O Referendo da IVG: O Argumento do “Menor Sofrimento”

“Poder-se-ia pensar que o movimento teria indirectamente significado moral, na medida em que trataria da indicação de alguma forma de consciência – e, como já vimos, a consciência e a capacidade de sentir prazer ou sofrimento têm um significado moral real.”

(…)

“Com base em estudos que demonstram que o movimento tem lugar tão cedo quanto seis semanas após a fertilização, associados a outros estudos que deram conta de alguma actividade cerebral na sétima semana, aventou-se que o feto poderia ser capaz de sentir dor nessa fase inicial da gravidez.”

página 162

Ética Prática, Peter Singer, Gradiva, Lisboa, 2002.

Não é o facto de embrião apresentar a capacidade de se mover que determina a sua capacidade para Sofrer, Sentir prazer ou estar “animado” por uma Alma ou ter Consciência de Si. A actividade cerebral na sétima semana, já merece outra atenção… Parece ser ainda demasiado fraca e dispersa para poder representar algum dos três factores de fronteira que definimos inicialmente como pontos essenciais na defesa pelo “Sim” neste Referendo:

1. O embrião sente Dor?

2. O embrião sente Prazer?

3. O embrião tem Consciência de Si?

Mas estes três, são sobrepostos por aquele que é o verdadeiro argumento fundamental: o Sofrimento…

Todos concordarão quando se diz que uma criança que não é desejada tem mais probabilidades de ser alguém Infeliz ao longo da sua infância, junto dos progenitores que não desejaram ou que o abandonaram e que existe uma tendência esmagadora para constituir um adulto infeliz e, consequente, um pai/mãe que provoca por sua vez a infelicidade e o sofrimento nos seus filhos. Assim, ainda que o embrião possa a partir das 7 semanas sentir alguma dor (Sofrimento) este será certamente inferior à carga de Infelicidade que terá que transportar durante toda a sua vida por não ter sido querido, nem desejado…

Se existe uma balança com dois pratos, e se num destes, o peso do Sofrimento é menor, não devemos então escolher este e…

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Categories: A Escrita Cónia, Livros, Referendo da IVG, Sociedade Portuguesa | 4 comentários

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4 thoughts on “O Referendo da IVG: O Argumento do “Menor Sofrimento”

  1. Mais uma vez estou de acordo contigo e volto a frisar que votar sim, não quer dizer que se seja a favor do aborto.
    Um Abraço.

  2. Pois é Rui.
    acho que o não desejo é uma coisa triste e que se “cola” ao ser como um ferro a arder marcado na pele, que o vai acompanhar pela vida fora. Depois vêm as inseguranças, depressões, maus tratos, etc etc…
    Ainda há quem me responda que as mulheres devem ter os filhos e dá-los a instituições. Perguntei a uma pessoa o que era para ela vida e respondeu-me que era estar vivo. Não importa as condições em que se viva.
    Tudo isto é tão revelador do nível das consciências que nos rodeia…

  3. Outsider: Pois não! ao contrário do que os fundamentalistas excomungadores do Não tentam fazer crer! ninguém se pode opor mais ao Aborto do que eu, que já tanto escrevi sobre a grave crise demográfica que assola Portugal e contra a criminosa passividade de sucessivos governos…

    Tb: exacto… é uma espécia de acto que gera uma corrente infinda de actos negativos e um sofrimento contínuo que se estende de geração em geração… sim, porque pais que foram filhos indesejados, tratarão mal os seus próprios filhos (tendencialmente), e estes por sua vez tornarão a fazer o mesmo… E a opção de os “dar”… É uma treta! em Portugal os processos de adopção levam em média 3 anos, por vezes 5! e as crianças gastam numa instituição os tais 4 fundamentais anos de formação de carácter e personalidade? e os pais biológicos que têm 5 anos para “recuperar” os seus filhos após a adopção?

  4. Sao mais alguns argumentos do Sim. Mas como eu vou votar Não. a mim não me dizem muito. No entanto, a discussão é sempre bem-vinda 🙂

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