Os dois novos porta-aviões britânicos e do miserável estado actual da Royal Navy

O governo britânico decidiu construir dois novos porta-aviões com um custo total estimado em mais de 4 biliões de dólares. Com esta decisão, muito pesada do ponto de vista orçamental, a Royal Navy tenta continuar na lista das maiores marinhas de guerra do mundo, mantendo em actividade pelo menos três estaleiros navais em Inglaterra e na Escócia e assegurando pelo menos 10 mil postos de trabalho directos.

Os dois navios serão designados de “HMS Queen Elizabeth II” e “HMS Prince of Wales” e deverão ter cerca de 40 mil toneladas cada um. Os porta-aviões poderão transportar 50 aviões de combate e vão ocupar o lugar deixado vago pelos vetustos dois e meio porta-aviões actuais da Royal Navy, mas terão o dobro do tamanho e peso destes e além de lançarem apenas aviões de descolagem vertical, como os Sea Harrier, poderão também estar equipados com aviões mais convencionais, ainda que se pense que serão equipados sobretudo com caças JSF.

Esta decisão pode estar em contexto com a recente fraqueza desmonstrada pelo Reino Unido no incidente no Golfo Pérsico em que foram capturados marinheiros e fuzileiros britânicos… Muitos na altura criticaram o governo britânico por comprometer os seus soldados em locais hostis e não lhe oferecer os meios necessários para assegurar a sua defesa, observando estes críticos que o Irão nunca se teria atrevido a capturar marinheiros americanos, nas mesmas circunstâncias… Por outro lado, o governo de Blair decidiu recentemente não fazer mais actualizações e abater ao inventário perto de metade do actual número de fragatas e destroyers da Royal Navy… De facto, dos 44 navios actuais, 13 foram abatidos desde a chegada de Blair ao Governo, e dos 3 porta-aviões em inventário, um já não sai da doca… E dos 13 remanescentes, existem planos para abater mais 6 destroyers e fragatas nos próximos anos… A este ritmo a Royal Navy será em menos de cinco anos mais fraca que a Marinha Francesa e comparável à Marinha Espanhola ou Russa.

Bem. Pelo menos terão dois Porta-Aviões de que se orgulhar… Veremos é se terão meios navais suficientes para os proteger em alto mar…

Fonte:

http://www.armedforces.co.uk/navy/listings/l0012.html

Categories: DefenseNewsPt, O Código da Vinci | 11 comentários

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11 thoughts on “Os dois novos porta-aviões britânicos e do miserável estado actual da Royal Navy

  1. Penso que a questão não estará tanto na quantidade, mas sim na qualidade. Com dois porta aviões daqueles,têm uma capacidade operacional fantástica em qualquer parte do mundo. Fragatas, Destroyers e afins, são navios apenas para acompanhar linhas de abastecimento, nada mais… mas com a cada vez maior operacionalidade e capacidade dos aviões, as linhas de abastecimentos maritimas são para esquecer.

  2. Anónimo

    Eurico, concordo plenamente consigo!
    Contra aquilo que alguns erradamente pensam, não são os meios navais (fragatas, destryoers e afins) que protegem os porta-aviões! São é as patrulhas aéreas de combate (CAP) formadas por caças interceptores e de defesa aérea convocadas e chamadas pelos aviões de alerta aérea antecipada (AEW), mais os aviões de patrulha marítima anti-naval e anti-submarina (ASV/ASW) transportados a bordo deles que garantem a defesa de toda a frota naval. Estes são os meios principais e de longe, os mais capacitados, que guardam e zelam pela segurança nos perímetros de defesa exterior e intermédia (a longo e médio alcance) a todas as frotas navais de navios e submarinos de guerra que naveguem nas áreras de jurisdição marítimas patrulhadas e guardadas pela aviação dos porta-aviões.
    Na verdade, os navios de guerra navegam nas proximidades dos porta-aviões não para o escoltarem, mas sim para beneficiarem é da segurança propiciada pelo “guarda-chuva” protector da sua cobertura aérea que é uma espécie de escudo de defesa aérea tridimensional garantida pelas suas aeronaves a longa e a média distâncias.
    Só no perímetro próximo é que as baterias de mísseis (SAM) e as artilharias navais têm a sua utilidade, e isto porque são armas de mera defesa localizada de muito curto alcance (limitadas apenas a escassos quilómetros).

    Mas isto é mais que velho, há vastas provas e valentes lições da História que demostraram de sobra que essas limitadas defesas nada podem contra mísseis anti-navio e aviões supersónicos de ataque a rasar as ondas do mar.
    Já na Segunda Guerra Mundial as lições colhidas pelas marinhas norte-americanas, japonesas, alemãs, inglesas etc nas grandes batalhas do Pacífico e do Atlântico Norte demostraram a clareza e a evidência da alta efectividade e das razões plenas do Gen. Billy Mitchell (que na altura foi substimado!).

    Portanto, isto é História mais que provada!

    E embora esteja a haver uma redução substancial nos efectivos navais da marinha britânica, não esquecer que com estes dois novos porta-aviões armados até aos dentes com avançadíssimos caças multifuncionais Lockheed Martin F-35C (JSF-VSTOL) e BAE Harrier II GR.7/9 essa mesma marinha terá muito maior capacidade ofensiva e defensiva, quer a nível continental, quer a nível global.

    É a quantidade em pretérito pela qualidade e efectividade de meios, garantindo-se paralelamente um aumento no poderio armamentístico, um aumento considerável nas suas capacidades e um aumento na projecção destrutiva… além do aumento da força de dissuasão, quer além-mar, quer além-fronteiras (sobre a terra, sobre o mar… e no ar)!

  3. Eurico e “Anónimo”:
    Como em tudo, existem os limites da razoabilidade… Já admiti aqui várias vezes aqui que os meios aéreos podem ser determinantes para levar o desfecho de um conflito para um lado ou para outro, mas existe ainda o conceito da complementaridade das forças e das acções combinadas ou se assim não fossem não teríamos hoje todos os exércitos do mundo usando esses conceitos…

    No caso concreto, estes dois porta-aviões irão garantir a presença do RU no grupo das grandes potencias navais do mundo (já o escrevi lá em cima), mas sem a devida rede de protecção naval, contra submarinos (lembram-se do incidente com o Song chinês?), mísseis, torpedos, canhões, lanchas suicidas, etc. A protecção destes navios deve ser multipla e em várias camadas. Seria suicidário confiar a sua defesa unicamente aos meios embarcados, especialmente porque estes devem ser sobretudo ofensivos e não defensivos: isto é, de um porta-aviões empenhar a sua maior força em defender-se então de que servirá a sua colocação a milhares de quilómetros de distância? Um navio desta classe é um navio ofensivo. A defesa da esquadra deve competir à sua escolta.

    Aliás, os EUA que não são tidos como uma força aeronaval incompetente, protegem sempre os seus mais pesados porta-aviões com densos grupos escoltadores…

    E por outro lado, como iriam desembarcar as forças terrestres? Sem navios de apoio e de desembarque? Sem navios capazes de usar os seus canhões contra as trincheiras em terra? Veja-se o exemplo britânico nas Malvinas.

  4. Podemos já ter ultrapassado o tempo da 2ªa guerra em que cada porta-aviões tinha que ser escoltado por uma mão cheia de couraçados mas calma aí. Não me parece que o reino unido esteja seriamente a pensar basear a sua projecção de força em porta-aviões e submarinos nucleares. Será que eles estão a contar com os aliados da NATO para lhe irem fornecendo a escolta? Parece muito pouco inglês confiar nos continentais…
    Um porta aviões demora muito mais tempo a construir que uma fragata. Suspeito que dentro de uns tempos vamos ouvir falar da construção de mais umas oito fragatas britânicas. Aqui no quintos claro.

    Mas estou a comentar por outra razão. Li no artigo que afinal sempre vão construir o barco em parceria com a França. Podemos esperar um irmãozinho para o deGaule .

  5. Anónimo

    ??? Clavis Prophetarum ???

    Bom, cada grupo naval e cada navio em particular tem as suas competências, especializações e missões.
    Mas desculpe-me (Clavis Prophetarum!!!), os porta-aviões, principalmente os dos EUA, da França, do Reino Unido, da Índia, do Brasil ou da Rússia baseiam a sua defesa não nos navios de escolta mas sim na aviação embarcada relegando os restantes meios navais para “forças complementarias” de defesa ao designado perímetro próximo (num raio de acção de apenas escassos 20 a 30Km). A escolta naval alargada aos porta-aviões é um conceito inexistente desde a Segunda Guerra Mundial.
    Tal como disse (e reafirmo) os navios adjacentes que navegam nas proximidades da rota do porta-aviões apenas defendem o perímetro de defesa deles próprios, área essa que volto a insistir se estende a poucas milhas à volta, ou seja ao alcance limitado dos seus mísseis SAM e das suas eventuais artilharias anti-aéreas AAA (nem sempre presentes). Essa concentração de vasos de guerra a navegarem em proximidade chama-se força-tarefa!
    Por sua vez os porta-aviões embora sendo primordialmente navios de projecção de força dissuasora e de poder ofensivo, além-mar e além-fronteiras, são também navios portadores da sua própria autodefesa embarcada e que é eficazmente assegurada graças às extraordinárias capacidades das suas aeronaves. Estas por sua vez, fornecem também protecção, defesa e escolta a toda a restante força tarefa. Essa escolta, defesa e protecção são propiciadas pelas faculdades do longo raio de acção das aeronaves de ataque, pelos seus poderosos radares a bordo que rastreiam amplas áreas oceânicas (à volta, para cima e para baixo). Mas também pela sua rápidíssima velocidade (que pode ser supersónica) e capaz de cobrir vastas áreas oceânicas em poucos minutos de patrulha. E também graças ao potente e altamente capacitado poder das suas armas (entre outras faculdades avançadas e vantagens inigualáveis por quaisquer outros meios de superfície).
    Neste sentido, é bom não esquecer que o grupo aeronaval embarcado num porta-aviões se compõe também de aeronaves puramente defensivas da força tarefa ao nível da superfície marítima e submarina. São os helicópteros e os aviões de luta anti-naval e anti-submarina (ASV/ASW) e estes não estão lá para enfeitar o convés!!!
    Além destes, há ainda o cérebros de comando e de detecção de ameaças a longas e médias distâncias que são os aviões sentinelas (os olhos e os ouvidos da marinha), ou sejam as aeronaves (AEW) de detecção e alerta aéreo antecipado. São aeronaves que nas suas missões (de 24H sobre 24H) patrulham todo o espaço aéreo sobre os corredores de navegação em áreas que se projectam em raios de defesa bem alargados, de alguns milhares de Km à volta. Basta dizer que a área de jurisdição responsável e atribuída a um porta-aviões da US Navy extende-se a mais de 2000Km. Esse raio de acção é precisamente coberto pelas suas aeronaves e seus radares aerotransportados e não pelo porta-aviões ou por outros quaisquer meios navais. Estes, ao navegarem nas proximidades dos porta-aviões, de facto o fazem concretamente para beneficiarem é dessa ampla cobertura aérea defensiva, porque como alvos lentos e expostamente vulneráveis, são extremamente vulneráveis a ataques aéreos inimigos.
    Este é um facto consumado e que revelaram as guerras reais, com derrotas históricas tão grandes e tão graves que mudaram o Curso da própria História! E nesse sentido, a corroborar esse facto evidente, continua-se a demonstrar a sua actualidade nos frequentes exercícios militares conjuntos das forças aliadas que todos os anos são realizados.
    E por fim, dando cobertura a todos estes elementos navais (incluindo-se o porta-aviões, os vasos de guerra adjacentes e os submarinos), estão os caças interceptores e de defesa aérea “os guardiões da frota”!

    Esses caças, como Sistemas de Armas que são acima de tudo, têm uma vasta panóplia de armamentos para um rol igualmente vasto de multi-missões bem específicas. São as suas (CAP) que montam e asseguram o “guarda chuva protector” (uma espécie de cúpula) que protege todo o grupo naval, a longa e a média distâncias.
    Quanto às aeronaves de luta anti-naval e anti-submarina, estas propiciam primordialmente a defesa e segurança ao nível da superfície a todo o grupo tarefa. Aqui já poderão ser complementadas com a acção de superfície dos vasos de guerra que, dadas as suas limitações, apenas se responsabilizarão da defesa num curto raio de proximidade à frota.
    De salientar que a defesa muito antecipada, com elevadíssimo gráu de segurança e de pré-aviso, ou seja aquela que se projecta além-horizonte (OTH/BVR) abrange um perímetro defensivo exterior muitíssimo mais alargado e que é coberto óbviamente pelas patrulhas aéreas de combate (CAP) cujos caças “varrem” rápidamente amplas áreas oceânicas, que se poderão estender mesmo a alguns milhares de Km com o recurso ao reabastecimento aéreo (desde aeronaves também embarcadas nos porta-aviões).
    Concluindo: essa defesa, com ampla mergem de segurança e de alerta antecipado de prevenção a longa distância, tal como se pode adivinhar, é únicamente facultada pelos caças e não por lentas e limitadas fragatas e afins.
    Estes meios aéreos extraordinários “varrem” rápidamente com a sua velocidade supersónica “biliões de Km3 de mar e de céu” numa faculdade tridimensional única, dando um fortíssima e eficientíssima protecção dentro de toda uma cúpula defensiva que vai desde o nível das águas até às altas camadas estratosféricas ou mesmo para além delas, e em todas as direcções.
    Estes meios sim, são os que protegem toda a frota naval de incursões e ataques de aeronaves e de mísseis de cruzeiro vindos de além do horizonte.

    Mas há outro aspecto digno de nota que é digno realçar: devido à ofuscação radárica provocada pela curvatura natural do planeta, os radares dos navios não podem detectar muito além de 30 a 40Km de distância (pouco mais que o horizonte visível), o que para ataques de mísseis e de aviões anti-navio/anti-submarino é nada mais que brevíssimos minutos não dando sequer tempo a reacções. Ora, isto reflecte-se em ineficácia total da frota se defender, sendo irremediávelmente a sua certeira destruição.
    Além disso, os perfis de ataque desses mísseis e aviões contemplam voos de aproximação supersónica e rasantes ao mar, o que torna essas investidas prácticamente indetectáveis atendendo também às características “semi-stealth” que já muitos aparelhos e mísseis possuem. A agravar esta dificuldade, as aeronaves podem através dos seus meios sofisticados de contramedidas/contra-contramedidas electrónicas “jamming” (ECM/ECCM) empastelar e saturar de interferências todo o espaço aéreo onde manobram e muito para além dele, emitindo inclusivé falsas emissões e engôdos para semear a confusão na(s) frota(s) a ser(em) atacada(s). E para um ataque devastador em pleno nem sequer é necessário essas mesmas aeronaves se aproximarem dos perímetros de defesa próximo (o tal “interno” que é da competência e responsabilidade das fragatas e navios similares além dos próprios porta-aviões que também possuem os seus próprios mísseis e canhões anti-aéreos). E isto porque os mísseis simplesmente são disparados a distâncias muito além das capacidades de resposta desses navios, o que torna as aeronaves-vectoras inalcansáveis e intocáveis! Os seus mísseis são inclusivé “inteligentes” (ao nível electrónico) e por isso são plenamente capazes de avaliarem os gráus de resistência e de ameaça dos alvos, procedendo automáticamente em conformidade consoante a táctica mais apropriada. São os designados mísseis anti-navio do tipo “dispare-e-esqueça”. Contra estes não há a defesa possível, mesmo recorrendo nas últimas a armas de fogo anti-aéreas AAA. Poderão destruir um ou outro mas perante um ataque em larga escala, a força sempre passará! E é muitíssimo improvável conseguir acertar neles pois a sua velocidade é “inacompanhável” mesmo perante os radares mais rápidos, quase sempre superior a Mach 4. A agravar tudo isto, é impossível a sua detecção antempada, muito menos uma breve aquisição radárica positiva. E viu-se o que fizeram os célebres mísseis Exocet na Guerra das Malvinas e na Guerra Irão-Iraque (e isto só para focar estes dois conflitos)!

    Ao longo da História, desde a Primeira Guerra Mundial, ficou mais que provado que as marinhas (os exércitos ainda em maior escala) são efectivamente valências militares extremamente vulneráveis a ataques aéreos!
    Valentes e fartas lições da Segunda Guerra Mundial, com gravíssimas consequências nas grandes batalhas navais para todos os lados, mais não foram que a reafirmação do facto mais que evidente de que as marinhas podiam ser facilmente destruídas pelos ataques aéreos, ou seja, nada mais do que a evidência daquilo que o Gen. Billy Mitchell já tinha provado durante experiências de bombardeamento anti-naval, vinte anos antes!
    Nessa revolução e reaprendizagem doutrinária, em relação ao ceptro naval, seria o fim da Era dos grandes couraçados, “dinossauros” tidos orgulhosamente como invencíveis e inafundáveis (e viu-se sobejamente quanto realmente o éram)!
    Daí emergiria o porta-aviões como o vaso almirante com o poder bélico mais concentrado, mais poderoso e com a maior versatilidade de emprego do mundo!
    Hoje a marinha que não o tenha é destituída da sua credibilidade e tida apenas como uma “marinha de bolso” (é este o termo oficialmente empregue) ou seja, não passa de uma marinha “desmembrada” e de segunda categoria, de importância relativa.
    Essa revolução forçaria também a reconversão do conceito de navio ofensivo. Hoje, prácticamente navios como fragatas, destroyers ou cruzadores estão destituídos da sua funcionalidade ofensiva e apenas se limitam a concentram o seu poder de fogo para se defenderem como podem. E o seu maior pesadelo continuam a ser eternamente os eminentes ataques aéreos.

    ???Clavis Prophetarum???…, não desvalorizando o seu ponto de vista que também tem a sua valia e aplicabilidade, devo alertar que os exemplos que inumerou são meras excepções de casos isolados tidos como “não frequentes” e que fazem parte duma conjuntura específica duma guerra de baixa intensidade (ou melhor de conflitos assimétricos, rebeliões e terrorismos ou seja “a guerra dos pobres”), portanto nada tem a haver com o conceito doutrinário generalizado a todas as grandes marinhas que operam porta-aviões.
    Embora tendo as suas observações também um certo valor, quanto menos em termos de possibilidades de atentados perpretados por pequenas embarcações dissimuladas em meio ao tráfego marítimo junto a portos, não fazem assumidamente parte do convénio de actuação naval em mares e oceanos abertos como deverá compreender. Por isso, o que defende é uma excepção e não a regra!

    E para terminar: o conceito de forças combinadas é apenas um entre muitos outros. Este em concreto tem estado a ser explorado com sucesso, daí a sua visibilidade, mas pelo menos neste tipo de conflitos de baixa intensidade tem a sua aplicabilidade, virtudes e defeitos. Já aqui duvido profundamente quais seriam as suas aplicações e vantagens numa guerra de alta escala onde a aviação imprime e força a acção bélica numa guerra de movimento e de atrito tão rápida que não dá a mínima hipótese As forças de superfície de entrarem nela! A aviação, como peixe na água, conduz a guerra do movimento como quer e lhe apetece, elevando-a, se caso for preciso, para o domínio estratégico e não mais táctico. Nesse patamar não há lugar para forças mecanizadas ou apeadas pelo que esse conceito de forças combinadas é completamente destituído de qualquer valia, não sendo possível sequer implementá-lo. Nessa guerra de movimento e de acção rápida, o inimigo é destituído totalmente das suas capacidades ofensivas e é-lhe interditada através das missões (CAS) a liberdade de dirigir a guerra à sua maneira, relegando-se apertadamente a jogar à defesa. E como não se ganham batalhas e guerras na defensiva, está-se mesmo a ver o que o espera!
    É que a valência da Superioridade Aérea faz com que seja praticamente impossível as movimentações na superfície monodimensional, daí que tentar implementar esse conceito de forças combinadas é suicídio puro para as forças de superfície, nomeadamente numa guerra de grande intensidade e de grande escala.
    Neste tipo de guerra estratégica de larga escala não há cá lugar para soldados a correrem a pé, para tanques, chaimites, lanchas de desembarque, fuzileiros, infantarias, artilharias e outras valias do género!
    Enquanto as guerras forem localizadas e de baixa intensidade, como as que se tem assistido, esse conceito de forças combinadas tem a sua valia (mas mesmo assim só pode ser aplicado muito após a consolidação da vitória da Supremacia Aérea nos céus que cobrem a superfície terrestre e marítima do inimigo). Pelo contrário, se esse inimigo estiver em posse e domínio desse patamar vital, aí é totalmente impossível fazer avançar na superfície o que quer que seja, sob pena de ser rapidamente destruído pelo poderio aéreo inimigo!
    E convém aqui frisar que a força aérea não se limita a ser apenas apoio de alguém ou estar ao serviço e colaboração com alguém! Antes de mais a aviação é uma força independente, autosuficiente, que se vale a si própria, una e indivisível! Seria imprudente atrelar a aviação a uma função meramente estática, táctica, localizada e defensiva a meras e vulgares forças de superfície quando não é essa a sua primordial razão de ser! Para esse conceito de forças combinadas, existem aeronaves especializadas para darem cobertura e apoio aéreo aproximado (defesa, escolta e protecção) a essas forças. Mas isso é uma coisa totalmente diferente daquilo que se chama “força aérea” ou simplesmente Poder Aéreo!
    Não esquecer que a aviação militar é uma força intrinsecamente estratégica, de alcance e projecção de força global, com uma flexibilidade de emprego único e incomparavelmente com o mais elevado poder destrutivo do mundo. Pode imprimir e conduzir as suas missões quer em termos tácticos, quer em termos estratégicos visando objectivos de alta prioridade e altíssima imporância. É a única valência militar com plenas capacidades estratégicas e como tal não é de forma alguma uma força que se limita a fornecer apenas vantagens a este ou aquele. Isso é cegamente subestimar a sua valência, o que passados mais de 104 anos após o primeiro voo do “mais pesado que o ar”, não faz de sobras o mais ínfimo sentido! Limitar a força aérea a apenas isso, é muitíssimo pouco e revela completo desconhecimento de causa de quem o afirma! Dá a impressão que a força aérea apenas defende… e as outras forças, muitíssimo mais limitadas em todos os aspectos, é que fazem a guerra!

    Após as imensas lições colhidas na História dos Conflitos Bélicos, é totalmente inegável que uma força aérea pode muito bem conduzir uma guerra sozinha, mostrando-se completamente dominante e altamente destruidora a tal ponto que pode tornar a superfície totalmente impossível ao inimigo, forçando-o rápidamente (e em escassos dias) à rendição incondicional e à assinatura do armistício. Isto é vencer objectivamente a guerra e não complementar ou ajudar as outras forças a o fazerem por ela!
    Por exemplo, em relação à Guerra do Golfo e do Iraque: independentemente das forças de superfície terem actuado, mais por simpatia do que por necessidade, é bom não esquecer que mais de 92% do esforço dessas campanhas foi suportado unicamente pela aviação. Esta imprimiu uma velocidade de actuação e de destruição de objectivos nunca antes vista! Essa actuação conduziu por si só à vitória da força aérea (em primeiro) e em consequência a vitória também a todas as restantes forças intervenientes (em segundo) que muito pouco ou nada fizeram (as terrestres só actuaram de forma muito limitada já no fim da campanha e apenas resumindo-se à ocupação física das áreas territoriais invadidas pelo ar, libertadas e conquistadas pela aviação. As forças terrestres, como é da sua responsabilidade, apenas mantiveram a posse dessa superfície )! Mas isto aconteceu também inúmeras vezes no Passado e até no Passado relativamente mais recente!
    A Superioridade Aérea é tão importante que pode conduzir à vitória por si só (isto é, o Domínio do Ar sobre a Superfície pode ser um fim em si mesmo e visar a consolidação de todas as pretensões militares e políticas numa vitória rápida da força aérea e de todas as forças envolvidas (se as houver) e…, mais importante, graças à sua avançada tecnologia de alta precisão (ímpar e única) causar um baixo índice de danos colaterais nas populações civis.

    A Superioridade Aérea é pois um conceito independente e totalmente “desamarrado” do da utilização de forças combinadas, que tem a sua valia, é certo, mas apenas em determinados cenários bélicos que se querem à partida brandos (guerras assimétricas, guerrilhas e conflitos de baixa intensidade)…sendo totalmente contraproducente noutros de maiores amplitudes.
    A Superioridade Aérea reafirma pois o conceito de Guerra Decisiva contra quaisquer tipos de forças militares “convencionadas e institucionalizadas” do inimigo.

    Conforme demonstraram as vastas lições colhidas na História, o conceito uno e indivisível da Superioridade Aérea é o factor decisivo, fundamental e primordial para se alcançar e consolidar a vitória final, seja de forma independente com vista a objectivos amplos e de importância estratégica, seja de forma táctica e contributiva com outras forças que trabalham em uníssono para alcançarem os mesmos objectivos.

    Noutro caso que refere, as operações anfíbias são geralmente apenas um prelúdio de operações terrestres ininterruptas que quase sempre levam a nada e a coiisa nenhuma, sem quaisquer impacto no desenrolar dos acontecimentos, mas isso só nos leva de volta ao ciclo viciado de exército versus marinha versus forças combinadas!
    Ora o que importa qui ressalvar é que o Poder Aéreo mudou todas essas coisas quando logo na Primeira Guerra Mundial comprimiu a linha que divide os níveis táctico e estratégico. As aeronaves podem facilmente e rotineiramente conduzir por si mesmas operações de larga escala que alcancem e consolidem efeitos de nível tático e estratégico, isso não é novidade alguma! Em grande medida as aeronaves eliminam a necessidade de enfrentar o terreno ou os ambientes hostis devido à sua habilidade de voar por sobre exércitos, marinhas e quaisquer tipos de obstáculos geográficos (dia e noite e em quaisquer condições meteorológicas). Daí, podem atacar directamente os centros-chave de um país, os seus altares industriais, destruir toda a rede organizacional da suas forças armadas, devastá-las directamente aniquilando-as por completo e ainda derrubar a “tribuna política” eliminando selectivamente os Centros do Poder e de Decisão.
    E tudo isto sem sequer serem precisos exércitos e marinhas para nada!

    Estas brutais e superiores capacidades verdadeiramente impressionantes da aviação conferem alternativas de imperiosa prioridade quer a arrastadas batalhas terrestres, como sempre sangrentas, inúteis, sem qualquer sentido e sem fim à vista… quer a infrutíferos bloqueios ou batalhas navais que a nada levam.

    É por tudo isto que o Poder Aéreo é a valência bélica de primeira eleição e de maior prestígio para qualquer potência que se preze e que almeje poder de influência, militar e político, e acima de tudo visibilidade, consideração e respeitabilidade no mundo.
    Se as maiores potências mundiais o são militarmente de facto, é tudo graças à superioridade incontestável do domínio avassalador do seu poderio aéreo… e de nada mais!

    Resumindo e concluindo: a faculdade pluri-operacional na consolidação de objectivos, as versatilidades e as flexibilidades únicas que a aviação possui em comparação com as outras valências militares (que ou as não possuem ou apenas têm parte delas) são primordialmente dirigidas e projectadas no plano estratégico pluricontinental ou mesmo global e nunca jamais somente em conceito “combinado de forças” como se de uma simples muleta a força aérea se tratasse!

    A natureza do inimigo e da guerra, os objectivos a serem alcançados e o preço que o inimigo e o seu povo desejam pagar definirão que instrumentos aeroespaciais militares serão empregues e em que proporção!
    Contudo, a Superioridade Aérea só será plenamente frutífera e altamente eficaz se houver realmente grande vontade e firmeza políticas em a voltar a explorar a fundo (como aconteceu no Passado). Mas perante a falta de pulso, fragilidade de carácter, falta de determinação e constantes vacilações e recuos destes políticos incompetentes que temos na liderança europeia e dos EUA, juntando-se ainda os movimentos demagógicos anti-guerra, a falsa moral, os frequentes impecilhos diplomáticos levantados pela ONU, as campanhas demagógicas fabricadas por uns Media cada vez mais pautados pelo “politicamente correcto” ou pelo esquerdismo, são enormíssimas barreiras, incómodas, ingratas e profundamente contraproducentes à acção de um Poder Aéreo que se quer urgentemente firme, decidido, consistente, inteligentemente comandado e fortemente dirigido contra aqueles que põem em causa a Liberdade e a Ordem Mundial das coisas.

    “ – A aviação tornou-se predominante tanto como instrumento de dissuasão da guerra quanto, na eventualidade da própria guerra, revelar-se rapidamente como a força devastadora capaz de destruir a fundo todo o potencial do inimigo, impedi-lo de se comandar a si próprio, negando-lhe a vontade de conduzir a guerra, e fatalmente solapar-lhe a vitória! (Gen. Omar Bradley – 2ª Guerra Mundial).

    Aquele que viria a ser considerado o maior estratega da aviação, ainda em plena Primeira Guerra Mundial, afirmou estas palavras proféticas:
    “-Quem controlar o Ar, dominará a Terra e o Mar!” (Gen. Giulio Douhet)

    Não podia estar mais certo!

    Nota: bom, e já me alonguei demasiado. Espero ter sido suficientemente esclarecedor e que não continuem teimosamente a prevalecer certas ideias fixas, erróneas e infundadas que irritantemente fazem a desilegância em insistir!

  6. Ontem achei a resposta para as minhas questões. A royal navy tem de facto seis contratorpedeiros encomendados, um deles já foi lançado à agua e vai entrar em serviço dentro de dois anos.
    http://en.wikipedia.org/wiki/Type_45_destroyer

    Estranho o projecto para o desenho de novas fragatas foi cancelado, podem sempre tentar comprar as dos suecos hehehehe.
    http://en.wikipedia.org/wiki/Future_Surface_Combatant

    Mas ao que parece a ideia è colocar os aparelhos de defesa com capacidades VTOL nos navios de escolta para libertar espaço no porta-aviões. O tipo 45 vai ser equipado com aparelhos lynx. A fragata de teste para o projecto FSC também estava equipada com uma plataforma de helicóptero.

  7. é precisamente deste cancelamento do programa das fragatas e da redução do número de novos destroyers que tinha lido em foruns britânicos… Aliás, nem é preciso dizer o quanto caustícos andam os participantes desses foruns perante estes cancelamentos e abatimentos na Royal Navy…

  8. A crise está realmente brava…o império foi ao fundo…Contando centavos por centavos…tá feia a coisa.

  9. bem… 4 biliões, são 4 biliões… até no UK.

  10. Soberania

    No caso do Brasil se houvesse seriedade na defesa da soberania, segurança e interesses da nação, já teriam adquiridos baterias antiaereas russas ou chinesas de medio e longo alcance e alguns sub nucleares, bem como parcerias em projetos de alta tecnologias de medio e longo prazo. Até então continuaremos satelites das nações nucleares e anestesiados em berço esplendido.

  11. o brasil tem o melhor ,grupamento de guerra na selva do mundo ;neste aspecto ,somos insuperaveis ;nenhuma naçao se atreveria ,ainvadir a amazonia,(brasil acima de tudo.

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