Daily Archives: 2007/05/28

O “Pico Petrolífero”, as suas consequências na Agricultura e a Solução para este dilema

Recentemente, recebi o último número da Newsletter da E. F. Shumacher Society, de que sou ainda o único membro português e nela um interessante artigo sobre uma conferência proferida por um dos seus membros, Richard Heinberg sobre o muito agudo tema do “Pico Petrolífero” e sobre as suas consequências para a agricultura e para a produção mundial de alimentos… Um tema que tenho abordado de forma recorrente nos meus debates com o Ultramar, acérrimo defensor do Etanol como alternativa aos combustíveis fósseis… Eis alguns segmentos deste texto, com comentários meus intercalados:

“À medida que o mundo atravessa o pico da produção petrolífera seremos novamente sujeitos ao princípio energético: custa energia tirar energia ao ambiente, e estes custos devem ser subtraídos aos rendimentos brutos” Richard Heinberg, na sua leitura na conferência de 2006 na E. F. Schumachr Society, disse “nós temos vivido de energia virtualmente gratuita nos últimos duzentos anos.” E convidou-nos a “imaginar empurrar o nosso carro durante vinte ou trinta milhas, a distância que um carro pode viajar com apenas um galão de gasolina. Esta é a energia equivalente a cerca de seis a oito semanas de duro trabalho humano.” O que a energia fóssil abundante facilitou foi a mecanização de todos os processos imagináveis, incluindo a agricultura.”

Esta consequência da previsível alta dos preços do barril de petróleo aos 200 dólares num futuro próximo não tem recebido a atenção devida… A esmagadora maioria dos alimentos que consumimos são produzidos pela agroindústria, a qual precisa de uma mecanização abundante e generalizada para recolher os níveis de rendimento a que estamos habituados… Se os custos com combustível dispararem para os valores que muitos especialistas temem, isso vai fazer disparar os preços dos bens agrícolas e levar a uma onda generalizada dos pequenos e médios agricultores, incapazes de lidarem com as dificuldades do período de transição e sem o capital necessário para sobreviver a esta. Assim, é inevitável o regresso aos campos, invertendo o êxodo rural, tornando-o em êxodo citadino e repovoando os mesmos campos que este governo se tem esforçado por esvaziar o mais possível, cumprindo obedientemente os ditames de Bruxelas…

“Será possível que a solução resida na desindustrialização deliberada da produção, mas feita de uma forma tão inteligente, usando a informação recolhida da Ciência da Ecologia, assim como dos métodos tradicionais de agricultura?” Ele acredita que sim, que tal é possível, e que de facto é imperativo que se siga uma tal abordagem.Partindo de um período específico da história cubana como referência, Heinberg estima que para manter a produção alimentar actual seria necessários somar 15 milhões de agricultores aos actuais 4 milhões. Contudo, um regresso à terra iria requerer mais do agricultores com boas intenções… Heinger acredita que estes agricultores teriam que ser ajudados por um acesso financeiramente viável à terra, treinamento universitário em métodos agricolas de pequena escala, ajuda financeira directa na fase de arranque e por empréstimos de Longo Prazo.”

A desindustrialização da agricultura retiraria de cena aquelas que têm sido as maiores causas da sucessão de problemas de Saúde que têm assolado na Humanidade e que no Futuro serão ainda mais graves… A “Gripe das Aves” só existe porque existem criação industriais de aves, e o mesmo se pode dizer da BSE, das pragas em regimes de Plantações onde não existe biodiversidade, das hormonas em carne de criação industrial, etc, etc, etc… Todos estes exemplos são casos de revolta da Natureza perante um Homem que lhe exige cada vez mais violentando a sua essência natural…

“Não é simples, e vai requerer um esforço nacional coordenado e sustentado. Mas para além de erradicar a Fome esta estratégia também nos vai permitir resolver uma série de problemas sociais e ambientais”. Diz-nos Heinberg que “se fizermos isto bem, isto significará a revitalização não só da Democracia, mas da Família e de uma Cultura autêntica, baseada no lugar.”

Mas a transição de uma agroindustria para uma agricultura de rosto humano e amiga do ambiente poderia ter um custo de curto prazo considerável… A redução da produção, a alta dos preços e fome e morte generalizadas… Mas permitir absorver as legiões de desempregados que o Ocidente hoje fabrica, repovoar o Interior de todos os países desenvolvidos, rehumanizar as cidades, tornadas hoje verdadeiros infernos de formigas desesperadas e stressadas por um ambiente humano demasiado denso e desenvolver as economias locais e regionais, estranguladas por Economias globais e nacionais crescentemente desumanas e cada vez mais criadoras de desigualdades sociais e económicas.

“Na sua conferência Richard Heinberg delineou claramente as razões para o regresso a um sistema agrícola desenhado especificamente para fornecer comida à sua própria região. Como um perito no futuro do petróleo e em gás natural ele está bem posicionado para nos dizer que precisamos de começar a fazer algumas mudanças. A produção de comida é a nossa principal preocupação não somente porque está fortemente dependente de combustíveis fósseis, mas também porque a continuação desta produção é vital para a nossa sobrevivência.”

Como sempre, e é este um dos princípios fundamentais do pensamento do economista E. F. Schumacher, a raíz desta nova Revolução Agrícola estaria nas Economias regionais… A autonomia e a autosuficiência seriam aqui factores-chave de sucesso, não desprezando a produção de excedentes exportáveis, mas concentrando os esforços na criação de uma rede de produções que satisfazessem as necessidades locais e dispensando assim os onerosos e consumidores de combustíveis meios pesados de transporte.

“Heinberg gostaria que “aceitássemos o desafio actual – a iminente grande transição energética – como uma oportunidade para reimaginar a cultura humana a partir do solo, usando a nossa inteligência e a nossa paixão para o Bem das próximas gerações e para a integridade da natureza como os nossos principais guias.”

Outra consequência positiva deste “regresso aos campos” estaria na redução dos problemas sociais e psicológicos que assolam hoje a juventude e que estão na directa razão da explosão da pequena criminalidade e dos números de consumidores de todos os tipos de drogas: a desadequação e a perda de perspectivas de futuro nos meios urbanos e o afastamento radical das sociedades em relação ao Campo e aquilo que representa o esforço do Trabalho e da Produção agrícolas… Recentrar uma Economia na Produção e não nos “Serviços” significaria devolver a esta a dignidade da autosuficiência e os níveis de Emprego e realização pessoal que esta Globalização desumana e economicista lhe tem negado a ritmos cada vez mais intensos.

Este texto pode ser encontrado na sua forma integral em:
http://www.smallisbeautiful.org/publications.html

Anúncios
Categories: Agricultura, Economia, Movimento Internacional Lusófono, Portugal | 10 comentários

Quid S8-34: Que artefacto é este?

s4.jpg

Dificuldade: 5

Categories: Quids S8, sQuids S2 | 7 comentários

A chamada “Lei do Ruído”… Para quem precisar!

Dec. Lei 292/2000, de 14 de Novembro, art.º 10.º do Código Civil 22:00 e as 7:00. (período nocturno-45 dB) – 7:00 e as 22:00. (período diurno-55 dB).
Coima até 500 € conforme o referido D.L.

Artigo 9.º
Actividades ruidosas temporárias

1 – O exercício de actividades ruidosas de carácter temporário nas proximidades de edifícios de habitação, de escolas, de hospitais ou similares é interdito durante o período nocturno, entre as 18 e as 7 horas e aos sábados, domingos e feriados, sem prejuízo do disposto no número seguinte.
2 – O exercício das actividades referidas no número anterior pode ser autorizado durante o período nocturno e aos sábados, domingos e feriados, mediante licença especial de ruído a conceder, em casos devidamente justificados, pela câmara municipal ou pelo governador civil, quando este for a entidade competente para licenciar a actividade.
3 – A realização de espectáculos de diversão, feiras, mercados ou manifestações desportivas, incluindo os que envolvam a circulação de veículos com motor, na proximidade de edifícios de habitação, escolas, hospitais ou similares é interdita em qualquer dia ou hora, salvo se autorizada por meio de licença especial de ruído.
4 – A licença referida nos n.os 2 e 3 é concedida, em casos devidamente justificados, pela câmara municipal ou pelo governador civil, quando este for a entidade competente para o licenciamento, e deve mencionar, obrigatoriamente, o seguinte:
a) A localização exacta ou o percurso definido para o exercício da actividade autorizada;
b) A data do início e a data do termo da licença;
c) O horário autorizado;
d) A indicação das medidas de prevenção e de redução do ruído provocado pela actividade;
e) Outras medidas adequadas.
5 – As licenças previstas neste artigo só podem ser concedidas por período superior a 30 dias desde que o titular da licença respeite os limites fixados no n.º 3 do artigo 4.º e no n.º 3 do artigo 8.º, sob pena de caducidade, a ser declarada pelo respectivo emitente.
6 – No caso de obras de infra-estruturas de transportes cuja realização corresponda à satisfação de necessidades de reconhecido interesse público, pode, por despacho fundamentado do Ministro do Equipamento Social, ser dispensada a exigência do cumprimento dos limites referidos no número anterior por prazo não superior ao período de duração da correspondente licença especial de ruído.
7 – Para os efeitos do número anterior, o requerente das licenças previstas neste artigo deve juntar documento comprovativo de que a obra submetida a licença especial de ruído se encontra abrangida pelo despacho mencionado nesse número.
8 – As obras de recuperação, remodelação ou conservação realizadas no interior de habitações, de escritórios ou de estabelecimentos comerciais apenas podem estar na origem da produção de ruído em dias úteis e durante o período diurno, entre as 8 e as 18 horas.
9 – Exceptuam-se do disposto no número anterior os trabalhos urgentes executados com vista a evitar ou a minorar perigos ou danos relativos a pessoas e bens.
10 – O responsável pela execução das obras previstas no n.º 8 deve afixar, em local acessível aos utilizadores do edifício, a duração prevista das obras, bem como o período horário em que ocorra a maior intensidade de ruído.
11 – Sem prejuízo do procedimento contra-ordenacional aplicável, pode ser determinada a suspensão do exercício de actividades ruidosas temporárias que se encontre em violação do disposto neste artigo.
12 – A suspensão prevista no número anterior é determinada por decisão do presidente da câmara ou do governador civil respectivamente competente para o licenciamento ou autorização, depois de lavrado auto da ocorrência pela autoridade policial, oficiosamente ou a pedido de qualquer interessado ou reclamante.

Categories: Portugal, Sociedade Portuguesa | 263 comentários

Eis um enterro muito original…

Conforme noticiei aqui, por ESTAS bandas, existe agora uma empresa especializada em colocar no… Espaço as nossas cinzas.

Trata-se da “Memorial Spaceflights” que oferece um serviço de colocação em órbita terrestre, na superfície lunar e até, no Espaço Profundo, das cinzas daqueles que contratarem o serviço funerário da empresa. Bem… Não exactamente, das cinzas, ou melhor, de todas as cinzas, mas apenas de uma parte simbólica das mesmas…

Para ser mais específico, é possível enviar para o Espaço e de volta para a Terra uma grama das nossas cinzas por 495 dólares ou 7 gramas por 995, a opção mais barata… Ou então, sonhando mais alto, até à Lua por 12,500 dólares numa única grama, um serviço que já foi inaugurado em 1999 quando a pedido da NASA, a Celestis colocou uma grama das cinzas do Dr. Eugene Shoemaker na sonda “Lunar Prospector“.

Em 2009, a Celeris deverá recorrer a outra missão (não especificada) para colocar mais cinzas na Lua e as vendas estão em aberto… Também em 2009, a Celeris vai disponibilizar o seu serviço “topo de gama” que vai enviar para o Espaço Profundo uma grama de cinzas pelo mesmo valor recorrendo a um veículo espacial com uma vela solar que está a ser desenvolvido pela “Space Services, Inc

Categories: SpaceNewsPt | 2 comentários

Site no WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade