
(e sim… se olharem bem… lá pelo meio está a Evangeline Lilly outra vez)
1. Quando no episódio de flashback de Eko, o jovem Daniel pergunta a Eko se é verdade que ele é “um homem mau”. Ao que parece… Eko é… Talvez por isso tenha acabado na Ilha, onde todos aqueles que não raptados pelos Outros logo na primeira noite parecem ser “imperfeitos” de um ponto de vista moral, não constando da lista de nomes que Eko recolheu dos dois Outros que matou quanto estes tentavam raptar os sobreviventes do segundo grupo. De uma forma ou de outra, parece certo que os Sobreviventes têm todos uma qualquer “marca moral” que os classifica como “imperfeitos” e logo, desinteressantes para os projectos dos Outros. E Eko, pelo seu historial próprio, está claramente nesse grupo.
2. Ben aborda Jack na sua prisão e convida-o a participar no funeral de Colleen… Todos os participantes vestem túnicas brancas e o ritual parece agnóstico, mas o corpo é incinerado e deixado numa jangada que é largada no Oceano. A música que acompanha a cerimónia é “I Wonder” de Brenda Lee… Porque este tema e não outro qualquer? Haverá aqui um significado oculto? E aliás, que cerimónia ritual é esta? Porque parece implícito que se trata de uma cerimónia religiosa? Se não é, porquê as túnicas brancas? Os viking deixavam os seus chefes nos drakkars em chamas… E os hindús (ligação da Dharma com o Sri Lanka, como sugere o jogo de Lost) vestem roupas brancas, incineram os seus mortos e deixam-nos na água (Ganges)…
A cremação no hinduísmo e no budismo (sendo este último aquela que parece ser a maior fonte de inspiração para a visão do mundo detida pelos Outros) é uma cerimónia fúnebre muito comum, entre as várias correntes e resulta do facto de se acreditar que a alma só pode entrar num novo corpo depois do anterior ter desaparecido por completo. No budismo, os corpos a cremar são cobertos de flores, como aqui, no funeral de Colleen e os familiares e amigos do falecido transportam-no em ombros até à pira… A cerimónia é acompanhada por cânticos… Neste caso… É um tema de Goodwin… O funeral, contudo, parece ter decorrido ou no mesmo dia da morte, ou no dia seguinte, o que contraria as crenças budistas que acham que nos primeiros quatro dias a alma entra num estado especial chamado de “Primeiro Bardo”, um estado especial de consciência em que o corpo é ainda a guarita da alma e onde não deve ser destruído (o que aliás, coloca um problema no quadro legal português…).
Outro sinal de que a religião dos Outros pode ser uma forma de Budismo está no detalhe de que Jack é deixado sózinho com Colleen, depois desta falecer na mesa de operações… Ora no Budismo, logo que ocorre uma morte, um monje deve ser chamado para começar tão cedo quanto o possível os rituais de preparação para o bard, e o corpo não deve ser mexido nem deslocado até à sua chegada… Colleen fica imobilizada na mesa esperando por algo… Alguém com a devida preparação ritualística? Talvez Ben?
No funeral, Juliet diz “Enquanto preparamos Collen para o seu caminho (Dharma?), gostaria de aproveitar este momento para honrar…”. Pergunta Jack a Ben: “Ela é a vossa coveira?”, respondendo este “Desde o momento que pôs pé nesta Ilha”. Juliet é a sacerdotiza deste culto pseudo-budista dos Outros? Não é a mais antiga destes, já que Ben alude expressamente ao facto dela “ter chegado à Ilha”, obviamente depois dele próprio.
Outro detalhe… (se é que alguém ainda me lê, depois de tanto escrevinhanço!) repararam que todos os Sobreviventes que morreram na Ilha foram vistos depois, sendo na minha opinião, o Monstro que assume a sua forma e recompõe a sua memória… Será que este ritual com a destruição do corpo por cremação pretende obstar a que o Monstro assuma a forma de Colleen?
3. Quando Ben tenta convencer Jack a remover o seu tumor, afirma a dado ponto que “se a queda de um cirurgião do céu, não é uma prova da existência de Deus, não sei o que será”. Mas isto significa que Ben acredita em Deus, isto é, numa divindade monoteísta, omnipotente e suprahumana na boa tradição judaico-cristã ou na existência de uma entidade superior, providencial ou simplesmente… no Destino?
4. Juliet assume claramente a sua posição como líder de um subgrupo no seio dos Outros quando mostra a Jack uma gravação de video onde constam uma série de mensagens escritas onde lhe pede para matar Ben na mesa de operações… Um budista nunca faria tal pedido, o que pode colocar em causa a tese expressa em 3, especialmente sendo Juliet uma espécie de “monja”… Mas algumas correntes budistas reconhecem que nalgumas circunstâncias matar pode ser uma opção… Especialmente se esta acção negativa fôr rodeada dos devidos rituais e sobretudo, se fôr a única via para evitar sofrimentos maiores a terceiros (nunca ao próprio). Será o caso?
5. Numa das cenas seguintes, encontramos Eko que vê o seu irmão Yemi na selva onde este lhe pergunta se está pronto para confessar. Quando Eko caminha pela floresta, logo na primeira cena vemos o monstro a passar entre as árvores à esquerda. Segundos depois vê-se um grupo de nigerianos que ataca Eko a golpe de machete. Esta sucessão não é desprovida de sentido… Os nigerianos não são uma visão de Eko, mas uma forma assumida pelo Monstro, já que tornam a insistir a Eko para que este confesse… Eko foge, bebe água de um ribeiro e vê o Monstro, agora na forma incoesa atrás de si. Quando mais tarde, Locke questiona Eko sobre o se o Monstro é para ele também “uma luz muito brilhante”, este afirma “não foi isso que vi”. O Monstro é assim coisas diferentes para pessoas diferentes… E aparentemente existe uma relação entre a cura “milagrosa” de Locke e o Monstro… Sendo (é o que penso) um aglomerado de nanomáquinas, o Monstro pode reparar qualquer dano na coluna ou até no cérebro que Locke tivesse e que fosse responsável pela sua paralisia parcial… Mas o Monstro também é capaz de identificar a “aura” ou “estado moral” dos seus alvos, razão pela qual exige a Eko um “arrependimento” e surge a Locke na forma de Locke (mais uma alusão ao budismo, onde a “Clara Luz” é uma experiência característa do Terceiro Bardo, isto é, da última fase de transição para uma nova Encarnação). Mais tarde, Yemi torna a aparecer a Eko e torna a pedir o seu arrependimento, o que Eko recusa, afirmando que so fez aquilo que tinha que fazer. Mas depois, o suposto “Yemi” diz “Falas comigo como se eu fosse o teu irmão!”, assumindo assim que não é uma visão, mas uma recomposição do Monstro. Eko pergunta a “Yemi”: “Quem és tu?” e “Yemi” desaparece. Segundos depois o Monstro surge na sua forma decomposta e agarrando Eko, acabando por o matar no processo, punindo-o aparentemente por este se ter revelado incapaz de sentir arrependimento pelas suas acções negativas passadas. Quando expira nos braços de Eko, este sussura a Locke: “Ele disse que nós seremos os próximos”. Ou seja, o Monstro, no seu papel de “executor” da Ilha promete aplicar a mesma pena aos restantes sobreviventes… Menos a Locke, que aparentemente não se enquadra neste grupo. Curiosamente, apesar de todo o receio que o Monstro cria, Eko foi apenas a sua segunda vítima mortal, tendo sido a primeira o piloto do vôo Oceanic 815.
6. Este episódio inclui a primeira cena onde dois novos personagens são introduzidos: Paulo (Rodrigo Santoro) e Nikki, o que parece sugerir que vamos ver mais destes personagens nos próximos episódios… Ou talvez não… ;-).
7. Na Estação Pérola, o grupo de Sobreviventes consegue colocar num monitor imagens de uma outra Estação Dharma, aparecendo um homem com uma pála no olho que desliga a câmara segundos depois. Na sala vê-se diverso equipamento electrónico dos princípios dos anos 80 e um terminal de computador.














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