Sobre a discriminação racial na 10ª Feira de Emprego de Lisboa…

“Procuramos africanos que queiram regressar a África”

Este era o Slogan de uma das empresas de recrutamento de Pessoal que participaram na última Feira de Emprego que se realizou de 10 a 11 de Fevereiro em Lisboa e pode ser ainda lido no site da dita feira:

“10ª Feira de Emprego de Lisboa mais de 50 multinacionais á procura de candidatos Angolanos que queiram voltar a Angola.”

Espera lá… Mas isto não é discriminação fundada em bases raciais? Ou seja, estas “multinacionais” só aceitam indivíduos de raça negra? Não tenho nada, em princípio, contra a chamada “discriminação positiva”, mas dentro de certos limites, como a imposição de quotas para o recrutamento de uma percentagem mínima de mulheres ou de indivíduos oriundos de minorias étnicas, mas excluir completamente a contratação de alguém apenas por condicionamentos étnicos parece-me uma flagrante violação da Moral e da Lei e espanta-me como é que esta informação foi repetida várias vezes na televisão, perante a passividade dos repórteres e como é que continua ainda presente (neste mesmo momento) no próprio site da Feira de Emprego…

O que está a fazer a CICDR – Comissão para Igualdade e Contra Discriminação Racial”?

Nomeadamente a respeito deste ponto:

A Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial (CICDR) foi criada pela Lei n.º. 134/99, de 28 de Agosto.

Esta Lei tem por objecto prevenir e proibir a discriminação racial sob todas as formas e sancionar a prática de actos que se traduzam na violação de quaisquer direitos fundamentais, ou na recusa ou condicionamento do exercício de quaisquer direitos económicos, sociais ou culturais, por quaisquer pessoas, em razão da sua pertença a determinada raça, cor, nacionalidade ou origem étnica.

Acha que o Racismo é um fenómeno disseminado em Portugal?
1) Sim
2) Não

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Categories: A Escrita Cónia, Política Internacional, Política Nacional, Sociedade Portuguesa | 8 comentários

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8 thoughts on “Sobre a discriminação racial na 10ª Feira de Emprego de Lisboa…

  1. Penso que o racismo continua vivo sobretudo na população mais velha. mesmo muitos daqueles que dizem não o ser acabam muitas vezes por, na prática, o demonstrar. Neste aspecto tenho uma grande esperança nesta nova geração. Os meus filhos desde pequenos que convivem nas aulas com gente de todas as cores, religiões e nacionalidades. (uma das grandes vantagens das escolas publicas). Esta convivencia é saudavel e só ela pode fazer acabar com preconceitos mostrando-lhes que são todos iguais nas suas diferenças.
    abraço

  2. Gostei do novo visual.
    Sobre a discriminação…responderei amanha.
    Mas uma coisa fica: a publicidade não vem por acaso. Parte de um principio falacioso, duplamente ferido:
    1. A falácia de que os africanos estão a tirar pão aos portugueses, ou no mínimo, de que a imigração desorganizada e que esta tirar a Portugalidade aos portugueses acaba-se repatriando os africanos para África (tenho me batido com este tema nos blogues de alguns portugueses)
    2. A Falácia de que, ao promoverem aquilo que chamam “discriminação positiva”, partindo de um pressuposto errado de que os africanos não voltam para África por falta de emprego nos seus países, dizia, estariam a ajudar a África a se reerguer.
    O resto, amanha, por favor.
    Abraços.

  3. Gosto muito do novo look do teu blog. parabéns.
    Quanto ao tema em questão, penso que é normal que procurem indivíduos naturais de Africa, mas claro que não deixa de sobressair algum racismo

  4. kaos: é verdade! mas não penso que este aracismo luso seja uma coisa de agora, é uma coisa que está nos nossos genes e que radica do facto do verdadeiro português ser um cruzamento de vários povos e raças, desde os africanos do Norte (berberes e cabilas), aos germanos (suevos e visigodos), passando por lígures, celtas, etc. Tudo isto, misturado neste cadilho, deu o português. O Racismo é um defeito que importámos (como tantos outros) dos bárbaros germânicos do norte que hoje mandam em nós, não é coisa endógena, é algo exógeno!
    egidio: eu sei… tenho “monitorizado” os teus debates com o Máquina Zero, um blogger interessante, mas beirando por vezes os limites da mais extrema radicalidade (perdoa lá esta classificação, Máquina!) Como já disse algures, sou Utilitarista (curiosamente tenho aqui na secretária precisamente a “ética prática” do Peter Singer…) e defendo como esta corrente, o princípio da Discriminação Positiva como formar de reequilibrar desiquilibrios e repôr injustiças. Defendi esta posição a propósito das quotas para deputadas, p.ex… Mas neste caso, estamos além disto! É racismo puro! não contratar por base na Raça!? É isso que acho muito mal, e choca-me a passividade dos Media a este propósito…
    Sá: eu tb gosto muito! por vezes temos que mudar alguma coisa, para não cair no torpor do quotidiano… e eu compreendia se houvesse algum favorecimento… mas não o que há é exclusão com base na cor da pela (branca, neste caso, o que é irrelevante, e que só revela que estes senhores africanos desta empresa aprenderam demasiado bem a lição do nosso colonialismo em África…) Felizmente, sei que nem todos os africanos pensam assim! embora julgue que este “racismo branco” seja mais comum em Angola do que nos restantes PALOPs… pelo menos é que me dizem os africanos que conheço (que aliás, se queixam tb do modo superior como alguns angolanos os encaram…) mas posso estar enganado, e se estiver, gostaria que aqui me corrigissem.

  5. Eu estou um pouco fora do assunto, mas o texto era só “Angolanos que queiram voltar a Angola.”? Se sim è discriminção por nacionalidade. Não è nada que não se faça na europa… por exemplo nos bares do algarve que metem anuncios para “bartenders” Britânicos. Eu não falaria de racismo, mas de algo … tipo… nacionalismo. Eu admito que se estivesse no estrangeiro e quisesse contratar alguém para trabalhar comigo escolheria um/uma português , se possivel da minha região.

    Quanto a qual nacionalidade PALOP è mais racista, eu partilhei casa com 9 colegas de Angola, Guiné e Moçambique. A amostra foi pequena mas fiquei com a impressão que os Moçambicanos são os que têm menos ressentimentos contra Brancos/Portugueses, e que os Angolanos não são os que têm mais. Acho que se code tirar uma correlação sobre esse “racismo” ser apenas uma reacção aos crimes da guerra Colonial.
    Vejam o caso de portugal, os espanhós não nos invadem há 400 anos e ainda è considerado socialmente aceitável fazer comentários xenófobos contra eles.

  6. Deve haver alguma falta de informação aí.

    Uma boa fatia dos empregos oferecidos nessa feira,
    era oriunda de empresas angolanas que procuram atrair os
    quadros angolanos, que estão espalhados pelo mundo,
    muitos em Portugal. Daí ter havido essa focalização nos africanos.

    Existe uma lei em Angola que exige que 70% dos trabalhadores
    sejam nacionais.

    Penso que a questão não era racista, mas um requisito do cliente.

  7. Penso que todos gostam do país onde nasceram… Se estavam a dar oportunidade aos que por acaso da vida tiveram de emigrar para ter uma vida melhor para voltar aonde nasceram, não vejo mal nisso.

    Hoje em dia tudo é tomado como um acto de racismo.

    A seguir começam a falar em discriminação baseada no facto de se não se ter uma licenciatura em medicina para se poder ser médico. Ora sinceramente…

    Já agora porque não falar na discriminação no desporto? Como a exigência de que uma percentagem de jogadores dum clube terem de ser portugueses?

    A descontextualização é a melhor amiga daqueles que na mais inocente das frases acham discriminação.

  8. o texto no site é bem menos expressivo do que as palavras do “agente recrutador” perante as câmaras de tv… este dizia taxativamente: “procuramos africanos”, com o evidente sentido de se referir a individuos de raça negra “que quisessem regressar aos seus países de origem”.

    O que me choca é a selecção fundada num critério racial, e a sua vertente absoluta. Não favorecem, não têm quotas. Simplesmente excluem tudo o que não fôr da raça certa…

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