Sobre o recente disparar do número de desempregados em Portugal

Embora existissem alguns sinais que indicavam que o número de desempregados em Portugal tinha finalmente parado de crescer, o INE revelou recentemente que no quarto trimestre de 2006 a taxa de desemprego tinha subido para 9,2%, mais 0,2 em relação ao período homólogo, e mais 0,8% comparativamente com o trimestre anterior. No total, existem em Portugal, actualmente 458 mil desempregados…

Quando confrontado com estes números, o ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, que a este ritmo se arrisca a mudar de título para “ministro do Desemprego e da Inércia Social”, Vieira da Silva, declarou que se “tratava de um momento e não de uma tendência”… O ministro optou assim por enfiar a cabeça dentro da areia…

Mas mesmo que a tal dita “Retoma” se afirme mesmo como verdadeira e substancial, isso implicará uma redução do número de desempregados? E como esquecer que um número crescente deles tem mais de quarenta anos e que o mercado de trabalho, os gestores e empresários portugueses e até, o próprio Estado, se recusam a empregar pessoas que tenham mais de 40 anos, sem terem em conta a sua experiência ou qualificação profissional? E que a maioria dos jovens (até aos 35 anos) têm actualmente um emprego precário? E que quando se encontra finalmente um emprego, depois de longos meses ou anos de busca incessante, este é geralmente mais mal remunerado que o anterior? E precário, quase de certeza…

O que pode o Estado fazer além de enfiar a cabeça debaixo da areia e esperar (sentado) que o “Mercado” resolva o problema? Bem… Pode começar por aliviar os impostos que as empresas pagam pelos empregados com mais de quarenta anos, incentivando as empresas a contratar pessoas desta faixa etária e reduzindo em geral a carga fiscal que tem pagar quem contrata, em todos os outros segmentos da população laboral portuguesa… É que é preciso não esquecer que a maioria dos trabalhadores de quarenta anos de idade tem filhos em idade escolar ou pré-escolar e que o seu desemprego acarreta para além de um drama pessoal a erosão significativa da qualidade de vida de uma criança e de um futuro cidadão que o Estado tem o dever de acarilhar e proteger, tanto como os seus pais…

Fonte: Agência Financeira

Categories: A Escrita Cónia, Economia, Sociedade Portuguesa, Websites | 6 comentários

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6 thoughts on “Sobre o recente disparar do número de desempregados em Portugal

  1. Assino por baixo o que aqui dizes. Não podemos esquecer que os desempregados com mais de quarenta anos ainda têm mais de vinte anos de vida activa pela frente e normalmente estão a pagar uma casa. Um problema muito grave mas ao qual este governo parece não dar muita (se é que dá alguma) importancia.
    abraço

  2. vic

    Onde estão os 50.000 empregos novos do socrates?Abraço.

  3. se calhar foram confundidos com os 50 mil boys do PS contratados por este país fora…

  4. É verdade, cada emprego que consigo encontrar é sempre mais mal pago que o actual.

  5. é mesmo… é sempre assim, não é?
    uma pessoa constroi uma carreira durante 20 anos e depois
    zás
    volta à estaca zero e ao ordenado pouco-mais-que-minimo.

  6. FCoelho

    E ainda se pede aos portugueses que invistam por conta própria.
    Fiz e foi o maior erro da minha vida, pois agora com 43 não consigo arranjar trabalho e tenho 3 filhos.
    Se vos propuserem a criação da própria empresa não pensem 2 vezes pensem 50 vezes, se o fizerem garanto-vos será o maior erro da vossa vida.

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