Daily Archives: 2007/05/02

Resposta a comentário de João Paulo em “O Brasil, Portugal e o Futuro”

Artigo original:

“A propósito desta notícia, surgem-me as seguintes palavras:

O Brasil de hoje é um país em Expansão e que vai dando cada vez mais cartas em todas as áreas, mas principalmente na Economia e na Globalização onde tem todos os requisitos para ser um “ganhador”.

E este Brasil de hoje é o prolongamento directo de um verdadeiro Portugal que por cá, no Continente, definhou e vegeta rodeados e mandado pelos mesmos holandeses que… brasileiros, índios, negros e portugueses expulsaram do Brasil nos idos de Setecentos…

Por isso é que acredito que o Brasil é o Portugal do Futuro (ou que Portugal é o Brasil do Passado) e que aos dois não resta mais do que… Unirem-se, ou melhor dizendo e melhor escrevendo: ReUnirem-se como sonhava Agostinho da Silva…”

Comentário do nosso leitor João Paulo e resposta ao mesmo, ponto por ponto:

“Sou brasileiro, moro no Brasil e enxergo a história como “mal-contada” nas nossas escolas.”

Infelizmente, por História, temos aqui, por aí e por todo o lado e Época, não a expressão verdadeira daquilo que se passou, mas a perspectiva do vencedor, da ideologia dominante e – tantas vezes – algo que é mais fruto de propaganda (actual ou antiga) do que da verdadeira essência das coisas que devia servir de fundamento basilar para o exercício da História… A História de Portugal e do Brasil, ocupa no nosso luso ensino uma parcela insignificante da sua verdadeira relevância, apenas atenuada no ensino superior, mas aí, merecendo apenas um semestre, e raramente uma cadeira de “História do Brasil”, o que é estranho e resulta de um acumular de complexos que não consigo alcançar ainda na sua totalidade…

“E também NÃO sou contra Portugal e nem contra o povo português, mas sou contra sim os excessos cometidos pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras português contra cidadãos brasileiros, embora eu esteja de acordo que Portugal não é obrigado a receber imigrantes ILEGAIS e que imigração ilegal não é correto. Agora, maltratar pessoas apenas por serem ‘brazucas’, é mais triste ainda do que o ridículo, patético hábito brasileiro de contar anedotas ofendendo portugueses.”

Estes excessos existem, sem dúvida… Infelizmente nem todos aqueles que são recrutados para o SEF têm o perfil psicológico que deviam ter e isto é tanto mais imperdoável quanto Portugal é ele próprio, um país de onde também provêm grandes fluxos migratórios, atenuados nos últimos anos com a recepção de vagas migratórias de Leste (Ucrânia, Moldávia e Roménia, sobretudo) e do Brasil e demais países de língua portuguesa… Mas apesar destes fluxos, em 2005, Portugal viu sairem para o estrangeiro mais portugueses do que entrar novos emigrantes! Isto é, no balanço final, tornámo-nos novamente um país de origem de fluxos migratórios, como na década de setenta… Aliás, as chamadas “remessas dos emigrantes” portugueses no estrangeiro são ainda muito significativas para a nossa sobrevivência enquanto país: “O dinheiro enviado para Portugal pelos nossos compatriotas que residem no estrangeiro totalizou 1815,123 mil milhões de euros nos três primeiros trimestres de 2006.” (in Correio da Manhã).

Dito isto, a atitude arrogante de alguns elementos do SEF é ainda mais chocante e apenas desculpável pela crónica escassez de meios e pela tremenda pressão psicológica que resulta da primeira a que estes elementos das nossas forças da autoridade estão infelizmente sujeitos…

“1º- O Brasil está a 184 anos em setembro serão 185 anos, que o Brasil estará independente de Portugal. Teve tempo mais que o suficiente para se empenhar em se tornar um país desenvolvido.”

É verdade… Esta distância temporal anula os argumentos daqueles que ainda acusam Portugal pelo estado de subdesenvolvimento da economia brasileira… Isto é, se algo se pode apontar ao Portugal de Setecentos e Oitocentos pela exploração das riquezas brasileiras, pouco se poderá dizer daquele Portugal de hoje… E aliás, prova bastante disto mesmo está o continuado e seguro caminho de crescimento e desenvolvimento humano que o Brasil vem trilhando nestes últimos dez anos… Talvez só agora, com o reencontrar de uma via de desenvolvimento humano e económico autónoma, se possam quebrar os complexos históricos que têm impedido o estabelecimento de uma maior aproximação entre Portugal e o Brasil.

“2º- Dizer que Portugal “roubou” ou “furtou” ouro do Brasil é tão ilógico quanto dizer que nordestinos e gente de outras regiões “roubou” ouro do povo do estado do Pará. Porque no século XVIII, para efeitos políticos e jurídicos, o Brasil era Portugal. Era uma parcela localizada fora da Europa, mas era parte do mesmo Estado, do mesmo Poder Público. E a coroa* portuguesa na época (e não o povo português) cobrava 1/5 do ouro extraído, por lei 4/5 tinha que circular exclusivamente dentro do território brasileiro, mas os colonos no Brasil contrabandeavam ouro para a Inglaterra em troca de seus produtos industriais, para não pagar tributos à Coroa Portuguesa.”

Sendo que o faziam por todo o lado… Desde as feitorias e colónias africanas até Goa, onde esse fenómeno do “comércio clandestino” era particularmente vigoroso e disseminado desde longa data… Portugal e o seu Estado sempre uma perigosa e asfixiante tendência autofágica para devorar a sua Economia e a prosperidade das suas gentes com uma carga fiscal pesada e rígida, e concebida para alimentar uma estrutura pesada e gastos sumptuários que caracterizaram sempre aqueles que exercem a autoridade do Estado em nome do Povo, desde Dom João VI a Jorge Sampaio (o Chefe de Estado que mais viajou na História de Portugal)…

“3º- Ficar procurando culpados para os nossos problemas nacionais não vai mudar a nossa situação de país de 3º-mundo. O que temos que fazer é deixar o passado nos livros de história e museus, olhar para o presente e para o futuro, e tomar uma atitude a partir do agora.

O mesmo se passa por aqui, quanto ao dito “complexo salazarento” que ainda corrói muito da nossa sociedade… Sem dúvida que os maiores travões ao nosso (português) desenvolvimento estão na repressão daqueles que são mais dinâmicos e criativos, forçando-os frequentemente a sairem para o Exterior, e esta repressão assenta raízes na Inquisição e da perseguição (e Queima…) de todos aqueles que apresentavam ideias originais ou revolucionárias (como o luso-brasileiro António Vieira ou como outro luso-brasileiro, o espantoso inventor da “barcarola” que foi Bartolomeu de Gusmão), e este complexo, repressor da criatividade e da dinâmica de pensamento foi reforçado durante a longa noite salazarente de 50 anos pela PIDE e por um Estado ultra-católico e paternalista violento que era o do dito “Estado Novo”.

“Deixemos os portugueses em paz e cuidemos de consertar o Brasil. Não há uma só alma portuguesa que viveu na época em que o Brasil era colônia portuguesa que esteja viva ainda hoje, e todos os lusos que hoje vivem nasceram muito, muito depois da independência do Brasil, portanto, é fútil e tolo acusar os portugueses pelos males do Brasil, e julgar* a situação sócio-ecônomica de Portugal (País “pobre” da Europa), como se o Brasil fosse algum Canadá da vida.”

Exacto. Nem O Brasil deve ser no futuro um novo destino migratório para os portugueses na América (como o foi até à década de 1960), nem Portugal deve ser um destino migratório os brasileiros na Europa… Acredito que devam sempre existir fluxos migratórios, já que estes são naturais e uma forma dinâmica que têm as sociedades para se auto-regularem, mas se excessivos podem descambar e produzir grandes perturbações, como aquelas que resultaram na queda da mais espantosa e perfeita estrutura administrativa jamais concebida pelo Homem, que foi o Império Romano dos Antoninos, corróido longamente pela lenta mas continuada infiltração das tribos bárbaras germânicas que em 475 d.C. haveriam de levar ao seu colapso… Acredito que os povos devem encontrar o seu futuro nos seus locais de origem, em economias locais e regionais prósperas e autónomas, geradoras de Emprego e Riqueza, no cumprimento dos princípios das “Economias Regionais” de E. F. Schumacher.

“Eu acredito que a partir de 2040, o Brasil será um dos cinco países mais ricos do mundo, se e somente se, o ensino escolar aqui for profundamente reformado, mudar totalmente. Não adianta ter PIB gigante se a renda per capta e o IDH são baixos.”

Tudo caminha efectivamente nessa direcção… Enquanto que a China e a Índia se posicionam no domínio industrial e comercial… E a Rússia se revela como grande gigante energético que sempre foi, o Brasil assume-se cada vez como a grande potencia agrícola dos anos vindouros… Ou seja, como a fonte de riqueza mais importante do mundo, já que a China é crónicamente deficiente em termos de alimentos e que o mesmo se passa em relação aos outros elementos do chamado “Clube BRIC”, com excepção talvez da Índia que é quase autosuficiente em termos alimentares.

Não tenho grande fé nesses indicadores macro-económicos com que os economistas e alguns neoliberais nos gostam de confrontar… Os números, e sobretudo os macro-números são alvo de várias manipulações a jusante e a montante… Para fazer descer os números de Desemprego, basta alterar as regras de jogo ou a fórmula de cálculo, e o PIB ou o Per Capita nada dizem da distribuição da riqueza, do desenvolvimento humano ou a da verdadeira prosperidade de uma Sociedade… Especialmente num contexto como o actual de engrandecimento da legião de Desempregados (quase meio milhão em Portugal) e da perda acentuada do peso dos Salários na riqueza gerada todos os anos (que é desviada em factores crescentes para os sectores financeiros e especulativos).

“Não adianta investir muito em universidades se o ensino básico e médio é medíocre e risível. A população tem que ser alfabetizada funcionalmente. E a mentalidade da maioria (85%) tem que mudar muito, mas muito mesmo. O nosso povo precisa aprender a respeitar princípios e a ter auto-estima também.”

A Educação é chave para o Desenvolvimento. No Brasil, em Portugal e em todo o lado… Os países mais desenvolvidos do mundo são (diz-se) os da Escandinávia… E se aqui os índices de produtividade são os mais altos isso sucede porque é também aqui que se encontram os índices de formação pessoal mais elevados do mundo… E se a Índia está agora em rumo ascendente, isso deve-se em grande medida às vagas sucessivas de excelentes engenheiros que forma em Bangalora, todos os anos… E que seria do domínio técnico e cultural dos EUA se este não tivesse a escudá-lo algumas das melhores universidades do Mundo (ver AQUI) e se estas não fossem usadas como arma fundamental numa “guerra de cérebros” que atrai para os EUA os melhores pensadores do planeta? (em 2005, das 11 melhores universidades do mundo, 9 eram dos EUA…)

“Pergunto aos favoráveis a união: – Como podia ser esta união ou reunião luso-brasileira? O Brasil voltaria a ser colônia? Portugal se tornaria um novo estado brasileiro?”

Obviamente, teríamos que perguntar aos principais interessados… Aos povos português e brasileiro, naturamente… Mas estando esgotado e obsoleto o modelo “colonial” (como bem provou a nefasta e inútil “Guerra Colonial“) resta o modelo da Federação, implementado de uma forma demasiado centralista no Brasil, mas correcto na sua essência… Na verdade, não me repugnaria ver Portugal aderir como mais uma República (múltipla, porque defendo a fragmentação do Estado Monolítico português numa “Federação de Municípios Autónomos”) na Federação Brasileira, mas alterando a designação legal e estabelecendo mecanismos de rotação de presidência segundo o modelo da União Europeia.

“Um bloco econômico segundo o modelo da União Européia e da NATO/OTAN?”

Estando a Economia no cerne da Política moderna, esta questão teria que ser definida logo nos primeiros passos de uma Reunião Luso-Brasileira… Não defendo o modelo das “Barreiras Alfandegárias Escancaradas” imposto aqui por Bruxelas, mas o estabelecimento de Economias Regionais, sem Barreiras Alfandegárias pesadas, mas criadas de forma a eliminar os riscos de Dumping Social e Laboral que hoje assolam o mundo globalizado e a Europa (através dos novos parceiros do Leste Europeu).

“Um bloco que incluísse Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor Leste?”

Não creio que existam actualmente em Angola e na Guiné Bissau condições para que existam por estas paragens bom acolhimento para estes projectos… É certo que o projecto de Reunião assenta no princípio de uma Reunião da Lusofonia em que a Língua Portuguesa (e não a Economia, nem a força das armas) sejam o centro unificador, e logo, a amplitude da Reunião terá que ser questionada… Em Cabo Verde e São Tomé existe uma corrente de opinião que defende o estabelecimente de laços estatais com Portugal… E em Timor, essa possibilidade está ainda nas mentes de muitos… Mas se houvesse hoje um Referendo, a votação nesta opção seria certamente muito marginal… Penso que os tempos ainda não estão maduros e que muita água tem ainda que correr debaixo da ponte… Mas sim, esse é de facto, o profundo e mais absoluto alvo estratégico do movimento reunificador, de facto.

Acrescento apenas a essa lista a saudosa Galiza, pátria da portugalidade, irmã de língua e de sentimento e “parte feminina” essencial de um Portugal demasiado masculino e onde existem movimentos reunificadores influentes e de algum significado.

“E como fica a crescente parcela da população lusa que não simpatiza com o Brasil e os brasileiros? Como lidar com questões de xenofobia (sentimento que eu sou contra) tanto em Portugal quanto no Brasil (aqui há muita xenofobia sim, infelizmente)? Teríamos que preparar a população durante décadas, através da educação escolar.”

Exacto… Aqui, como na questão económica, o aspecto educativo é fundamental… Seria nos bancos de Escola, com um Ensino livre e criativo, como aquele que Agostinho da Silva ensaiou no Brasil que se poderiam desfazer os nós da incompreensão e distanciamento cultural que se criaram entre nós e que – paradoxalmente – só as novelas da “Globo” começaram a diluir em Portugal na década de Oitenta e que só a emigração de muitos brasileiros para Portugal, na década de 90, vieram também reduzir…

“No aspecto econômico, a idéia é maravilhosa. Inclusive para tornar o Português língua universal. Mas não sei se as populações portuguesa e brasileira terão aceitação mútua, acredito que deve-se trabalhar com paciência a idéia para que os povos aceitem a idéia de união. Não quero apontar culpados aqui, Portugal tem a sua cultura, os seus costumes, hábitos e o Brasil tem os seus. Pode haver choque, conflitos de divergências culturais, o que não vai ser bom pra ninguém, como há com europeus nativos e imigrantes e seus descendentes. Na França especialmente, a situação está crítica. Esses detalhes devem ser levados em consideração.”

Economicamente, a simples união de Portugal como o Brasil, criaria uma potencia económica mundial digna de nota… O Brasil está em 83º lugar (8600 USDs) e Portugal em 53º (19100 USDs) e a junção do PIB dos dois países (diluído contudo pela grande massa populacional brasileira) faria o conjunto ocupar uma posição mais dominante no mundo… Sem contar os resultados holísticos que a junção das especificidades económicas portuguesas com as brasileiras dariam… (ver AQUI).

“Quando perguntei:- “Um bloco econômico segundo o modelo da União Européia e da NATO/OTAN?” – eu quis perguntar se haveria também um pacto no aspecto militar, uma aliança igual a NATO/OTAN, entre as nações lusófonas, ou entre Portugal e Brasil. Me expressei mal no texto acima.”

Portugal tem uma tradição de intervenção nos maiores conflitos mundiais que é longa e que nos tem colocado (geralmente…) do lado das boas causas… Foi o caso da Primeira Grande Guerra e da presença das nossas forças militares nos Balcãs, na Guiné-Bissau, no Afeganistão, em Timor Leste, etc… O Brasil tem estado estranhamente ausente destes cenários, salvo a recente e muito notável experiência do Haiti… Para que se pudesse estabelecer uma Aliança Militar Luso-Brasileira, o Brasil teria que assumir no mundo um lugar que é seu por direito, como com a conquista de um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU (uma exigência que seria reforçada se houvesse uma Reunião…) e com uma presença mais continuada e empenhada das forças militares brasileiras em Missões de Paz da ONU um pouco por todo o mundo…

“Quanto a conflitos, divergências por hábitos desagradáveis, um brasileiro que vai a Portugal e faz afirmações do tipo “no Brasil é melhor”, fazer vídeos no youtube depreciando Portugal, são evidências da falta de respeito a princípios por parte de brasileiros, o que NÃO significa que 100% da população daqui seja assim, ou esteja de acordo com isso.”

É verdade… Vi também esses videos… Filmados em Portugal, por emigrantes brasileiros e muito espalhados por cá… Mas a maioria dos portugueses sabem que se tratavam da opinião de individuos, imbecilizados pelo alcóol e outras drogas e logo, imerecedores da atenção que assim, de forma tão inglória, obtiveram…

“Tem gente sensata aqui sim. Eu acho, que até para países onde se fala o mesmo idioma do Brasil, o brasileiro deve conhecer a etiqueta de lá, ser previamente informado de que há costumes que não são bem vistos por lá, e se esforçar para evitá-los. Ou ficar por aqui mesmo. Ir a outro país é semelhante a ir a casa dos outros. É necessário demonstrar respeito, gratidão à hospitalidade. E deve respeitar os costumes de lá, não fazer críticas, não julgar. Não é porque eu desejo o melhor para o Brasil que vou deixar de reconhecer as coisas erradas que há no estereótipo do brasileiro. E o que vai reverter é a educação para cidadania. Brasil e Portugal têm muito mais a ganhar como amigos e parceiros do que como desafetos.”

Em todo o lado a sensatez e o Bom Senso dominam… Especialmente em povos de coração latino e mediterrânico como aqueles que são ainda hoje o substrato fundamental da mentalidade portuguesa e brasileira (esta última reforçada pela mentalidade de liberdade e autonomia do “índio brasileiro”).

Sabemos que existem alguns preconceitos no Brasil quanto aos brasileiros… Não é raro encontrar um comentador aqui no Quintus que exprime de forma violenta a sua opinião sobre a inferioridade dos portugueses (por norma, não os apago, desde que não mergulhem demasiado no insulto pessoal a mim ou a outros comentadores)… Mas existe uma razão de fundo para este preconceito… Ele vem do julgamento do tipo de emigração que Portugal enviou para o Brasil entre 1920 e 1960 e que eram fundamentalmente pessoas muito enpreendedoras e dinâmicas, mas profundamente incultas (académicamente falando) e provavelmente… Este esterótipo ganhou raízes e agora só o Tempo, a Educação e o Exemplo o farão desaparecer… Neste domínio o estabelecimento no Brasil de empresas portuguesas (com os seus quadros) tem mudado algo neste preconceito, julgo eu…

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Sobre o ataque de Phishing ao Banco Nordea

O banco norueguês Nordea – o maior banco deste país escandinavo – confirmou que pelo menos 250 dos seus clientes tinham sido alvo de ataques de Phishing. Por aqui, já abordámos casos idênticos ocorridos recentemente em Portugal, no Millennium e na CGD, também em 2006, como estes ataques, mas a diferença reside aqui noutro ponto…

Aparentemente, os ataques decorreram a partir de um Cavalo de Tróia, um programa instalado nos computadores dos clientes do homebanking do Nordea. O Cavalo de Tróia ficava activo nos pcs, mas dormente até detectar que o cliente acedia à página web do Nordea, activando-se e capturando os detalhes do Login do homebanking. Estes dados eram depois enviados para vários computadores nos EUA… O curioso é que o Cavalo de Tróia não fora criado por estes criminosos mas desenvolvido a partir de um “Kit” disponibilizado na Internet e aqui colocado à venda pelo seu criador, um reputado hacker russo de nome Korps que o disponibiliza a quem o compre e que assim não participa na burla directamente, nem lucra com ela, furtando-se a responsabilidades legais directas na Rússia…

Com esta “democratização” do Phishing, qualquer um pode adquirir um destes kits, personalizado de acordo com os seus interesses ou da forma mais adequada para os seus alvos e entrar no muito lucrativo mercado da burla cibernética… Tanto mais lucrativo quando se sabe que a maioria dos bancos atacados ocultam este ataques e não apresentam queixa nas polícias…

A Netcraft confirmou que teria havido em 2005 609 mil sites de Phishing activos e os ataques têm sido de uma sofisticação crescente… Estes 609 mil sites têm certamente paralelo com os 150 milhões de pcs zombie (controlados por cibercriminosos) que se estima haver no mundo… Isto é: o seu pc pode ser um deles, se não estiver devidamente protegido…

E estará mesmo?

Fonte: http://www.theregister.co.uk/2007/01/19/phishers_attack_nordea/

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Foi lançado o primeiro submarino nuclear russo da classe “935 Borei”, o “Yuri Dolgoruki”

Yuri Dolgoruki
(http://img.rian.ru)

O primeiro submarino nuclear russo construído nos últimos 17 anos, o “Yuri Dolgoruki” deixou o estaleiro de Severodvinsk.

Este submarino, considerado de “Quarta Geração” é o primeiro submarino estratégico da sua classe “935 Borei” e terá custado cerca de 1 bilião de dólares (ou devo dizer… 1 bilião de petrodólares?…) e deverá entrar em serviço activo durante o começo de 2008.

O submarino vai ser equipado com os novos mísseis “Bulava”, capazes de transportar cada um, 10 ogivas nucleares a uma distância superior a 8 mil Km.

Brevemente, o submarino vai ser acompanhado por dois outros idênticos, ainda em construção, com os nomes “Alexandr Nevski” e “Vladimir Monomaj”.

Estes novos submarinos vão permitir a manutenção de uma dissuasão estratégica submarina russa para as próximas décadas e gradualmente irão substituir os obsoletos e perigosos tipos actualmente em uso na Marinha da Federação Russa.

Fontes:

Pravda

http://www.terra.es/personal8/u-boat2/armada/dolgoruki.htm

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Quid S8-16: Que monte é este?

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Dificuldade: 5

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sQuid S2-43: Em que cidade foi tirada esta fotografia?

asasa.jpg

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Leitura Mítico-Simbólica das Ilhas Imaginárias do Atlântico

É possível estabelecer uma série de paralelismos entre as tradições simbólicas da Alta Idade Média e os nomes, objectos e tradições associados às ilhas imaginárias do Atlântico.

IDENTIFICAÇÃO COM TEMAS MACABROS

Desde a mitilogia egipcia que o oceano ocidental é associado com a morte. Com efeito, os antigos egipcios acreditavam que existia a ocidente uma terra onde os seus mortos levavam uma segunda vida. Esta tradição passou pela Antiguidade Clássica e parece ter influenciado profundamente o imaginário medievo.

Os símbolos associados à morte são muito abundantes por entre as ilhas atlânticas, sejam elas imaginárias ou não. O caso do arquipélago açoriano é a esse respeito bem demonstrativo disso mesmo. Geralmente, a associação estabelecida entre a ave de rapina e o arquipélago explica-se pela presença dessas aves no lugar, contudo, existe uma outra explicação, uma vez que o açor era uma ave associada na iconografia cristã da Idade Media à ideia de morte.

A ilha “Man Satanaxia”, “mão de Satanás”, numa das suas possíveis interpretações, pode, dentro desta leitura simbólica ser interpretada como uma “prova da intervenção do demónio no mundo”, uma vez que a mão é encarada como um símbolo da actividade e poder.

A “Li Conigi”, “ilha dos coelhos”, geralmente associada a uma das ilhas do arquipélago açoriano, encontra-se igualmente neste grupo de ilhas “infernais”. São várias as possíveis leituras simbólicas. Relacionado com a Lua, porque dorme de dia e está vigilante de noite, e também porque ambos são símbolos de fecundidade. Talvez pela relação entre fecundidade e sexualidade, a Biblia considera-o um animal impuro. Também a cabra, da “ilha dos cabras”, é outro símbolo de fecundidade e do demónio. A ilha “Luovo” (lobo) representa um outro símbolo demoníaco, já desde a época da mitologia germânica. A simbologia cristã herda esta tradição negativa, integrando este animal no par cordeiro-lobo, em que o cordeiro simboliza o fiel, e o lobo aqueles que ameaçam a fé cristã. Finalmente, diversos contos populares relacionam-no com as bruxas e o Diabo. Finalmente, a ilha do Corvo, mantem ainda hoje o mesmo nome dos primitivos mapas italianos, representa outro símbolo “infernal” que encontramos nas ilhas do Atlântico. Ave solitária, é, por essa razão, associada no cristianismo ao apóstata e ao infiel.

EXPLICAÇÕES LIGADAS A “PARAÍSOS TERREAIS”

Inversa é a associação com o mundo dos mortos, e, com efeito existem igualmente associações entre as ilhas atlânticas e o Paraíso. A ilha da Madeira, relacionada desde os tempos clássicos com as “Ilhas Afortunadas”, é precisamente um desses casos, por sinal o mais conhecido. E com efeito, a simbologia medieva associava a madeira, com “força vital”, com aquilo que “contem e dá protecção”. Também a ilha “Perdita” é descrita como um lugar paradisíaco.

De igual modo, a “Ilha das Uvas” pode ser associada a este grupo. A videira é, desde cedo, usada como símbolo de abundância e vida. Na iconografia judaica e cristã, é considerada o simbolo do povo de Israel. No Antigo Testamento, o Messias é comparado com o próprio Messias. Por outro lado, a uva trazida pelos espiões é um símbolo de promissão, nos sarcófagos do cristianismo primitivo, simboliza o Reino dos Céus em que entrou a alma do Crucificado.

Uma possível anterior denominação da Ilha do Pico, seria a “Ilha das Pombas” dos mapas italianos. A pomba simboliza, na tradição cristã, a simplicidade e a pureza e, sobretudo, o Espirito Santo.

SIMBOLISMO DAS NAVEGAÇÕES DE SÃO BRANDÃO

Os aspectos simbólicos presentes nas lendas das navegações deste santo irlandês são tão numerosos que lhe atribuimos um capítulo a parte.

O primeiro elemento simbólico que encontramos consiste no número de acompanhantes de São Brandão. O número catorze (uma vez que é dele que se trata), representa no simbolismo cristão a duplicação do sete, um número reconhecidamente sagrado em varias culturas. É também o número da bondade e da misericórdia e, igualmente, dos catorze padroeiros.

Os três meses de provação sofridos pelos aventureiros trazem em si um número pleno de significado simbólico, o número três. Este simboliza o princípio totalizador, a mediação.

As ilhas brancas e negras que o santo e os seus companheiros avistam também possuem, na sua própria cor, um simbolismo inerente. O branco é um símbolo conhecido de pureza e perfeição. A combinação de ilhas negras e brancas, associando essas duas cores liga-se no imaginário medievo à concepção de Absoluto. Esta combinação é particularmente comum em ritos iniciáticos e religiosos. Quanto à cor branca dessas ilhas parece ligar-se ao seu carácter paradisíaco. Com efeito, no cristianismo os anjos e os bem-aventurados aparecem sempre representados com essa cor, aliás, também os cristãos recém-baptizados recebiam roupas dessa mesma cor. As ilhas de cor negra referidas na lenda também possuem um simbolismo que lhes advém da cor com que são descritas. O negro é associado à ausência de vida, ao caos e à morte. Existe também algo que a liga ao Demónio. Na tradição religiosa pré-céltica peninsular o negro é a cor das Deusas-Mães, tradição que aliás sobrevive hodiernamente nas “virgens negras” ainda adoradas nalgumas igrejas de Portugal e da Europa Meridional.

Os sete meses de provação sofridos pelos navegadores após a descoberta da ilha habitada pelos anjos caídos, tem o tantas vezes empregue e ainda mais vezes comentado místico número sete. Originalmente, o seu carácter sagrado pode encontrar-se radicado na observação neolítica do curso dos astros celestes, nomeadamente da Lua, que nas suas quatro fases, demora sete dias em cada uma delas. Simboliza a abundância e a plenitude. Na Bíblia o número aparece diversas vezes, com simbolismos por vezes divergentes. Temos aqui as Sete Igrejas, o livro dos sete selos, os sete céus habitados pelas hierarquias angélicas, os sete anos que Salomão levou a erigir o seu templo, e muitas outras referências. Mas surgem também referências de teor mais negativo: as sete cabeças da besta do Apocalipse, as sete taças da ira divina, etc. Também nos contos populares encontramos o número sete com relativa facilidade. Temos assim vários contos que mencionam “sete irmãos”, “sete corvos”, “sete cabritos”, e outros tantos.

As nozes contendo um líquido, podem ser simplesmente cocos, como mais acima já tivemos ocasião de referir, mas podem também elas ter a sua leitura simbólica. A noz equivale à amêndoa, símbolo conhecido do mistério, daquilo que está oculto, de Cristo. Mas também, surge na literatura cristã como o símbolo do Homem, em que o invólucro verde simboliza a carne; a casca dura, os ossos; e o caroço, a alma. Pode também, como dissemos, ser um símbolo de Cristo, em que o invólucro verde de gosto amargo se transforma no símbolo e a carne de Cristo depois de passar pela amargura da Paixão; a casca, a madeira da cruz; e o caroço, cujo óleo consumido produz luz, a natureza divina de Cristo.

Depois do encontro com as “nozes”, São Brandão encontra uma ilha verdejante, e logo depois, uma outra denominada “ilha da esmeralda”. Ora, a esmeralda e uma pedra plena de simbolismos, também ela. A sua cor verde, liga-se à ideia de fecundidade, o que é reforçado pela presença nessa ilha de vinhedos e árvores de fruto. Na simbologia cristã, a esmeralda simboliza a pureza, fé e imortalidade, ao fim ao cabo precisamente aqueles objectivos que o santo perseguia ao iniciar a sua busca.

Após navegações em paragens nórdicas, o santo chega finalmente à “ilha das maravilhas”, verdadeiro paraíso terreal. Aqui permanecerá durante quarenta dias. Ora, também o número quarenta não é completamente isento de significado. Com efeito, o quarenta, é o número da espera, da preparação, da penitência, do jejum e do castigo. As águas do Dilúvio de Noé cairam durante quarenta dias e quarenta noites, a cidade de Ninive fez penitência durante quarenta dias, a caminhada dos israelitas pelo deserto demorou quarenta anos; Jesus jejuou durante quarenta dias no deserto e apareceu aos seus discípulos após a ressurreição, durante quarenta dias.

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