As meretrizes de Pádua, o Presidente da Câmara e algumas borlas


(http://news.bbc.co.uk)

Continua a greve dos prostitutos e prostitutas de Pádua que protestam contra uma lei do município italiano de Pádua que estipula multa de 50 euros para os clientes dos serviços dos ditos e ditas profissionais, se foram apanhados em flagrante acto de requer os serviços destes profissionais.

A contestação tem assumido a forma de manifestações com cartazes e toda a devida praxe e foi aproveitada pelos profissionais para pedirem um reforço do combate aos traficantes sexuais que se multiplicam na Itália e que tecem complexas e muito lucrativas redes de escravidão sexual até ao Leste da Europa e aos Balcãs. Enfim, cartazes, manifestações de rua, pedidos de recepção pela autarquia, são formais mais ou menos convencionais de protesto. A originalidade e razão da própria existência desta nota está em que algumas prostitutas decidiram aumentar a escala do seu protesto oferecendo… serviços sexuais gratuitos a todos os clientes que lhes mostrassem um recibo de uma multa da autarquia…

Questionado sobre estes protestos o presidente da autarquia de Pádua, um tal de Flávio Zanonato declarou que: “há zonas em Pádua onde se pode encontrar uma prostituta em cada dez metros e essas presenças tornam difícil a vida dos residentes. Não há qualquer dúvida que certas mulheres se vendem voluntariamente mas também não há qualquer dúvida que existe também uma extorsão e uma delinquência associadas ao fenómeno da prostituição contra as quais é preciso lutar“.

Aqui, como em todas as questões há sempre uma questão dos limites impostos pela razoabilidade… Os neoliberais de serviço provavelmente defenderão a total “liberalização” das actividades destes “profissionais do sexo”, mas isso parece-me excessivo… Mas sempre houve prostituição e sempre haverá e lutar contra o fenómeno é dispender forças e energias numa luta inglória e perdida à partida… Talvez seja preferível concentrar esforços no combate aos traficantes de seres humanos e nas mafias que lucram com a prostituição e deixar em paz estes freelancers como estes protestantes de Pádua… É que enquanto as sociedades forem sexualmente repressivas e encararem o Sexo como um “Pecado” ou uma “Necessidade Reprodutória”, como o faz o Papa Ratz e a camarilha ultra-católica, haverá sempre Prostituição…

Fonte: PortugalDiário

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Categories: Sociedade, Wikipedia | 9 comentários

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9 thoughts on “As meretrizes de Pádua, o Presidente da Câmara e algumas borlas

  1. Isto cá por mim devia ser como na antiguidade clássica e toda a prostituição estar sob a alçada do deus propício. Querem prostituição vão ao templo, ou então procurem um sacerdote e peçam qual è o melhor sítio. A coisa desde que os cristão apareceram está descontrolada. Faltam as garantias de qualidade.

    (Diga-se que o Bispo de Winchester bem tentou reverter a situação. )

  2. Golani

    Mercado reage ao intervencionismo estatal

    As prostitutas da cidade de Pádua, Itália, estão a oferecer os seus serviços de graça a clientes que sejam multados pela polícia no momento em que solicitam as suas prestações.

    Esta é a forma que as profissionais do sexo encontraram de protestar contra a política do presidente da Câmara de Pádua, que instituiu uma multa de 50 euros, com o objectivo de coibir os clientes da prostituição.

    http://31daarmada.blogs.sapo.pt/611405.html

  3. pois… a tal “prostituição sagrada”… libertadora de pulsões e de tensões… como sempre e em tanta outra coisa, a Antiguidade Clássica estava mais adiantada do que nós… E sobretudo neste aspecto da forma como a sociedade judaico-cristã lida com a sexualidade.

  4. sa morais

    Bem… Eu não tenho nada a ver com a vida dos outros, claro. Mas vejo esta coisa da prostituição de um ângulo diferente… É que Viseu está infestado das ditas, nomeadamente alguns bairros, sendo o meu um deles. Dantes isto era um bairro pacato, familiar, agora è apenas mais um sitío com badalhocas, já nem se refere o nome do bairro ou rua! Não há sossego nos prédios onde essas jovens “trabalham” – felizmente o meu ainda está livre da praga! Mas sei bem o que se passa nos outros. Toques nas campainhas às tantas da manhã, as mulheres ( velhas, novas… ) não podem vir à varanda sacudir um tapete, por exemplo, porque há logo uns parolos que as tomam por prostitutas, as crianças não podem andar na rua – se forem rapariguinhas, então esqueçam, porque há logo um babado qualquer que se poe a dizer: É novinha, mas já se comia!! Etc, etc…
    Eu não tenho nada contra esta gente, mas acho que quem trabalha honestamente e comprou e aluga a sua casa tem direito a RESPEITO e SOSSEGO!!
    As autoridades dizem que não podem fazer nada porque não é ilegal… Não é? É legal? Está regulamentado? Paga impostos? Tem controlo sanitário? Não? Então é o quê? A prostituição está num limbo?
    Querem ir às meninas?! Tudo bem, mas elas e eles que vão para sitíos descampados e parem de importunar as outras pessoas!

  5. Bem, aqui, como em tantas outras coisas, é sempre uma questão de perspectiva e a tua é talvez… demasiado próxima! 😉
    E se elas trabalham na rua isso deve-se à ilegalidade da sua actividade…E se trabalham nessa actividade é porque esta sociedade tem uma atitude doentia e repressiva para com a Sexualidade, a maior pulsão humana…

  6. Falando a sério, tenho aqui ao lado um prostíbulo, aliàs è a 2ª casa mais próxima da minha. Nestes anos todos nunca uma ucraniana me importunou, nem nunca me faltaram ao respeito. só uma vez uns velhos bebados tentaram entrar cá em casa mas a coisa resolveu-e com eu mostrando o caminho correcto com um gancho de cortar silvas que por acaso estava a usar.
    Vivi uns anos em Aveiro e posso dizer que a forma beirã de fazer as coisas è diferente. Aliás, o que o Sá se queixa não è do comportamento das prostitutas, que deve ser o mesmo que cá, mas o comportamento dos clientes. Se os cidadãos de Viseu se portam como mentecaptos quando vêem uma prostituta a culpa dificilmente pode ser atribuida à postituta, seria o mesmo que culpar uma mulher vitima de violação pela violação.
    Seja em Viseu ou em Pádua ou no alentejo profundo as coisas funcionam da mesma maneira. A culpa è dos clientes. Até o papa está de acordo que se deve castigar o cliente e não a prostituta. Enquanto houverem homens frustrados, incultos e bombardeados por mass media que constantemente aludem ao sexo o problema nunca estará resolvido. Mas entretanto acho que multar os clientes è uma boa ideia.

    Sou também a favor do licenciamento de prostíbulos, com inspecção médica ao pessoal, com regras sanitárias, que pague á segurança social, etc etc. Não tem lógica que a pessoa que lava os pratos num restaurante seja inspecccionado regularmente e a pessoa que faz os broxes não seja.

  7. sa morais

    Não… Não é na rua! É dentro dos apartamentos. Mas o “circo” exterior até mete impressão! Imagina por exemplo que tens uma filha de 12/13 anos e que ela tem de conviver com esse “circo” sempre que entra ou sai de casa! Imagina que tens um parolo a tocar-te às 4/5 da manhã à porta de casa! Não é uma questão de perspectiva, é uma questão de cidadania! Quem está em casa a descansar depois de um dia de trabalho não tem culpa dessas “pulsões” alheios, tem sim, direito ao descanso e ao sossego!

    Se querem descarregar as “pulsões”, que vão para longe! Estou-me nas tintas! Façam o que quiserem! Mas que vão para longe ou que as levem para junto das casas deles! Eu não sou moralista nem nada do género, mas tudo tem um limite!

    Mas a questão não é a da ilegalidade… Porque não é ilegal! A policía de Viseu diz que não pode fazer nada porque não é ilegal! Está no tal limbo!

    Doentio? Sim… Há por aqui tipos a endividarem-se para “molharem o biscoito”, há tipos a tirarem do prato dos filhos para “debicarem a fruta exótica”… Repressivo?! Isso era dantes! Os individuos deixaram de ter vergonha! Juntam-se em grupos nos estacionamentos e comentam alegremente as experiências enquanto coçam as partes – talvez um reflexo condicionado! Lindo quadro para teres à porta de casa, hem?!

    Perspectiva, dizes? Realidade, respondo!

    E depois há uns velhos que por aqui rondam… Esses que tanto olham para a tua mulher, como para a tua filha em fase de Pré-adolescência… Que seguem as raparigas que passam pelo bairro, até as miúdas terem de fugir ou pedir ajuda a alguém conhecido… Não são gente perigosa? Houve um que uma vez esteve para ficar sem os dentes da frente… Talvez isso lhes amainasse as “pulsões”… Mas adiante…

    Abraço!

  8. sa morais

    É mais ou menos o que disse o JG!

    Um abraço também a ele!

  9. O que leva ao ponto que queria sublinhar, Sá e JG: O problema não está nas prostitutas. Está na semiescravidão e sevícias a que são sujeitas mercê da ilegalidade e clandestinidade da sua profissão. Legalize-se, regulamente-se e depois aplique-se a Lei, punindo os prevaricadores. E simultaneamente (ou antes) mudemos a nossa sociedade ainda formatada pela atitude misógama judaico-cristão…

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