Navarra, a sua Independência Energética e das Virtudes do Bom Governo: Local e Regional


(http://www.acciona-energia.com)

Enquanto a União Europeia se coloca na ambiciosa posição de produzir 20% de toda a sua energia a partir de fontes renováveis e Fujão Barroso se passeia no seu SUV-comilão Tuareg 4×4 (ver AQUI) aqui mesmo ao lado, na região de Navarra, em Espanha, já se recolhe do Sol e do Vento mais 70% de toda a energia consumida… Um valor que ultrapassa em muito… 10 vezes mais! A média europeia…

Por todo o país funcionam mais de mil moínhos de vento, os quais deram origem a uma próspera industria local que exporta equipamentos semelhantes para todo o mundo, e onde se destaca a Acciona Energia. A empresa especializou-se na produção energia limpa, desde a Eólica, até Biomassa, Minihídricas, Solar, Biocombustíveis, etc.

Este exemplo, tão perto de nós, demonstra como é mais fácil administrar e governar melhor a escalas pequenas e como um governo mais próximo das populações e dos seus interesses pode administrar melhor a Coisa Pública que este “Governo Central” que administra em Portugal tão centralista e estatista… Com efeito, geralmente, a uma menor escala corresponde uma gestão mais eficiente e esta situação exemplar em Navarra não se deve aos méritos do governo de Madrid, mas às virtudes do modelo autonómico espanhol, aplicado aqui em Navarra.

Por outro lado, esta situação ilustra também as virtudes das Economias Regionais, com o florescimento de empresas locais, criadas para suprir uma necessidade local e que fornecem Emprego localmente e criam riqueza regionalmente, e que usam os lucros desse seu bpm desempenho para Exportar e recuperar para a Região as Divisas de que esta precisa para adquirir outros produtos que não tem condições para produzir localmente. São de empresários assim que precisamos e não de “empreendedores” como Berardo (que emprega menos de 20 pessoas em Portugal) e que embora sejam adulados pelos Media limitam os seus investimentos a especulações bolsistas que nenhuma riqueza trazem ao País e a Belmiros que desperdiça o seu génio e os seus recursos financeiros a tentar adquirir a maior empresa portuguesa, em vez de tentar criar uma nova, ou a desenvolver aquela que já tem… Um e o outro são o fruto da década de 80, a mesma onde Navarera começou a investir seriamente na libertação da dependência energética e onde em Portugal, os “gurus” da Economia recomendavam uma viragem da Economia para o Sector dos Serviços e para o Sector Financeiro (Banca e Seguros). Agora, vemos o resultado desta orientação estratégica, com uma erosão crescente e dramática da Criação de Riqueza e do Emprego.

O sucesso Navarro indica também outro detalhe quanto ao modelo que devemos seguir: o de deixar às empresas e à iniciativa privada aquilo que elas melhor sabem fazer: a criação de riqueza e de dinâmicas de sucesso… Se o Governo pode propiciar este desenvolvimento, através do lançamento de concursos, de políticas fiscais agressivas ou até através de subsídios, cabe sempre aos privados libertarem-se de uma dependência que é na sua essência nociva e que devia deixar para eles a maior parcela de responsabilidade na condução das Economias Regionais, através da criação de empresas locais, de pequena ou média dimensão, capazes de criarem mais empresas e empregos a montante e a jusante, respondendo a necessidades locais e dinamizando a economia regional.

Este é precisamente o modelo de desenvolvimento em que acreditamos:

1. Ecologicamente sustentado, com um quase total independência dos combustíveis fósseis;

2. Fundado numa Economia Regional, autónoma e independente dos interesses dos grandes grupos económicos e das Multinacionais;

3. Fundado na Investigação Científica, na Indústria “Verde” e no Emprego.

Exemplificado aqui, no modelo seguido em Navarra desde meados da década de Oitenta.

Fonte: Portugal Diário

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Categories: Ecologia, Economia, Movimento Internacional Lusófono | 7 comentários

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7 thoughts on “Navarra, a sua Independência Energética e das Virtudes do Bom Governo: Local e Regional

  1. Golani

    algumas observações:

    “é mais fácil administrar e governar melhor a escalas pequenas e como um governo mais próximo das populações e dos seus interesses pode administrar melhor a Coisa Pública que este “Governo Central” que administra em Portugal tão centralista e estatista”

    partilho desta opinião

    “São de empresários assim que precisamos e não de “empreendedores” como Berardo (que emprega menos de 20 pessoas em Portugal) e que embora sejam adulados pelos Media limitam os seus investimentos a especulações bolsistas que nenhuma riqueza trazem ao País e a Belmiros”

    se queres cascar no berardo tá à vontade, agora o Belmiro não faz muito sentido: um filho de sapateiro, que trabalhou para pagar a universidade, pegou numa empresa em dificuldades pós 25 Abril e transformou-a num conglomerado líder da distribuição retalhista em Portugal, líder europeu na gestão imobiliária (sonae sierra) e líder mundial nos derivados de madeira (sonae industria) e presença nas telecomunicações com a Sonae.com apesar deste sector sofrer de uma posição dominante de uma outra empresa com o beneplácito do Estado….o grupo Sonae emprega mais de 32.000 pessoas

    Relativamente às Energias Alternativas convém não embandeirar em arco, é do interesse nacional reduzirmos a nossa dependência energética do exterior (em particular dos combustíveis fósseis)

    mas há que salientar que muitas “energia alternativas” ainda não são viáveis economicamente ( mesmo com o barril a 60$): só são sustentadas por subsídios aos produtor porque o custo de produção é mais elevado ( os consumidores não se dão conta pq os preços são subsidiados, mas como o dinheiro não nasce nas arvores pagam esta alternativas via impostos)

    ter em conta tb que o grande consumidor de combustíveis fósseis é o sector dos transportes…as energia alternativas (solar, eólica, ondas…) não resolve nada

    os híbridos não são assim tão económicos (um citadino é mais económico que um Prius), reduzem sim é as emissões CO2

    o etanol só vale a pena com a cana de açúcar ( o milho não é eficiente), há que ver se a cana de açúcar consegue crescer aqui (já há estudos nesse sentido)…é preciso depois ainda construir uma rede de distribuição do etanol e transformar os motores dos automóveis …. e isto apenas para ter uma redução no consumo de gasolina

    em vez de projectos megalomonos à pala de dinheiros públicos (via subsídios ou investimento directo), pelos vistos já temos (ou vamos ter) a maior quinta de painéis solares e de eólicas, talvez devêssemos apostar mais em R&D para descobri novas tecnologias: baterias eléctricas (as actuais são demasiado cara e duração de vida curta, por isso carros 100% eléctricos não vendem), céluas fotovoltaicas (os actuais continuam de silício continuam muito caras)

  2. Golani

    ahh…uma outra observação mt importante

    “aqui mesmo ao lado, na região de Navarra, em Espanha, já se recolhe do Sol e do Vento mais 70% de toda a energia consumida”

    isto é um erro …não é de toda a energia consumida, e de toda a energia eléctrica consumida

    como referi anteriormente isto não resolve o problema dos transportes que anda a derivados de petróleo

    já agora a noticia original está aqui http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/6430801.stm

    PS: outra coisa que se deve apostar em Portugal, maximizar a capacidade hídrica, ou seja fazer mais barragens, é das formas mais baratas de produzir electricidade ( mas por vezes em Portugal estes projectos não avançam…as gravuras não sabem nada yo !! ehehehe)

  3. Golani

    ahh…já me esquecia

    “na região de Navarra, em Espanha, já se recolhe do Sol e do Vento mais 70% de toda a energia consumida”

    isto é um erro…não é “70% de toda a energia consumida”…mas sim “70% de toda a energia eléctrica”

    há que ver qual a % da energia eléctrica de toda energia (não deve ser mt elevada, em Portugal é 20-25% )

    como referi anteriormente o maior gasto de energia é no sector dos transportes, e estes andam a derivados de petróleo

    já agora, a noticia original está aqui: http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/6430801.stm

    PS: em Portugal, outra coisa q se deve fazer é maximizar a capacidade hídrica, ou seja, construir mais barragens, é a formas mais barata de produzir energia eléctrica (mas de vez em quando existem resistências a estes projectos……”as gravuras não sabem nadar yo !!” …. eheh)

  4. Acho que teremos de repensar toda a forma de vida, para que as coisas resultem em pleno…

  5. Concordo com o tb, não podemos depender de novas fontes de energia. As fontes renováveis são demasiado dispersas para substituirem os combustiveis fósseis. Temos è que diminuir o consumo energético per capita.

    Históricmanete a cana de açucar foi cultivada na madeira e canárias, mas nesse tempo o preço era muito mais elevado porque as caraíbas ainda não estavam colonizadas. Mais tarde com a entrada em cena do brasil o açucar deixou de ser viável no velho mundo. Acho que seria um erro subsidiar a produção nacional de açucar em vez de importar do brasil, Coisa que na ultima visita de bush se percebeu que os estados unidos se preparam para fazer. (ainda mais porque enviar subsidios para a madeira è o mesmo que colocar o dinheiro no centro do parlamento e apagar as luzes)
    por outro lado têm aparecido muito boas tecnologias no ambito da biomassa que em vez de queimarem a celulose a “digerem” em reactores biológicos. Para qlém da produção de energia a biomassa permite manter as florestas limpas, o que è uma necessidade vital para um país que asassinou a pastorícia. Eu próprio administro alguns hectares de montado e fico chocado com a quantidade de gasóleo necessário para manter o ecossistema vivo, e também por não perceber porque se metem palahaços que da casa na cidade, passando pela universidade, chegam directamente a cargos em parques nturais sem nunca compreenderem um boi acerca do ecossistema que deviam proteger. Mas isso è outra conversa.

    O que nos leva aos governos regionais. se o paìs fosse administrado mais regionalmente seria sem duvida muito melhor administrado. Acredito que mesmo pessoas comm conhecimentos científicos mais baixos conseguem desempenhar melhor as suas funções se as desempenharem numa comunidade que conhecem bem. temos os casos das regiões autónomas, se bem que uma está estagnada pela corrupção, os açores conseguem apesar de rendimentos per cápita muito baixos manter uma qualidade de vida das populações que me impressionou. O referendo sobre a regionalização falhou no norte do paìs, pelo que ouvi de amigos nesse tempo, eles não queria ficar em regiões com sede nas cidades rivais. O que eu digo è: regionalizem o algarve, e depois vejam se ele fica atrás das regiões de espanha em termos de prosperidade.

  6. Quando do referendo da regionalização estive em duvida de qual a melhor solução. Se por um lado as regiões permitem uma maior próximidade corre-se o risco de aparecerem Valentins Loureiros a desgovernar algumas delas. Acabei por votar Sim porque só governando mais perto dos problemas e das pessoas se pode resolver os seus problemas. Um dos males da UE é que fazem regras para todos não olhando aos problemas especificos de cada país quanto mais ao de cada região. Energéticamente espero que as renovaveis e sobretudo com uma politica que termine com o consumismo se possa resolver o problema da poluição. Espero, porque tenho algum receio que não se esteja a fazer o necessário para isso.
    abraço

  7. Golani

    Em Navarra:

    Uma operação da Guarda Civil espanhola em várias localidades de Navarra libertou «de um regime de escravatura encoberta» 91 trabalhadores, a maioria portugueses, e deteve 17 exploradores dos operários, 13 dos quais portugueses.

    Fonte policial confirmou à agência Lusa que a operação, de nome código «Lusa», foi conduzida ao longo dos últimos meses, contando com o apoio de cidadãos da região, sendo descrita como «a maior acção policial de sempre em Navarra contra a exploração laboral».

    Entre os 91 trabalhadores contam-se, além dos portugueses, oito espanhóis, dois angolanos, um moçambicano e um polaco, descritos como «pessoas com profunda marginalização social e uma cultura reduzida».

    Além de não receber os seus salários, os trabalhadores «viviam em condições penosas», sendo obrigados a ter, por exemplo, que fazer as suas necessidades fisiológicas na via pública porque as residências disponibilizadas pelos intermediários «não tinham condições».

    «Viviam em condições quase de indigência», disse fonte policial.

    http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=785978&div_id=291

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