E continuam os abusos ligados à Praxe Académica

Já ha algum tempo, a imprensa registou mais uma de várias e recorrentes notícias sobre violências e humilhações diversas executadas durante as ditas “Praxes” universitárias. Desta feita num “julgamento de praxe, em Coimbra, uma das várias vítimas sofreu além da humilhação ritual – para grande gaúdio e contentamento dos praxantes – um corte no escroto e outro ficou ferido na cabeça.

Estes casos reiterados de violência estudantil, ou no termo anglo-saxão que agora se tornou habitual: “bullying” no tristíssimo e vergonhoso exemplo da Escola Secundária de Rio Tinto não estão a merecer das autoridades e das gestões escolares a atenção devida. Quando um grupo de energúmenos embriagado pelo seu nicho de Poder exerce – por via de violências físicas e verbais – o seu Poder contra aqueles que deviam acolher com simpatia e companheirismo e desfaz neles as suas frustações de Dux’s falhados, e frequentemente encalhados durante décadas nos corredores académicos, estamos a deixar que os fortes oprimam os fracos. A Lei, e as autoridades não deviam defender os pobres estudantes que acabam de entrar na Universidade e enfrentam estes gangs organizados de Dux’s e Cantadores de Batina? Porque não se acciona a polícia contra quem usa a violência para humilhar terceiros?

Porque é que as Universidades e as suas direcções não tomam medidas definitivas para parar esta violência e prepotência devidamente condimentada de abundantes doses de abuso de poder e de posição dominante?

Fontes:

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1294896&idCanal=undefined

http://sic.sapo.pt/online/noticias/vida/20070516-Caloiros+queixam-se+de+abuso+em+praxe.htm

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Categories: A Escrita Cónia, Bird Watching, Educação, Sociedade Portuguesa | 15 comentários

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15 thoughts on “E continuam os abusos ligados à Praxe Académica

  1. sá morais

    Nunca percebi, nem quando lá andava… Coisas à la tuga… Os portugueses gostam de ser chamados de “doutores” e é interessante que um tipo do 2º ano já goste de ser chamado de “doutor” pelos caloiros… Na altura percebi a função de coisas como a semana académica: “desbundar e apanhar grandes narças!” Hoje, quando vejo a alegria evidênciada nos desfiles, penso para mim: “Riam e gozem agora, porque depois de acabarem os cursos, talvez tenham poucas razões para sorrir… “

  2. Felizmente nunca cheguei a ser prazado, mas se fosse, se tivessem tentado provavelmente não reagiria de boa forma… Mas esta gente, estes praxadores não passam de covardes, que se servem da sua posição de poder para humilhar e reduzir a absoluta insignificância da sua vida humilhando os outros… E sim, farra enquanto durar o curso que depois, vão juntar aos 70 e tal mil licenciados que todos os anos vão para o desemprego… Mas a desgraça eminente não diminui a falta actual…

  3. é lamentável que estes casos de praxes violentas ainda existam,

  4. Sá: Imbecis arrogantes da laia deste “Dux” sempre houve e sempre haverá. A mim, o que me irrita mais é a paciência e passividade das autoridades e das reitorias perante estes reiterados abusados das associações académicas.

  5. Inês

    Sendo a minha posição defensora da escolha do caloiro e não da imposição da ‘praxe’ pelos finalistas, apoio as associações que são a favor da suspensão desta prática iniciadora ou de uma vigilância do Conselho Máximo de Veteranos das Universidades e punição daqueles que ofenderem física ou verbalmente um caloiro.
    A entrada no ensino universitário deveria ser uma altura de felicidade para os caloiros pelos objectivos atingidos e pelo passado escolar que nos permitiu chegar até um nível de ensino superior, contudo, para muitos destes estudantes, a vida universitária não começou desta forma mas sim de uma forma violenta e de vexações perpetradas por alunos que pensam que têm esse direito porque já lá estudam há mais tempo. É tempo de se reformular ou reformar estas tradições ditas vitais para as Universidades e começar a pensar nos alunos e nas suas sequelas emocionais e, por vezes, até físicas.

  6. há pouco encontrei mais uns mascarados(dizem.se estudantes) ali nos restauradores, Lisboa. estavam “subjugando” uns outros mascarados(caloiros). foi grande a minha vergonha. serao estes mascarados, estudantes, que serao a “inteligência” futura? que horror!!!! depois disse-lhes isso. aí responderam que era a integracao. que eu saiba, integracao será inserir, ajudando. ali era subjugar. mas, disseram-me os mascarados, estudantes, que eles, caloiros, queriam aquilo… e mais…. que só uns evangélicos é que tinham pedido para nao serem subjugados porque nao estava de acordo com a sua confissao religiosa. entao: só os católicos pedem para ser subjugados. boa… agora compreendo: continuamos todos católicos, continuamos todos a ir a fátima, continuamos a querer ser subjugados, continuamos a nao ser críticos, continuamos a ser submissos. é o que todos querem. e os estudantes mascarados também.
    que vergonha e que tristeza…
    rosa maria gomes, hamburgo

  7. prepotência com máscara de integração… e o eterno exercício do Poder e da Força contra os Fracos e frágeis, a isto chamam eles de “praxe académica”.
    De facto, nunca fui praxado, em nenhuma das duas vezes em que andei nestas lides, mas tenho pena! e ainda hoje gostaria de poder enfrentar estes “doutores” batinados que assim exercem a sua tacanha tirania perante a criminosa complacência das universidades e das polícias…

  8. João Matos

    Acho simplesmente ridiculo os comentários que li, a praxe como é obvio não é violência e por isso existe o “Código de Praxe” um livro de regras d conduta pela qual se rege a praxe. Qualquer caloiro é livre de participar ou não na praxe, quem não quer basta assinar uma declaração dizendo que é anti-praxe. A Praxe é integração, é nestes momentos académicos que se conhecem mais pessoas, e se ganha o respeito que as devidas hierarquias merecem, o respeito pelo próximo, pelo seu superior. Estar na praxe é mostrar o espirito académico, é mostrar que a faculdade não nos forma apenas académicamente mas também nos forma para a vida e como seres humanos. Apenas um pequeno comentário, a quem comentou que nunca teve em praxe, os meus sinceros sentimentos, não se pode sentir o espirito académico sem nunca passar por ele. E não existem “praxes” existe a praxe. Não vejam a praxe como violência, existem abusos de pessoas que desrespeitam as regras, mas isso tanto existem em praxe como na vida, quem é que nunca foi prejudicado por alguem que desrepeita regras?

  9. João:
    Não é violência? Coacção, abuso de poder, ameaças, prepotências…
    tudo isso são fenómenos comuns nas praxes académicas.
    só alguém que praxa, um “praxista”, portanto, senhor desses mesmos abusos pode defender tais práticas que humilham e pretendem exaltar um qualquer “poder” detido por alguém
    o próprio uso do termo “caloiro” é prejorativo e diz muito sobre a atitude perante a vida de quem o usa.
    “integrar”, não é humilhar. e em todo meu percurso académico, em várias universidades, públicas e privadas, vi sempre praxes, mais ou menos humilhantes, mas nunca vi desse “espírito de ajuda” e de “integração”, por parte dos praxistas. Jamais.
    e existem abusos, porque existem as condições para que eles ocorram, e estas são a existência de “rituais de iniciação” que pela sua própria essência diminuem o estado de “pessoa” dos “caloiros” e um laxismo instalado por parte da maioria das reitorias.

  10. Anónimo

    em primeiro lugar as praxes nao sao todas iguais e em geral os caloiros so vao porque qerem, e nao, porque sao obrigados. se aguem tiver duvidas que se informe melhor sobre as praxes

  11. Rambo

    o joao matos disse tudo!
    “a praxe como é obvio não é violência e por isso existe o “Código de Praxe” um livro de regras d conduta pela qual se rege a praxe. Qualquer caloiro é livre de participar ou não na praxe, quem não quer basta assinar uma declaração dizendo que é anti-praxe”

    e tenho dito, os caloiros vao à praxe de livre e espontanea vontade

  12. Rambo

    e digo mais!
    se podesse voltar a ser caloiro, repetiria a praxe de caloiro porque é o melhor ano, porque é “o nosso ano”

  13. Odete

    Infelizmente tenho conhecimento de alguns caloiros que são obrigados a determinadas praxes. O facto de não haver violência fisica não inibe a violência psicológica que por vezes é abusiva. É obvio, e ainda bem, que nem todas as praxes são assim, mas que casos mais estranhos/abusivos/humilhantes estão a acontecer é um facto. E tenho pena que assim seja.

  14. Mia

    Eu quando ignoro a praxe ignoro a 120% inclusivamente a boa praxe e a má praxe, e todos os códigos e regulamentos que a regem, deixei bem claro que isso é uma entidade que pra mim não existe muito antes de por lá os pés, portanto nem me posso considerar “anti-praxe”. Pra uns, perco, pra outros não perco nada… só há 2 lados da moeda quando a moeda existe, mas como trato essa entidade na minha vida como se não existisse sequer, essas questões de sentir ou não sentir espírito académico simplesmente nem se colocam na minha vida e vivo em paz. Espero é que cada um aja na vida de acordo com a sua consciência e saiba reflectir nas suas escolhas. O meu melhor amigo anda nisso, mas… ele sabe o que faz da vida dele: trepa mais na praxe do que em disciplinas feitas, mas é meu melhor amigo desde muito antes de eu pôr os pés no instituto onde ele já andava 1 ano antes de mim… guess what, pessoal? Conheço-o mais a fundo do que simplesmente pelo nome de praxe. De resto, demorei mais a fazer amizades, mas ao menos sei que transmito certa calma e paz a quem me rodeia, e conheço a fundo as poucas pessoas que me rodeiam muito para além da superfície, inclusivamente lhes sirvo de conforto ou simples “diário”, fico contente por isso, talvez me contente com pouco. Só posso falar do que sei, portanto aquilo que eu entendo por integrar nunca envolveu “praxe”, mas isso só pelo que eu vivi e experimentei até hoje, baseio-me em amizades que fiz ao longo da vida, digo até na brincadeira que sou anti-social, mas tenho somado amigos (poucos e bons) que conheço há anos e não houve nunca “praxe” entre nós… vindo eu duma terra onde isso nem existe, fora de Portugal, portanto nem se colocam questões sobre isso. Vejo muitos praxados e não praxados a trocarem de amizades durante todo o seu curso, inúmeras vezes ouço fofoquices, desabafos… sinto-me, portanto, abençoada por me sentir confortável com a escolha que fiz em não me envolver na praxe e em não dar importância sequer a isso. Bem, apenas partilhei a minha experiência.

    P.S.: Não fiz a minha escolha exclusivamente por ser evangélica, até pq sou “eclética”, tenho uma inclinação pra evangélica e outros princípios que me regem, e como já disse vim duma realidade onde a praxe académica nem existe, apenas pesquisei no google pra saber o que é que outros evangélicos dizem da praxe e encontrei esta página. E, claro, se eu fosse “anti-praxe” isso daria importância à praxe na minha vida…

  15. Mia

    Resumidamente, só tem ênfase na minha vida aquilo a que eu der ênfase… (digamos que nem sequer me declarei uma vez anti-praxe perante ninguém na vida).

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