O estudo de Ramjet de Lippisch


(Alexander Lippisch)

Desde o “Projecto 12”, que o Dr. Alexander M. Lippisch, líder do Luftfahrtforschungsanstalt de Viena (LFW), estudava a aplicação do conceito de um ramjet para aviões supersónicos. Partia-se do princípio de um avião estruturalmente muito simples consistindo quase inteiramente de motor e tanques de combustível e habitáculo para o piloto. Estes projectos Lippisch recolhiam a sua propulsão de turbinas ramjet, derivadas do pulso-reactor da Schmidt-Argus utilizado no Fieseler Fi 103 (V-1). Estas turbinas, designadas “Loerin” seriam também usadas no avião-helicóptero da Focke Wulf, o Triebfluegel..

O principio subjacente ao ramjet implicava que o engenho só funcionaria a altas velocidades, isto porque o motor para funcionar necessitava que o ar entrando por uma abertura na frente seria misturado, comprimido e inflamado e empurrado para a rectaguarda. O pulso-reactor da V-1 produzia muito barulho (daí a alcunha inglesa de Buzz Bomb) mas o ramjet era quase silencioso porque não existiam partes móveis, o que também implicava que seriam fáceis de manter e construir, além de serem relativamente baratos.

Categories: As "Armas Secretas" da Alemanha Nazi | 6 comentários

Navegação de artigos

6 thoughts on “O estudo de Ramjet de Lippisch

  1. Luiz Ely Silveira

    É impressionante a genealidade germano-austríaca. Os americanos só desenvolveriam o sistema em sua plenitude quase 40 anos depois. Hoje, todo o motor de pós-combustão dos modernos caças utilizam o sistema.

  2. Sim, Luiz, é verdade… Pena é que o governo que patrocinou estes desenvolvimentos fosse aquele que sabemos… e por um lado, ainda bem, porque as ineficiências administrativas do regime (ordens, contraordens, dominio nocivo e absoluto da vontade de Hitler e da sua clique) impediram a total execução destes projectos tão promissores…

  3. Caro Luiz,

    a “genealidade” alemã-austriaca não há.
    Ninguem na Alemanha conhece Lippisch…..

    tanto como ninguem se lembra da “genealidade” do Portugues Padre Himalaia.
    Mais ainda, o Padre Himalaia quis produzir energia barata para todos….
    Escrevi sobre este heroi aqui (em alemão mas links etc em Portugues):
    http://briefeankonrad.tripod.com/Lebenssinn/index.blog?entry_id=1639850

    Alguem conhece o Padre Himalaia, a obra e o pensamento dele ?
    ….está a ver ?….

    abraço
    Ralf

  4. Luiz Ely Silveira

    Sinto que alguns ficam temerosos de uma possível conotação ideológica. Não há nenhuma de minha parte, até porque não sou alemão. Sou o brazuca típico, mas branco. Meus tataravós eram portugueses por um lado e espanhóis por outro. Não é por isso que deixarei de admirar o povo que, em anos de grande obscurantismo ideológico, deram luzes às ciências de maneira extraordinária, como nunca visto antes na história recente da humanidade.

  5. não, de modo algum. eu percebi-o bem. de vez em quando aparecem aqui pelo Quintus alguns neonazis, mas não ficam por cá, porque cedo percebem que eu não me alinho nem pelas bandas da esquerda, nem pelas da direita e que tenho o meu caminho próprio, o http://movv.org/movimento-quintano-sumario-do-programa/

    e é verdade que é impossível não deixar de admirar o génio técnico do Povo que tanto fez avançar a tecnologia naqueles breves anos do final da segunda grande guerra… sob a pressão esmagadora dos bombardeamentos aliados, os engenheiros alemães conceberam as armas e os meios que servem ainda hoje de base à nossa civilização, desde o jacto, ao motor foguete, ao radar, aos aviões de asa delta… não foram únicos neste pioneirismo, mas foram sem dúvida muito notáveis. contudo, este mesmo brilhantismo estava na raíz da sua falha… incapazes de enquadrar a sua genialidade técnica numa visão mais ampla e humanista, estes engenheiros estavam condenados a fracassar naquele que eram enfim, o seu mais declarado objectivo: a vitória da Alemanha…

    e acredito também que se a campanha da França não tivesse sido tão rápida, Hitler teria sido forçado a avançar mais depressa com o Me262 enquanto caça e então… com um Me262 em serviço em meados de 43 e não em 44… toda a campanha aérea de bombardeamentos ficaria compremetida… bastaria avançar uns meses mais depressa com um único modelo de caça, o me262 para que a decisiva campanha de bombardeamentos às refinarias alemãs (o acto único que decidiu a Guerra) tivesse sido quase impossível.

    ou seja, os Aliados ganharam a Guerra por uma verdadeira unha negra…

    e já nem falo da Bomba Atómica alemã e da água pesada…

  6. Anónimo

    Sim, isso é um facto!

    E para mais, vejamos (copiei para aqui uma passagem de um excelente livro onde diz assim):

    « – Anos mais tarde, o desembarque das tropas aliadas durante o Dia-D seria uma pura fantasia se os aviões de caça aliados não tivessem também assegurado primeiro o domínio do céu sobre as costas francesas da Normandia.
    A Vitória da Liberdade nunca teria sido possível sem que primeiro as forças aliadas conquistassem à Luftwaffe (a força mais poderosa do III Reich) o controlo do espaço aéreo sobre a Europa, tornando possível os avanços na superfície.
    Em sequência do Domínio do Ar sobre a Superfície monodimensional (terra e mar), os caças e os bombardeiros da RAF e da USAAF espalharam a maior destruição jamais vista, por toda a parte, até aos lugares mais recônditos da Guerra. Em consequência desse vital patamar, as acções de bombardeamento estratégico massivo de grande escala levaram rápidamente a morte e a ruína à Alemanha Nazi, decapitando-a.
    Foram os caças aliados que, ao conquistarem a vital “Superioridade Aérea” aos caças da Luftwaffe, permitiram que o espaço aéreo sobre a guerra ficasse suficientemente seguro para que os aviões de ataque ao solo destruíssem em massa o “grosso” das forças terrestres do Eixo, expulsando as tropas invasoras dos países ocupados.
    Efectivamente, com a “Superioridade Aérea” garantida (A Chave da Vitória), pôde-se iniciar, sem grande oposição aérea adversária, as campanhas de ataques aéreos directos contra os tanques, as artilharias, as infantarias bem como às suas vias de locomoção. Os meios de abastecimento e de locomoção como os caminhos de ferro, os combóios de suprimentos, as estradas, as pontes, os túneis, os camiões de víveres e de transportes de tropas, os cais fluviais nos rios, os portos marítimos, os navios de carga, os navios de guerra etc, etc… nada fora poupado aos constantes “raids” aéreos de “Interdição dos Campos de Batalha”. Como o próprio nome indica, esses ataques visaram a paralisia total das forças terrestres e navais e a sua imediata destruição, libertando os territórios ocupados.
    Quando um país se torna infuncional, imediatamente as suas forças armadas seguem-lhe o exemplo!
    Perante estas arrasadoras acções do Poder Aéreo (a força bélica mais poderosa e mais impactante na Guerra), a Alemanha Nazi ficou privada de vias de locomoção, relegando as suas moribundas forças terrestres para um conjunto de pequenas concentrações dispersas, atordoadas e desorientadas, sem qualquer hipótese de mobilidade e completamente desprovidas de redes de mantimentos e abastecimentos. Em pouco tempo, divisões inteiras ficaram reduzidas à fome, à sede, ao desespero e às doenças, sem condição alguma de resistirem. A moral das tropas caiu por terra, tornando-se alvos fáceis para as campanhas aéreas de “desinfestação” que se seguiram. Essas campanhas viraram um autêntico festival para os aviões aliados, pois sem terem grande oposição nos céus, puderam metralhar, rocketear, incendiar e bombardear à vontade.
    Na Alemanha, nem mesmo os escassos aviões a jacto (as “Armas Milagrosas” do III Reich) lançados à luta no último instante, bastaram para modificar o curso de uma guerra já então perdida. Os aviões a jacto éram a derradeira esperança do odioso regime, o grande trunfo escondido na manga, que se julgava ser capaz de revirar os ventos da mudança.
    O genial e talentoso engenheiro aeronáutico Von Braun tinha inclusivé inventado os primeiros mísseis de cruzeiro da História, as excepcionais “Armas Maravilha”, as bombas-voadoras V-1 (Arma da Vingança nº1). Embora centenas delas caíssem sobre a Inglaterra, especialmente sobre Londres, outras tantas foram interceptadas a tempo e destruídas em pleno vôo pelos velocíssimos caças-bombardeiros Hawker Typhoon e Hawker Tempest. Os impressionantes mísseis balísticos V-2 (Arma da Vingança nº2), dotados de potentíssimas ogivas de TNT, constituíram outro derradeiro trunfo. Lançados às centenas a partir da Alemanha, tinham alcance suficiente para alcançarem a capital inglesa, após um curto vôo sub-orbital. Embora provocassem uma esteira de destruição avassaladora e surtissem um efeito psicológico tremendo, pela enorme violência das suas explosões que arrasavam quarteirões inteiros de bairros populacionais, teriam tido muito mais proveito e gerado maiores consequências se tivessem sido dirigidos para alvos de grande valor estratégico.
    No meio de tudo isso, foram esbanjados preciosos recursos noutros numerosos projectos dispersos e sem consistência. As equipas de engenharia e de concepção das enormes fábricas de aviões “gladiavam-se” entre si, numa competição sem regras, tudo para que os seus projectos fossem eleitos nos concursos de aquisição e para que os seus mais altos quadros fossem promovidos pelo Furher. Em vêz de entrarem em competição com a engenharia aeronáutica dos aliados, dispersaram-se em “guerrilhas” políticas internas, atropelando-se uns aos outros. Os constantes ataques de rufia e teimosia esquizofrénica de Adolf Hitler e a falta de visão estratégica do seu “braço direito”, o Marechal do Ar Hermann Goering, relegaram os aviões a jacto para incumbências e tarefas secundárias, para as quais não tinham sido sequer concebidos. Dessa forma desorganizada, esbanjaram-se irracionalmente os últimos recursos que podiam muito bem revirar os ventos da História.
    Para além disso, o facto do Marechal do Ar Hermann Goering permanecer convícto das capacidades comprovadas dos seus excelentes bombardeiros médios e acreditar que seria dispensável a construção de bombardeiros de longo raio de acção, fêz com que as poderosas indústrias aeronáuticas descorassem essa capacidade estratégica vital. Não haver um número suficiente de bombardeiros pesados de longo alcance revelar-se-ía um erro-chave para os alemães. Toda essa conjuntura contribuiu decisivamente para a derrota da Alemanha.
    Efectivamente, se os projectos dos aviões a jacto tivessem acelerado a tempo e a sua produção não fosse destruída pelos bombardeamentos, os nazis podiam muito bem ter ganho a guerra pois os aliados não tinham armas tão capazes. Os poucos jactos que conseguiram descolar, ainda provocaram consideráveis danos nas grandes formações aéreas aliadas, mas já éra tarde demais! Perante tal ameaça, a conquista da crucial “Superioridade Aérea” (a Chave da Vitória) quase de certeza nunca teria sido possível para os aliados, comprometendo irremediávelmente todas as restantes campanhas.
    Com um antecipado acesso à Era da Aviação a Reacção, a Alemanha Nazi teria indubitávelmente ganho a Segunda Guerra Mundial e implantado por toda a Europa a tirania bárbara do III Reich (“-que duraria mil anos!” como afirmava o louco Adolf Hitler). Havia mesmo um projecto para um colossal super-bombardeiro com autonomia suficiente para levar a bomba atómica nazi até Nova Iorque e regressar em altitudes inatingíveis para os aviões aliados. Essa “super-arma”, absolutamente intocável e ultra-secreta, éra o “Amerika Bomber”, um projecto megalómano, à altura dos sonhos desmedidos do Furher.
    Mesmo assim, foi graças aos seus tardios mas espectaculares aviões a jacto que se criou o mito das proezas tecnológicas alemãs e da sua superioridade científica sobre as outras nações, colocando a inteligência germânica como a epíteto supremo da Raça Ariana.»

    (in Janes – As Grandes Batalhas Aéreas da Segunda Guerra Mundial)

    Ora nem mais!!!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Site no WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

PEDAÇOS DE SABER

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

%d bloggers like this: