Da Demissão de Jardim e dos perniciosos efeitos do Offshore da Madeira


Sócrates e Jardim numa das mais geniais montagens do WeHaveKaosInTheGarden

“Decidi apresentar a demissão do governo regional porque não estou em posição de enfrentar esta multiplicação de novos problemas, sem um mandato claro do eleitorado da Região Autónoma da Madeira. Coloco-me nas mãos do povo, mas ao recandidatar-me à liderança do governo regional demonstro que não fujo, nem abandono, quando as circunstâncias estão insuportavelmente muito mais difíceis.”

Alberto João Jardim ao anunciar a demissão do Governo Regional da Madeira.

Pois estão, caro Alberto João! As circunstâncias estão muito mais dificeis, mas sobretudo porque aparentemente a velha dança da ameaças e da baixa chantagem com que Jardim soube esmifrar dos cofres da República já não tem o público fiel e amedrontrado de sempre, mas alguém tão teimoso e obstinado como Sócrates… Não quer isto dizer que ache Sócrates um bom Primeiro Ministro, não o é, mas é certamente muito mais competente na aplicação da Cartilha imposta por Bruxelas e pelos economistas mainstream do que qualquer outro dos seus antecessores, mesmo ao ponto de afrontar o até então invencível Jardinossaurus madeirense… É certo que Sócrates viu a sua rectaguarda coberta pelo sisudo e “economista” Cavaco Silva, que nunca conseguiu muito bem as alarvidades que surgiam da Madeira durante os seus mandatos como Primeiro Ministro e que vê agora consuma uma tardia vingança pessoal contra os arrevoados jardínicos…

Mas o que é mais irónico nesta questão da Demissão de Jardim é que… Ele tem razão ao protestar contra a aplicação à Madeira da nova Lei das Finanças Locais… É que se a Madeira se destaca agora da média do PIB nacional não é porque esteja efectivamente mais rica do que a média, sobretudo porque as grandes, extensas e graves áreas de pobreza na ilha são sobejamente conhecidas, é porque o famigerado Offshore da Madeira catapulta para a estratosfera os rendimentos supostos dos ilhéus, quando na verdade, o Offshore pouco emprego cria e quase nenhuma riqueza traz, já que os Bancos, os Especuladores e demais que por aqui frutificam não passam de “empresas virtuais”, por vezes, sem mais presença do que uma caixa postal ou um escritório de um advogado… Mais uma vez, a Economia real é prejudica por esse artificialismo que é o “Mercado de Valores” e as “Engenharias Financeiras” que para além do enriquecimento brutal e escandaloso de umas centenas, produzem a miséria em muitos milhões… E agora agravam o estado económico daquela que é efectivamente ainda uma das zonas mais pobres de Portugal, apesar de um “governo estável” (onde estão as suas vantagens?) de Alberto João Jardim, desde 1975…

De uma forma ou de outra, aposto como Jardim daqui a uns meses está de novo no poleiro na Madeira, vociferando com uma energia renovada os seus protestos contra o “Continente” e reclamando parte de Leão no cada vez mais encolhido Orçamento de Estado. Querem apostar?

Fonte: Diário Digital

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Categories: Economia, Política Internacional, Política Nacional, Websites | 11 comentários

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11 thoughts on “Da Demissão de Jardim e dos perniciosos efeitos do Offshore da Madeira

  1. Golani

    “É que se a Madeira se destaca agora da média do PIB nacional não é porque esteja efectivamente mais rica do que a média, sobretudo porque as grandes, extensas e graves áreas de pobreza na ilha são sobejamente conhecidas, é porque o famigerado Offshore da Madeira catapulta para a estratosfera os rendimentos supostos dos ilhéus”

    qual é o PIB da Madeira, com e sem off shore ?

  2. A propósito, já não há mais ninguém na Madeira capaz de destronar o Jardinossauro? Desde que nasci sempre ouvi Jardim, Jardim, Jardim…da Madeira.
    Que se passa?
    Não vão me dizer que é democracia!

  3. A Madeira vive de dinheiros publicos. A maior parte da população trabalha para o governo. A iniciativa privada quase não conta nas contas publicas Madeirenses. Esse é o grande medo do Jardim e o paraiso que é a Madeira vai acabar. Para um governo de um partido que se diz liberal a politica economica é quase mais estatizada que os antigos regimes comunistas.
    abraço

  4. Nem é preciso apostar, o jogo está viciado e ganho à partida!
    Gostava de ver esse fulano numa jangada no meio do Atlântico, com um penico como remo!

    Abraço.

  5. golani:
    De http://www.gov-madeira.pt/madeira/conteudo/displayconteudo.do2?numero=263
    “De notar que em 1988 o PIB per capita da Região era de 43% da média comunitária, representando em 2001, de acordo com os dados da Direcção Regional de Estatistica, 79% desse mesmo referencial e 112% da média nacional.”
    ou seja, segundo o pp governo da Madeira, o PIB da ilha é 12% acima da média nacional…

    e a parte destes 112% é… 25%! O que a coloca de facto, bem abaixo da média nacional! (http://clipping.planejamento.gov.br/Noticias.asp?NOTCod=212856)
    “PROSPERIDADE: Com apenas 250 mil habitantes, a Ilha da Madeira depende em mais de 25% do seu PIB da atividade dos bancos que operam no offshore local. O arquipélago é formado por quatro ilhas e apenas duas são habitadas, Madeira e Porto Santo. A Madeira, hoje região autônoma de Portugal,” (entre várias outras fontes!)

  6. egidio: não tem havido, não… o homem soube criar uma teia de cumplicidades, favores e, sobretudo, um apertado controlo dos media que lhe garantem a perpetuação no Poder… Isso mais a devida dose de demagogia que lhe têm garantido as maiorias e que agora lhe garantirão provavelmente a maior maioria de sempre!… Especialmente agora que até tem algumas razões para estar danado (embora nunca o tenha incomodado o facto de ter na ilha o tal famigerado Offshore)

    Kaos: Ao que parece,apenas 10% do PIB da ilha vem das suas empresas… Então de onde vem o resto? do OGE e do Estado madeirense? Mas assim como pode ser a ilha alguma vez autosustentável?

    Klatuu: é precisamente assim que ficarão os madeirenses se algum dia lhes fôr fechada a torneira de fundos do “continente”… A Madeira, sobreviveria sem eles (ou melhor dizendo, independente) mas sofreria uma acentuada quebra no nível de vida…

  7. O Dante era um fracolas… escreveu os três versos da epígrafe… fumou uma e caíu para o lado e foi para o Inferno… E depois eu, que levo uma vida saudável com muita ginástica… lá tive que escrever o resto!

  8. Golani

    “(http://clipping.planejamento.gov.br/Noticias.asp?NOTCod=212856)”

    através do Google tb encontrei esse site, queria algo mais substancial e credível

    mas admitindo que os valores estão correctos

    e fazendo uso destes números:

    http://epp.eurostat.ec.europa.eu/pls/portal/docs/PAGE/PGP_PRD_CAT_PREREL/PGE_CAT_PREREL_YEAR_2007/PGE_CAT_PREREL_YEAR_2007_MONTH_02/1-19022007-EN-AP.PDF

    GDP per inhabitant, 2004 PPS, EU27=100

    Norte 58.8
    Algarve 77.1
    Centro (PT) 64.3
    Lisboa 105.8
    Alentejo 70.3
    Açores 65.9
    Madeira 90.8

    se “retirarmos” o contributo do off shore então é a Madeira fica a cerca de 68,1 da média Europeia (praticamente ao nível dos Açores), então qual é a razão de criticar o AJJ por este não aceitar uma redução dos fundos estruturais para a Madeira ? eheheh

    (pode-se critica o homem por outras coisas, nomeadamente o facto que a Madeira afinal não se desenvolveu assim tanto )

    PS: isto admitindo que o off shore corresponde a 25% do PIB

  9. Concordo plenamente contigo, Rui. E isso preocupa-me muito, porque se ele já é arrogante, imagina depois!…
    Abraço

  10. Golani: eu não o critico… não neste ponto! o que critico é nunca lhe ter ouvido discurso sobre o offshore e sobre os seus efeitos perniciosos na Economia… Isso seria expectável numa figura mais consistente do que Jardim… Os Offshores não passam de artificialismos criados para que as grandes multinacionais, bancos e especuladores se furtem aos impostos que todo o resto da sociedade paga e de que cuja aplicação também beneficiam, e devem terminar em todo o mundo. O que não quer dizer que um país, se quiser, possa não cobrar impostos sobre as empresas, ou cobrá-los muito baixos. Pode fazê-lo, mas esta anomalia, que são os offshore dentro de países, essa é que tem que terminar, a bem da Verdade económica e da prosperidade de todos. Como se viu neste caso.

    Tb: Depois… vai andar a gabar-se de que o Povo da Madeira o apoiou contra mais esta manobra do “Continente” pelo menos durante mais duzentos anos e de permeio lá delapidou mais algum do nosso dinheiro num plebiscito de resultados antecipados. Aliás, com o tipo de Regime que anda pela Madeira, para que é que servem mesmo eleições?…

  11. petraev

    Epah..não percebo nada! Então e aquele pequeno pormenor da limitação de mandatos?? É com retroactivos, por isso não percebo como é que ele se pode recandidatar pela 87564231 vez!!
    Espera! Ta visto que deve ser mais uma vantagem de se ser dono da madeira 🙄

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