O regresso da Fusão Fria


Como saberão aqueles que há mais tempo cibervagueiam aqui por esta pequena fracção do Bloguistão que é o “Quintus”, um dos meus temas favoritos é a Fusão Fria… Provavelmente, um resto da minha costela de alquimista frustado… Adiante.

Foi este interesse que me despertou a atenção para uma notícia do Daily Tech. A “Fusão Fria” pressupõe a possibilidade de realizar energia nuclear a temperaturas próximas da temperatura ambiente e é – potencialmente – uma solução para os problemas energéticos que assolam a Humanidade, prometendo energia barata quase sem impactos ambientais. Longamente questionada pelo mundo académico, depois que um acolhimento inicial muito caloroso, a Fusão Fria caiu em descrédito e aqueles que ainda hoje um pouco por todo o mundo persistem nesta senda têm sido rotulados de “cientistas loucos”.


(Célula de Fusão Fria no “US Navy Space and Naval Warfare Systems Center San Diego” em 2005)

Mas surge agora um documento académico (ver AQUI), produzido pelo SPAWAR (“Navy’s Space and Naval Warfare Systems Center”) dos EUA, o artigo declara que dois cientistas do SPAWAR de nome Stanislaw Szpak e Pamela Mosier-Boss conseguiram obter uma reacção nuclear (“low energy nuclear reaction (LENR)“) que foi replicada e repetida em ambiente de laboratório… Precisamente a grande dificuldade das primeiras experiências de Pons e Fleischmann em 1989 e que arruinou a sua credibilidade e a de todos os que trabalhavam na LENR!…

A experiência do SPAWAR recorreu ao uso de um cabo muito fino de paládio e deutério, submetidos a um campo electromagnético e parece ser completamente reproduzível noutros labortórios, em idênticas circunstâncias, um requisito fundamental da chamada “Boa Ciência” e que destruiu a reputação do Pons e Fleischmann em 1989, assim como a daqueles que persistiram neste rumo e da própria “Fusão Fria”, tida a partir de então como o “Mito Urbano” por excelência da Física Nuclear dos séculos XX e XXI. Agora, com a reproducibilidade assegurada, todo este promissor campo de investigação fica reaberto assim como se possibilita um novo leque inteiramente radical de soluções para os problemas energéticos do globo… E não é de todo impossível antever para um futuro próximo reactores portáteis e não-radioactivos de Fusão Fria alimentando os motores dos nossos automóveis, de relógios, das nossas casas e empresas, enfim, um sem-número de aplicações energéticas onde o consumo principal será… água e o produto resultante… vapor de água!

Estejamos atentos a novos desenvolvimentos nesta área…

Fonte: DailyTech

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Categories: Ciência e Tecnologia, CodeFarmPt, Defesa Nacional, Ecologia | 9 comentários

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9 thoughts on “O regresso da Fusão Fria

  1. Não fazia a menor ideia de que fosses um alquimista frustrado…as coisas que não sei!!! 🙂
    Mas sei que gosto de vir aqui e ler os teus textos sempre tão bem tratados e enriquecedores. 🙂
    Beijo

  2. Odysseus

    Um Homem com o teu saber nunca pode ser um frustado 🙂

    O problema nestas novas soluções energéticas mais limpas e baratas, são que, não interessam aos grupos que controlam as energias e os combustíveis que usamos. Mas lembro-me dessa notícia abrir noticiários á uns anos atrás.

  3. Ultramar

    Eu já sinto, faz tempo, por intuição, por pressentimento, sei lá, que ainda teremos no mundo uma fonte barata e inesgotável de energia… Já imagino há tempo que a fusão nuclear será uma realidade, não sei quando. Mas creio que, até lá, ainda passaremos pelo uso dos biocombustíveis e outras alternativas energéticas — energia solar, eólica, e… até hidrogênio!

    É claro que tudo tem seu tempo e chegará ,um dia, o tempo em que tudo será mais fácil: obter energia, energia não poluente, produzir alimentos, transformar água salgada em água doce, boa para beber… Enfim, é lógico que, se não destruirmos o mundo antes, o futuro será maravilhoso. Alguns séculos no futuro a Humanidade estará vivendo de forma que para nós, hoje, seria inacreditável!

    Mas se a fusão fria puder nos trazer um pouquinho desse mundo maravilhoso mais cedo… ainda podemos estar vivos para ver! 🙂

  4. Odysseus:
    > alquimista frustado, em todo o caso… e se fosse mesmo um “homem de Saber”… Teria conseguido uma transmutação!

    “O problema nestas novas soluções energéticas mais limpas e baratas, são que, não interessam aos grupos que controlam as energias e os combustíveis que usamos. Mas lembro-me dessa notícia abrir noticiários á uns anos atrás.”
    > E quem não se lembra? Foi notícia de abertura em todos os telejornais e mereceu durante semanas temas de capa nos jornais… E depois foi o fenómeno oposto, quando se confirmou que era impossível reproduzir a experiência original, com um grande empurrão do poderoso lobby internacional das gasoleneiras… Talvez agora, o processo da “Fusão Fria” recupera a devida credivbilidade para voltar às agendas dos investigadores e se finalmente o salto para nos livrarmos dessa doença universal que é a dependência do petróleo…

    Ultramar:

    “Eu já sinto, faz tempo, por intuição, por pressentimento, sei lá, que ainda teremos no mundo uma fonte barata e inesgotável de energia… Já imagino há tempo que a fusão nuclear será uma realidade, não sei quando. Mas creio que, até lá, ainda passaremos pelo uso dos biocombustíveis e outras alternativas energéticas — energia solar, eólica, e… até hidrogênio!”
    > O hidrogénio é a grande promessa a médio prazo… Actualmente a tecnologia só o consegue fabricar a custos mais altos do que o equivalente em petróleo, mas isso está a mudar muito rapidamente… O Etanol pode ter problemas… Por um lado, nem todos os países têm o vosso clima e a cana do açúcar, por outro lado, existem estudos que dizem que o Etanol é pelo menos tão mau para a Saúde como a Gasolina… sem contar com a área agrícola que os biocombustíveis ocupa e o aumento do preço dos produtos que levam (açúcar ou milho, consoante os casos). Não, admito que não sou grande entusiasta dos biocombustíveis…

    “É claro que tudo tem seu tempo e chegará ,um dia, o tempo em que tudo será mais fácil: obter energia, energia não poluente, produzir alimentos,”
    > Espero é que chegue um tempo em que possamos consumir muito menos energia e de forma mais racional! Não devia importar consumir mais, mas melhor e com mais rendimento e mais satisfação… Mas isso seria uma viragem de paradigma económico e os homens e as economiais não estão anda preparados para esse salto…

  5. Ultramar

    Sinceramente, Rui, eu creio que ainda irás se surpreender com os biocombustíveis… Quanto ao etanol, dizem que estamos perto de obter etanol da celulose, com resultados muito melhores do que os de hoje! Veja um exemplo em: http://www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=3169&bd=1&pg=1&lg=

    E quanto ao biodiesel, ele pode ser extraido de diferentes fontes vegetais e… animais! Além de ser biodegradável e, ao que parece, não poluente! E não vai ocupar muitas terras não!

    E veja a notícia sobre a união da GALP portuguesa e da PETROBRÁS para produção de biodiesel em :
    http://www.estadao.com.br/agronegocios/noticias/2007/mai/18/220.htm

    Você não é um grande entusiasta dos biocombustíveis, Rui, mas parece que o governo português é… 🙂

  6. Ultramar

    Rui, perdoe-me o comentário acima repetido três vezes, mas eu não estava recebendo confirmação do envio, eu não os estava vendo junto aos outros comentários…

  7. h.l.b_06@hotmail.com

    Acredito que ajam novas formas de se produzir energia…e ao mesmo tempo acredito que esses interesses de energia barata e inesgotavél …(Cético talvez)
    Usa de forma irregular, já que os interesses são inesgotavéis pra se produzir esse tipo de energia não cause impacto ilimitados, unindo aos que já existem, talvez afetar uma sociedade que anda unida a ignorância e ao pretesto de que se isso afeta o meu bolso eu provavelmente não apoie.
    Mais se isso afeta os seus ideais e suas pretenções futuras preocupando e frustrando sua vida mais a frente, tenho certeza que apoiaria.
    Afinal quem não quer ver o mundo evoluir…
    Carregar no bolso um unico aparelho projetado para se abastecer de energia solar, de forma a não destruir sua camada de ozonio pelo seu uso indevido.(Exemplo patetico), mais a inteção é o que vale.

  8. Wladimir Guglinski

    Março 1989 – Março 2009
    FELIZ 20º ANIVERSÁRIO, FUSÃO FRIA
    (uma disputa entre quimicos e físicos)

    Depois de 20 anos do anúncio da fusão fria em 1989 por Fleischman & Poins, ela está de vota de novo, recebendo novo ímpeto na reunião nacional da American Chemical Society’s, semana passada nos EUA.

    “Nossa descoberta é muito significante”, diz a coautora do estudo e química analítica Pámela Mosier-Boss, Ph.D., do
    U.S. Navy’s Space e do Naval Warfare Systems Center (SPAWAR) em San Diego, Califórnia.
    Pamela reforça a importância das experiências, dizendo: “Que saibamos, este é o primeiro relatório científico da produçao de neutrons altamente energéticos através de aparelho de LENR” (Reações Nucleares a Baixa Energia).
    http://74.125.113.132/search?q=cache:NV8jOPcCWVIJ:www.scienceblog.com/cms/us-navy-scientists-claim-cold-fusion-breakthrough-19762.html+cold+fusion+US+NAVY&cd=4&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

    Teoricamente a fusão fria é impossível segundo os principios da Mecanica Quantica, razão pela qual os físicos se recusam a aceitar a ocorrência do fenômeno.
    O químico nuclear Mitch Andre Garcia mostrou com cálculos bem fáceis que a a ocorrência da fusão fria é teoricamente impossivel, pelas leis da Mecânica Quântica, em um Blog de Química onde ele é o administrador.

    Entretanto a fusão fria é teoricamente impossivel porque a Mecânica Quântica não considera o zitterbewegung como trajetória helicoidal do eletron (o zitterbewegung aparece na equação do eletron de Dirac, mas os fisicos quanticos não intepretam o zbw como trajetoria helicoidal).

    Interpretando o zitterbewegung por um novo ponto de vista, considerando-o como uma trajetória helicoidal do eletron, a fusão fria torna-se teoricamente possível, como Guglinski mostrou para Mitch Andre Garcia, ao longo da discussão no tópico “THE DIFFERENCE BETWEEN COLD FUSION AND COLD FUSION”, que pode ser visto no link:
    http://www.chemicalforums.com/index.php?topic=17140.0

    Veja réplica de Guglinski em « Reply #8 on: September 24, 2007 ».

    Assim os quimicos estão tomando conhecimento de que a fusao fria é teoricamente possível graças à adoção da nova interpretação para o zitterbewegung, e eles estão fazendo experiencias de fusao fria, porque parece que eles não confiam no ponto de vista dos físicos.

    Claramente há uma disputa “QUÍMICOS vs FÍSICOS”, e parece que a controvérsia sobre fusão fria será finalmente resolvida, mas não pelos físicos.

    O novo duelo químicos vs físicos tem origem ideológica. Os físicos mantêm sua lealdade à Mecânica Quântica, porque eles não aceitam mudar sua interpretação sobre o zitterbewegung, visto que tal mudança requer uma profunda modificação nos fundamentos da Física Moderna (o zbw não pode ser considerado como uma trajetória helicoidal na Teoria Quântica de Campos, que é a sucessora da Mecânica Quântica).

    Ao contrário, os químicos conservam sua lealdade ao método científico, segundo o qual qualquer experimento não pode ser negligenciado apenas porque ele está em desacordo com uma teoria, como acontece agora nesse duelo entre a Mecânica Quântica e a fusão fria.

    Esta nova participação dos químicos é saudável para o desenvolvimento da ciencia. Porque como os fisicos tem alguns dogmas que eles consideram intransponíveis (como por exemplo a interpretação deles para o zitterbewegung na Teoria Quântica de Campos), o desenvolvimento da fusao fria requer cientistas livres de dogmas da Física, como os quimicos.

    Em resumo, temos que considerar a seguinte situação:

    1- como a fusão fria é impossível considerando a interpretação de zitterbewegung da Teoria Quântica de Campos…

    2- … mas como as experiencias provam que a fusao fria realmente ocorre, como confirmado agora pelas experiencias feitas na Marinha dos EUA…

    3- … então é preciso mudar a interpretação sobre o zitterbewegung (uma nova alternativa que os químicos provavelmente tomarão em consideração a partir de agora)…

    4- … ao invés de negligenciar as experiencias de fusao fria (como os físicos insistem em fazer).

  9. Marcus Vinicius de Oliveira

    A fusão fria com certeza não chegará a nosso alcance como vc diz, já que existe economias que vivem do petroleo, e pagam mucho por ele, industria etc… se chega alguém e disse, pronto, agora temos uma energia barata, gratis, e não poluente, vamos mudar tudo, com certeza, será assassinado, e o projeto engavetado, algo similar ocorre com a cura de doenças, avances tecnologicos de todo o tipo, hoje, usamos tv de plasma, que a tecnologia para fazê-la já existe faz quase 35 anos…

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