Agostinho da Silva: “Portugal continental, Portugal europeu só poderia queria que ele fizesse; a sua população, o seu espaço, a sua economia e a sua posição estratégica não permitiriam de jeito nenhum autonomias de longo alcance”

“Portugal continental, Portugal europeu só poderia queria que ele fizesse; a sua população, o seu espaço, a sua economia e a sua posição estratégica não permitiriam de jeito nenhum autonomias de longo alcance. Só um Portugal que fosse apoiado e defendido por territórios da mesma cultura e de língua, independentes e além-mar, poderia ter alguma possibilidade, primeiro, de uma reforma radical; segundo, de uma contribuição séria para a re-hispanização da Espanha; terceiro, de se preparar para a influência que deveria exercer sobre a própria Europa.”

Agostinho da Silva: “Ensaios sobre Cultura e Literatura Portuguesa e Brasileira I; Âncora Editora.

Portugal não é um país normal. E é precisamente este vão movimento para o tornar em tal que está na raíz das dificuldades crónicas de Portugal enquanto país. Portugal não é um país europeu, no sentido restrito, mas um conceito virtual, produto de uma conjugação muito especial de factores e que resulta do cruzamento de várias matrizes étnicas e culturais nesta Finisterra peninsular. É esta própria posição periférica que nos tornará sempre num actor menor e subalterno da Europa, cujo centro económico, político e cultural residirá sempre ao Norte. Não é portanto do interesse nacional pertencer a uma entidade transnacional onde seremos sempre um membro da periferia, longe dos círculos de Poder e sem capacidade para interferir ou determinar os verdadeiros centro de Poder de uma eurocracia distante, fria, economicista e frequentemente racista em relação aos povos do Substrato Mediterrânico.

É por isto que o futuro de Portugal tem que residir no Atlântico e mais além, onde vive ainda a sua Alma profunda e para onde está virado o rosto que forma a sua geografia como bem o reconheceu Fernando Pessoa na sua “Mensagem”:

A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.

Fita, com olhar ‘sfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal.

 

E se fita, fita o seu Futuro… A constituição de uma União Política, Económica e Militar com o Brasil e, numa segunda fase com a Galiza e com os restantes países da Lusofonia.

 

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4 thoughts on “Agostinho da Silva: “Portugal continental, Portugal europeu só poderia queria que ele fizesse; a sua população, o seu espaço, a sua economia e a sua posição estratégica não permitiriam de jeito nenhum autonomias de longo alcance”

  1. Não conheço o movimento quintano, mas penso que essas idéias são bem ‘ousadas’. Quanto à situação contemporânea de Portugal – como do Brasil -, penso que provém de alguns séculos atrás, precisamente da colonização portuguesa. Não havia projeto algum de um Portugal se ‘realizando’, no Brasil; o que havia era apenas uma colônia extrativista. Talvez isso reflita um pouco a situação de Portugal há alguns séculos atrás, também, tanto quanto a vinda da família real ao Brasil, e depois à dependência desse país…

    Mas considero as idéias interessantes. O que você pensa a respeito?

    um abraço,

  2. o Movimento Quintano é algo que tem impulsionar desde há algum tempo, e consiste fundamentalmente no cruzamento das ideias de Agostinho da Silva, com as de E. F. Schumacher e as da chamada “Tradição Portuguesa”, adaptando o conjunto ao momento presente… A essência do Movimento é esta:
    http://movv.org/movimento-quintano-sumario-do-programa/
    e os textos que escrevi estão aqui:
    http://movv.org/tag/movimento-quintano/

    O Portugal que fundou o Brasil já não era o verdadeiro e essencial Portugal… Era a versão toldada e disforme das influência do norte da Europa. O Brasil foi fundado pelos verdadeiros portugueses que procuraram além-Atlântico recriar um país que os desmandos inquisitoriais e do catolicismo radical lhes tinham tirado na própria Pátria. Por isso Vieira e Agostinho, encaram o Brasil como a consusbtanciação de Portugal, não enquanto País, mas enquanto “Ideia”, já que é disto que realmente se trata. A Portugalidade, não é algo que tenha a ver com a Nacionalidade, mas com a Essência de uma forma de estar no Mundo, Universalista, Tolerante e… Profética…

  3. Ultramar

    Portugal e Brasil não somente falam a mesma língua, com pequeninas diferenças – até aqui há diferenças -, mas qual brasileiro não tem sangue português? Pouquíssimos. Qual brasileiro não tem um sobrenome português? Pouquíssimos. Portugueses e brasileiros não são cristãos, em sua maioria? Os costumes, a alimentação, não somos bem parecidos, apesar do oceano a nos separar? Ou os brasileiros são mais parecidos com italianos, franceses, alemães…?
    Acho que o pequeno Portugal cresceu, se agigantou através do Brasil, que, de certa forma, é sim uma continuação, uma parte ou uma ampliação de Portugal. No espírito, na essência… Como você disse, Rui.
    As outras antigas colônias também têm algo de Portugal, porém menos: são poucos os decendentes de portugueses; seus costumes, seus hábitos não são tão próximos; sua forma de ver as coisas, o mundo, também não;
    Não há nenhum lugar no mundo onde há mais de Portugal do que no Brasil. Mas os portugueses se vêem mais próximos dos outros da Europa do que do Brasil. Aqui é um pouco diferente: o Brasil procura se aproximar mais dos vizinhos, mas os vemos como diferentes e desconfiamos deles. Nunca os brasileiros vão se ver mais próximos dos vizinhos e nem confiarão mais nesses do que nos portugueses, por exemplo. Mas, apesar disso, também não há aqui (por enquanto) uma movimentação por uma ampliação dos laços com Portugal…infelizmente.

  4. E contudo nem todos os portugueses sentem afinidades com os povos do norte da Europa… Temos uma relação doentia, de subserviência e de inferioridade patogénica com esses Bárbaros que destrói o nosso orgulho nacional e que castra a verdadeira raíz daquilo que é a portugalidade… Gozam connosco e com os nossos irmãos mediterrânicos, espanhóis e italianos chamando-nos “club med”. Penso que a matriz da originalidade lusa – transplantada para o Brasil e frutificante neste – acabará por emergir à superfície e afirmar a originalidade de ser “português” a estes bárbaros loiros do Norte, mais cedo ou mais tarde, mas certamente coincidindo com o momento do colapso deste sistema globalizante e neoliberal que se vem afirmando no mundo…

    O Brasil é o maior milagre que Portugal jamais realizou na sua História, que foi o de o manter uno e coeso, enquanto a américa espanhola se fragmentava e entrava em estéreis guerras e conflitos internos… E por isso o Brasil se sentirá sempre um tanto alienígena num continente onde a fala castelhana é norma e sabendo nós como a língua é esteio fundamental de qualquer cultura, percebemos como é profundo esse sentimento de diferença de que falas…

    Quanto à inexistência de movimentos ou de sentimentos de aproximação entre Portugal e o Brasil… É certo que são raríssimos em Portugal (além de mim, não conheço mais ninguém vivo que o defenda – já que Agostinho já faleceu…), e provavelmente igualmente raros no Brasil. Mas o sentimento de comunidade, a língua e até o próprio coração e a conveniência económica e política jogam a favor do tempo… em que se efectuará a Re-União sonhada por Agostinho da Silva…

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