Das anomalias do Desemprego em Portugal, comentário a um artigo de Martim Avillez Figueiredo

Martim Avillez Figueiredo, em artigo de opinião publicado no Diário Económico colocou o ponto essencial na compreensão da estrutura desse fenómeno galopante que é o Desemprego em Portugal:

70% da população empregada em Portugal só tem o 3º ciclo do ensino básico – o velho nono ano” e 72% da população desempregada vem daí – dos que só têm o nono ano. Dá uma equação simples: se a maioria dos trabalhadores disponíveis no mercado tem o nono ano, e se são esses quem mais engrossa a lista de desempregados, a taxa não vai cair. Vai subir mais.

Significa isto que apesar de todo o discurso negacional e eternamente minimizado do Governo e de Vieira de Carvalho, o Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, o drama do Desemprego que já atinge quase meio milhão de portugueses, longe de estar a abrandar, ainda se vai agravar mais e a tímida retoma económica verificada este ano não vai conseguir absorver um número significativo destes desempregados, nem travar a entrada de novos neste universo… As teses neoliberais incluem um Dogma que diz que “As Economias precisam de gerar Desemprego em momento de Conversão e de Adaptação para novos níveis de competividade”, mas se assim fosse, estaríamos a assistir à extinção de postos de trabalho não qualificados e ao aumento dos níveis de emprego entre os licenciados… Teoricamente mais bem qualificados que os primeiros… Mas não é isso que está a acontecer! Vários indicadores apontam para a existência de elevados níveis de desemprego entre os licenciados e assistimos um pouco por todo o lado aos despedimentos de licenciados e à sua substituição por pessoal não qualificado, em regime de Outsourcing ou a Contrato de Termo Certo… Esta atitude comum por parte dos gestores portugueses explica porque é que dos desempregados do último trimestre 32% são licenciados…

E que não se venha com repetições do discurso “os portugueses não tiram os cursos de que o país precisa”, porque este não corresponde de todo à verdade!… Martim Figueredo realça que embora os alunos de Letras sejam 30% do total e os de Educação, 20%, a metade restante vem precisamente dos cursos tecnológicos e de gestão de que o mercado deveria mais precisar!…

Anúncios
Categories: Economia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal, Websites | 9 comentários

Navegação de artigos

9 thoughts on “Das anomalias do Desemprego em Portugal, comentário a um artigo de Martim Avillez Figueiredo

  1. Quintus( ou Rui…) és capaz de fazer melhor -apesar de já ser bom isto. Mas acrescento que o sr figueiredo faz parte precisamente de um conjunto de pessoas – geracionalmente – que sempre defenderam o actual estado das coisas. Agora como isto está a estourar completamente vem demagogicamente ( todos os colunistas de D.económico/J . negócios ou quase todos) explicar esta situação com argumentos de treta, como aliás notaste e muito bem.
    É uma aproximação ao problema da parte do sr figueiredo , simplista e estúpida coo aliás são quase todas as propostas intelectuais destes avençados do pessoal do dinheiro. Escrevendo estas coisas ou próximas destas coisas pode ser que alguém os convide para gerir uma empresa de tipos do dinheiro onde depois, os Figueiredos deste país irão fazer exactamente aquio que descreves no post: despedir licenciados e contratar labregos para lhes pagar mais baixo.
    Para lá disso estas pessoas não se coíbem de, por exemplo, para a semana que vem escrevem artigos apaixonados a defender o fim da escola pública ( e consequentemente o desinvestimento na educação) ou outra coisa do mesmo estilo.
    Portanto A credibilidade destes pasquinários é zero.
    E já não falo da “qualidade” dos cursos quer os de gestão, quer os de letras.
    Num país que se vende a retalho e onde a aposta agora é em aceitar que isto se transforme em “país de turismo e serviços” pelo meio ainda existem figueiredos a debitar asneiras.

  2. Pedro: não podemos estar sempre de acordo, suponho… Continuo a acreditar que Martim Figueiredo descreve bem o nosso grande problema actual: um desemprego estrutural que não vai abrandar tão cedo… Fruto de uma Economia mal orientada e que não serve Portugal, mas interesses externos ou a velha malha do Poder que nos tem regido desde sempre… Quanto ao “país de turismo e serviços” desenhado por Cavaco e pela sua pandilha… Nada me repugna mais, e é aqui que reside a presente desertificação do nosso interior e estão as raízes desta política de ermamento sistemático seguido neste Governo.

  3. Golani

    2 questões:

    Pq que os países com mercados de trabalho mais “liberais” apresentam taxas de desemprego mais reduzidas ? (USA, UK, NZ, Austrália)

    Como explica esta noticia acerca da maior economia da Europa (e que teve ainda q fazer um esforço enorme para absorver a Alemanha de Leste após o fim do Comunismo) ?

    “Desemprego na Alemanha cai para mínimos de 12 anos

    O desemprego na Alemanha recuou para o nível mais baixo dos últimos doze anos, no mês de Junho, com o ritmo de crescimento da maior economia da Europa a encorajar as empresas a investir e a reforçar os seus quadros de pessoal.”

  4. Portugal já tem dos mercados de trabalho “mais liberais” da Europa… A taxa de empregados a Termo em Portugal é das mais elevadas e esmagadora entre os jovens… E nem por isso a nossa taxa de Desemprego é brilhante, nem tem parado de crescer… A grande diferença assenta de facto na Qualificação:
    1. As empresas não investem em formação
    2. O ensino público e privado é deficiente na qualidade final
    3. O ensino básico e secundário não se rege por critérios de mérito e eficácia
    4. Embora sejam dos mais bem pagos da Europa, a qualidade média dos nossos gestores é muito baixa
    5. O peso do Estado central é excessivo na Economia… E a carga fiscal sobre as empresas, logo, sobredimensionada…
    6. Excesso e vicio pelo Centralismo, centrado em Lisboa e num “Governo” que distribui prebendas, subsídios pelo compadrio do costume
    7. Fraca tradição Empreendedora (e confusão entre “empresários” e “empreendedores”com Especuladores improdutivos como o muito bajulado Berardo)

    e sobretudo…

    Falta de aposta continuada, sistemática e eficaz na Qualificação.

  5. Golani

    Portugal não é nada o mais liberal…convivem sim situações de enorme proteccionismo (função pública) e “recibos verdes”

    mas até acho até identificaste bem os problemas, mas explica lá como é que acusas as “teses neoliberais” no post e depois dizes que grande parte da culpa é do Estado no teu último post ?

    eu pessoalmente creio que a culpa é da educação/formação dos jovens, e isso é da responsabilidade do Estado (e estamos aqui a falar do ensino básico e secundário), o que se verificou nos últimos 20 anos foi a instabilidade (como reforma atrás de reforma), o facilitismo e a irresponsabilidade (ninguém reprova até ao 9ª,e a actual emissão de diplomas de 12º na secretaria)

    a nível superior, as universidades continuam bastante afastadas das realidades do mundo empresarial, e os alunos são muitas vezes irresponsáveis em optar por cursos sem saída profissional….cursos de engenharia, e mesmo economias, gestão …têm arranjado emprego…..quem está desempregado são cursos de letras e via ensino, asneira é tira um curso desses e um puto de 18 anos q entra para a universidade já tem maturidade para decidir sobre o seu futuro e arcar com as consequências da sua decisão

    acrescentar o excessivo peso do estado na economia, a excessiva despesa pública (somos o pais europeu que mais $ gasta com funcionários públicos), o aumento de impostos para financiar esta despesa toda, que sufoca a economia: empresas e consumidores

    tb burocracia, lentidão da justiça, centralismo

    os “liberais” são o oposto disto

    em Portugal nunca tivemos um governo liberal!

  6. Golani

    já agora:

    Assunto: Ofertas de Emprego – 60 VAGAS

    Caros(as) Associados(as)

    Junto enviamos oportunidades de emprego divulgada por um ex-estagiário do INOV Contacto:

    Trata-se de 60 vagas para engenheiros (Electrónica, Mecânica, IT, Materias, Computação, Física, Química, Qualidade, Gestão e Engenharia Industrial) para a Qimonda Portugal, S.A. (Industria de Semicondutores).

    Todos os interessados deverão enviar os CV´s + Carta de Apresentação para Filipe.Morais@Qimonda.com no periodo máximo de 1 mês, para serem contactados para entrevista.

    Dado o esforço de recrutamento não poderá ser avançada nenhuma job description especifica. Os candidatos serão avaliados caso a caso e enquadrados nas respectivas funções.

    Local de Trabalho: Vila do Conde

    Qimonda Human Resources

  7. Golani: as teses neoliberais actuais favorecem uma retirada generalizada e desregrada do Estado de todas as suas funções e o que eu defendo é uma retirada dessas, mas um recentramento nas autarquias, tornadas em “cidades-estado” mais eficientes, e próximas dos cidadãos… E soi absolutamente contra esta viosão neoliberal de defesa das multinacionais e das megaempresas, defendendo a primazia das pequenas e médias empresas privadas como geradoras de riqueza e emprego.

    Os Liberais não são os Neoliberais do Blasfémias ou de Friedman. Os Liberais que defendo são os primeiros defensores do termo: aqueles que defendem a Liberdade do Homem contra a tirania das Corporações e dos Interesses Financeiros anónimos e cruéis.

  8. Golani

    o liberalismo clássico defende as liberdades individuais, liberdade de expressão, governo limitado, economia de mercado (laissez-faire), iniciativa privada

    se defendes apenas a transferência das funções do Estado central para as Autarquias, não és liberal clássico

    em Portugal temos um estado corporativista, em que o pais é governado pelos políticos (do bloco central) em conluio com as corporações nacionais (não multinacionais): sector da banca, empresas de construção, sindicatos, ordens profissionais

    o partido do poder negoceia regalias e direitos com sindicatos e ordens para ter paz social, avança com grandes projectos ( ver ota e Tgv actualmente) não pq é do interesse nacional mas para dar excelentes oportunidades de negócio à banca e empresas de construção, que na volta financiam os partidos políticos para estes ganharem eleições e o ciclo continuar (os partidos têm dezenas de milhares de militantes e simpatizantes que precisam de tachos pq vivem à custa do estado)

    o que se passa a nível de governo é o q se passa a nível das câmaras municipais e a sua ligação com os empreiteiros e alterações a PDM´s debaixo da mesa e especulação imobiliária

    já agora, algumas das empresas, em Portugal, que são responsáveis por produção e exportação de bens de elevado valor acrescentado e mepregadores de mão de obra qualificada, são multinacionais: Autoeuropa (representa mais de 2% do PIB e de 10% das exportações portuguesas), Qimonda em Vila do Conde (um dos maiores fornecedores de memórias DRAM), Siemens, Blaupunkt em Braga (fornece os autorádios para o mercado europeu)

  9. bem, eu nunca disse que era um “liberal clássico” puro e cego… defendo a deslocalização da maioria das competencias do Estado central nas autarquias, e a tese de que os privados funcionam melhor do que o Estado em praticamente todas as funções, excepto na Segurança, Defesa e representação externa, mas defendo também que não deve haver uma retirada ou evaporação da protecção social, mas sim uma sua transferência pela via dos subsídios para ONGs e outras organizações não-lucrativas (Educação, Saúde, etc) a par com modelos privados clássicos, mas subsiados da mesma forma que ocorre nos EUA com o Medicare. E qual é a parcela total de emprego dessas multinacionais em Portugal? Muito diminuta… O grosso do Emprego vem das PMEs e é daqui que terá que vir a Retoma e a recuperação dos níveis de Emprego.

Deixe uma Resposta para Golani Cancelar resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Site no WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade

%d bloggers like this: