Do desajuste das “Novas Oportunidades”

(Cartaz do BE “descoberto” pelo Sá Morais)

 

A propósito de todo o marketing criado pelo governo socrático em torno das “Novas Oportunidades” e tendo em conta que me encontro presentemente imerso na dispendiosa e solitária tarefa de reforçar a minha qualificação através da obtenção de um certificado Microsoft (MCSE: Microsoft Certified System Engineer) que tal se o Governo se deixasse de torrar milhões de euros em campanhas de marketing e se no IRS (sim, acabo de preencher o maldito) permitisse uma dedução muito generosa a quem usa o seu próprio dinheiro para aumentar a sua qualificação profissional?

Portugal tem das taxas de formação profissional mais baixas da Europa, e os escandinavos (porquê sempre eles?) têm das mais altas, será que se pode acreditar que não existe uma relação directa entre formação profissional e produtividade?

Porque é que este plano das “Novas Oportunidades” soa a mais um mecanismo facilitista para autorgar diplomas de secundário a quem não completou este nível de Ensino?… Não será a redução deste projecto a apenas esta área do ensino oficial uma forma de incentivar ainda mais pessoas a abandonar este nível antes de chegar ao seu término? Portugal já tem das taxas de abandono do Ensino Oficial mais altas da Europa (ver AQUI) “Portugal registava, em 2004, uma taxa de 39,4% de jovens entre os 18 e os 24 anos fora dos sistemas de ensino e de formação e que não concluíram o secundário.” Facilitar o acesso ao Secundário através de um único Exame, sem requerer frequência de aulas não concederá argumentos adicionais a quem pretende abandonar o Estudo antes do término do Ensino Obrigatório? É por isso que o foco das “Novas Oportunidades” devia ser o Ensino Profissional e a Certificação de Competências e muito menos os graus académicos convencionais que tantas vezes nada têm a ver com os índices de produtividade ou qualificação dos trabalhadores por conta de outrém.

(P.S.: Hoje não teremos Quids ou sQuids…)

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Categories: A Escrita Cónia, Bird Watching, Educação, Política Internacional, Política Nacional, Sociedade Portuguesa | 15 comentários

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15 thoughts on “Do desajuste das “Novas Oportunidades”

  1. uma preocupação muito pertinaz e que deveria deixar de ser uma realidade no nosso país. Há de facto um grande déficit de várias coisas, entre elas, qualificação.
    Abraços

  2. sa morais

    Puf… Cá estou eu de volta! Começa a estar tudo dito sobre um país ( ele sim ) a precisar de uma nova oportunidade… Podemos voltar a Quibir e reescrever a história? Posso lá estar? Não… Enfim! Que posso dizer? Oportunidades? Se os US era a Terra das Oportunidades, por cá é a Terra dos Oportunistas, da frustração… “Este país te mata lentamente”… Mas a culpa não é do país…

    E como andam as coisas, agora que eu ( o rezingão ) já não por cá a quidar ou squidar?

    Abraço!

  3. jamudei

    Como diria o outro,nasci português!,fui enganado!
    E um diplomazito com data de domingo,serve?
    Um abraço do Velho

  4. concord0 mesmo consigo. que dispendioso é apostar na nossa formação neste País. Mas o pior é que nada de bom se avizinha quer me parecer…enfim…o caminho está traçado para continuarmos na cauda da europa. Aproveito para afirmar que acho esta campanha de um preconceito assustador. é um exemplo deste bacoco País. Aco de um mau gosto tremendo.
    bom blog
    :))

  5. Isto das Novas Oportunidades é uma treta…

  6. Sá:
    E que sejas bem vindo! Eu também regresso ao Quintus depois de uns dias de ausências (mascarada com uns Posts temporizados…). O pior quanto ao rumo deste Portugal é que este é o melhor dentro do pior tipo de governos que vamos ter enquanto os portuguses insistirem em não levantar o rabo do sofá nas eleições… É precisa uma reviravolta de cima a baixo, sem excepções, quie expulse as 400 famílias que nos governam e que compartem entre si governos, partidos e tachos. Mas esse dia ainda não será o de amanhã… Os Quids lá vão… E amanhã veremos qual é a sua real dinâmica, depois destas mini-férias e da ausência do Sá Morais…

    Jamudei:
    Serve pois, desde que venha acompanhado do cartão de partido certo…

    Cs:
    É uma campanha perigosa, de facto… Diminui muita gente honrada e enaltece outros que de pouco merecedor têm, além de serem criações dos Media, dilatadas ainda mais nesta campanha…

  7. Provavelmente estou a ser repetitiva mas o grande problema deste país é cultural e não estrutural.

    E continuando o que o Sá disse a culpa não é do país mas sim de quem cá vive. Não exigims responsabilização ds sucessivos governos (de esquerda ou direita não interessa) pelo actos danosos. Acredito que se houvesse responsabilização pessoal as atitudes seriam outras.

    Falando na qualificação, este país resolveu durante uns anos viver de licenciaturas… ter o Dr. é que era importante…mas esqueceu-se que não vive só disso e não apostou nos cursos técnico-profissionais, e também não estimula minimamente a autoqualificação…enfim uma tristeza (a propósito, estou a preparar um post precisamente sobre isto)

  8. Tens toda a razão. O que as Novas oportunidades parecem ser é uma forma de Portugal poder mostrar melhores estatisticas sem que isso contribua em nada para melhorias reais no país. Mas, sabendo nós que são os números que governam o país e não a realidade lá vai o Sócrates poder mostrar que estamos mais instruidos quando na realaidade tudo fica na mesma. Só é pena que neste markting se gaste dinheiro que podia ser melhor utilizado em tantas outras coisas.
    abraço

  9. Ter estudos não é sinónimo de sucesso ou vice-versa. O nosso amigo Sá é um exemplo, formado e para ter trabalho vê-se grego. Excelente cartaz.

    Cumprimentos!

  10. È por estas e por outras que eu amaldiçoo o tempo que passei a estudar na adolescência para entrar num curso de engenharia com média de 15 em vez de me fartar de fumar canabbis e beber vodka. Os que o fizeram são hoje cidadãos integrados nesta sociedade mediocre, enquanto quem conseguiu adquirir alguma consciência não consegue dormir com o que vê à sua volta.

    Não è tudo mau, estamos hoje bem melhor que há 50 anos. O problema è que desde as guerras púnicas que este território passou dois milénios a ser ultrapassado culturalmente pelo resto do mundo (deviamos nos ter aliado aos romanos). Somos o pais da Europa que mais concertos de música pop vê per capita, mas o que menos assiste a cinema, menos lê jornais generalistas e menos livros compra. Temos muito para recuperar e parece que ver os “morangos com açucar” não è a solução.

  11. Acho esta campanha uma falta de respeito pela população em geral. Eu sou licenciado em Gestão de RH e tive de emigrar por não conseguir oportunidades de trabalho no meu País.

  12. Além de desrespeitar o esforço de muitos que trabalham mais e melhor do que muitos “licenciados”, despreza completamente a formação profissional (que é provavelmente aquela que mais se reflecte na produtividade de cada um) e… introduz mecanismos facilitistas, quando se devia era fazer o oposto…

  13. DOMINGOS NOGUEIRA

    Como quase sempre acontece a quem tem proble-mas graves para resolver e não sabe como, o autor limitou-se olhar para o seu próprio umbigo e, ao olhar o espelho, idelizou as Novas Oportunidades apenas dirigidas ao quem tem menos de 24 ou 25 anos. Caro amigo, existem neste País outras pessoas e não
    apenas os juvens….Existem pesoas com 40, 50 ou 60 anos que não acabaram os seus estudos, mas não foi por puro abandono escolar, foram obrigados a pegar numa G3 e ir para África, sob pena de serem presos durante sabe-se lá quanto tempo. Pois é, essas pessoas também têm direitos a verem cer-tificados os saberes acumulados ao longo de toda a sua vida, não têm só obrigações…não têm só de pagar € 50 todos os meses para poderem ser refor-mados. Em vez de apenas dizermos mal porque uma medida não se aplica na nossa medida, vejamos se ela vai ou não beneficiar outras pessoas, se calhar mais necessitadas de apoio.

  14. Cartão Brumelho

    Ò Domingos, diz-me quem foram os adolescentes que não concluiram o secundário porque foram obrigados a ir para África com uma arma na mão. Tanto quanto sei, a malta mais nova que participou no esforço activo da guerra tinha 20 anos. O menino ainda andava no secundário com 20 anos? É que o programa “novas oportunidades” visa a conclusão do secundário. E os meninos deixaram de o concluir, não por abandono, mas porque foram obrigados a ir para a guerra? Não venham com essa de “tenham dó de mim que sou um coitadinho porque fui para a guerra”. Quanto ao autor olhar-se ao espelho e idealizar o programa dirigido a jovens com menos de 25 anos… ele não precisa que o defenda, mas não passa de presunção da sua parte pois não faz idéia nenhuma da idade dele. E o “Caro amigo…” é a maneira como as pessoas mostram arrogância e paternalismo em relação a pessoas que não conhecem. Ganha juizo pá!

  15. nesta questão, só tenho isto a acrescentar:
    nenhum país melhora recorrendo ao facilitismo e desprezando a exigência que deve ser sempre a essência de qualquer grau ou forma de ensino.
    nesse contexto este programa não passa de uma manobra de propaganda e de “passagens administrativas”, não merecendo portanto mais palavras da minha parte.

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