o recente tremor de terra no Japão, a maior central nuclear do mundo está desligada da rede eléctrica e se não fôr rapidamente ligada de novo esperam-se uma série de blackdowns nos próximos dias, já que quase 2/3 de toda a energia eléctrica japonesa provém de centrais nucleares, sendo esta a maior de todas.

Ora ocorreram na sequência destre tremor de terra pelo menos três fugas radioactivas, naquele acidente que já é considerado por alguns como o terceiro maior acidente radioactivo de sempre, e o maior do Japão. E destas três, pelo menos duas não foram reportadas ao Governo pela empresa operadora da central, sendo que esta tentou pelo menos ocultar a existência da terceira fuga! Os móbeis deste grave crime são evidentes… Quanto mais fugas houver, maior é o tempo de paragem da central, e logo dos rendimentos do accionistas… Aqui, como em tantas vezes, a rentabilidade joga contra a Saúde Pública e o Ambiente (outra fuga contaminou as águas oceânicas). Outro factor aqui considerado é o facto de o Japão depender tanto de uma única central, o que leva a sua gestão e até o Governo a sentirem-se tentados a aumentar mais do que o devido a sua tolerância a falhas, já que o País do Sol Nascente está em grande medida refém desta Central… O próprio acidente indica também que embora os núcleos dos reactores sejam construídos para suportar os tremores de terra mais intensos jamais registados, são as estruturas de suporte que quase sempre (excepto em Chernobyl) deixam vazar gases e águas radioactivas… Se o núcleo está sobreprotegido, as tubagens, canalizações, depósitos e contentores com detritos radioactivos não estão tão protegidos, mesmo num país tão sísmico como o Japão, e esta questão empurra-me ainda mais para as bandas dos detractores de Patrick Monteiro de Barros, mais o seu projecto de estabelecer uma central nuclear em Portugal… É que por muito pouco provável que seja hoje a ocorrência de um acidente nuclear grave, ela existe sempre e como diz uma das Leis de Murphy… Havendo a possibilidade de um erro, podemos confiar que mais cedo ou mais tarde, ele vai mesmo acabar por acontecer.

E se o sísmico Japão não conseguiu lidar melhor com este tremor de terra, porque é que Portugal e a empresa de Monteiro de Barros seria mais capaz?

P.S.: Este acidente revela também o erro de concentrar a produção eléctrica numa grande instalação: quando ela tem que ser colocada offline, por razões de segurança a pressão política e económica para a colocar antecipadamente novamente a funcionar é demasiado grande… Se em vez de uma grande central, houvesse 3 ou 4, o rendimento (por economia de escala) seria menor, mas a segurança e flexibilidade seriam muito maiores…

Fonte: BBC News, 18 de Julho de 2007

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Fim de… Férias!

Bem, as férias acabaram!

E com elas a minha ciberhibernação… Na segunda devem voltar os QuidSZ (em parceria com o Ideias Fixas 2) tendo aliás já inserido AQUI o resultado dos últimos quidSZcom o Nito e o JG em primeiro lugar!…

Quando às minha visitas e às respostas aos vossos comentários, que tento sempre honrar com uma resposta essas é que terão ainda que esperar… É que tenho muita “papelada” para pôr em dia!… E ainda alguns artigos automáticos a sair ! 😉

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Um estudo da UNICEF sobre as Crianças no Mundo Desenvolvido e a posição de Portugal no dito…

Um relatório publicado pela UNICEF coloca o Reino Unido como o pior país industrializado no que concerne à situação geral das suas crianças. O estudo que pode ser lido AQUI compara vários indicadores como o índice de consumo de tabaco entre as crianças, gravidez precoce, violência infantil, maus tratos, num total de 40 indicadores para classificar o Reino Unido como o pior dos 21 países industrializados analisados… Acima, estão os Estados Unidos, a Hungria e a improvável (mas presente…) Austria… E acima desta lista, encontra-se o nosso Portugal, na posição 17ª, ainda assim não muito má, mas muito merecida, especialmente no item designado por “Education Well Being” (“Bem Estar Educacional”), onde estamos precisamente na última posição desta lista de 21 (que admiração…) e ao item “Material Well Being” (“Bem Estar Material”), onde estamos na posição 16… E se estamos acima do Reino Unido (uma verdadeira vergonha internacional para esta tão orgulhosa nação), isto deve-se principalmente ao item “Familiy and peer relantionships”, dificíl de traduzir mas que traduzindo lateralmente poderíamos traduzir por… os portugueses gostam de crianças, da família e em geral… Precisamente o mesmo item onde os britânicos merecem precisamente a última posição dos 21 países em análise! Ou seja… Os britânicos não gostam de crianças!… E têm atitudes perigosas para com elas, já que aqui também surge no último lugar da rubrica “Behaviours and risks” (“comportamentos e riscos”).

Pessoalmente não fico espantado com as conclusões deste estudo da UNICEF… É impossível negar que em Portugal as crianças são muito bem tratadas, um pouco por todo o lado, e os fenómenos (pelo menos públicos) de maus tratos infantis são raros e a própria criminalidade que as afecta comparativamente reduzida, especialmente comparando com outros país “mais desenvolvidos”, como a Bélgica, a Alemanha ou o próprio Reino Unido… Aliás, as raças latinas e mediterrânicas parecem lidar com as crianças com muito mais afecto do que as germânicas ou anglo-saxónicas… Acima de Portugal neste curioso índice de “Familiy and peer relantionships” está apenas a Itália e Canadá, EUA, República Checa e Alemanha, estão todos bem abaixo da generalidade dos países mediterrânicos…
No topo da lista, estão os tipos do costume… Holanda, Dinamarca, Suécia e Finlândia… Especialmente devido às suas altas posições nos indicadores mais materiais…
Fontes:

Times Online

UNICEF 

Categories: A Escrita Cónia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal, Sociedade Portuguesa | Deixe um comentário

O HBio, o novo biocombustível “Made in Brasil”

A Petrobras declarou que o seu novo biocombustível, com a designação HBio – concebido no Brasil – deverá reduzir as importações de Diesel em mais de 250 milhões de litros, apenas na fase de arranque, já em 2007 contribuindo assim de forma decisiva para tornar o Brasil completamente autonómo em combustíveis.

A companhia petrolífera brasileira vai investir mais de 700 milhões de dólares nos próximos 5 anos em biocombustíveis e noutras energias renováveis, investindo uma parcela considerável deste montante no HBio.

O HBio é o resultado de um processo inovador desenvolvido inteiramente no Brasil pela petrolífera brasileira e transforma o óleo não mineral em diesel, por exemplo… Gordura animal, o qual será testado intensivamente pelo Petrobrás durante este ano, de forma a avaliar a possibilidade do uso industrial do HBio. O processo actual – já testado – recorreu a óleo de soja, mas será fácil substituir este por outras oleaginosas. O processo permitirá introduzir no circuito convencional de produção do biodiesel outros tipos de matérias-primas, e incluir neste toda uma extensa gama de desperdícios orgânicos que assim, em vez de ir poluir o Ambiente poderão ser usados para gerar mais energia…
De sublinhar também que no Brasil, apesar de todo o interesse recentemente expresso pelas grandes multinacionais do ramo energético e por especuladores como George Soros (ver AQUI) o grosso da produção brasileira para biodiesel ainda está nas mãos de quem devia estar: os pequenos e médios produtores agrícolas, e contribui assim directamente para o desenvolvimento das economias locais e para as finanças de centenas de milhares de brasileiros e não para a riqueza crescente e escandalosa de uma dúzia de multinacionais como acontece nos EUA e em tantos países imersos no pesadelo da monocultura industrial, na América do Sul e em África… Estima-se que no Brasil mais de 200 mil famílias dependam da produção do biodiesel, num número total de individuos que podem aproximar-se do milhão de brasileiros…
Fonte: BioDieselBR

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