O Referendo da IVG: 1º Argumento (a fertilização In Vitro)

“Em 1978, o nascimento de Louise Brown levantou uma nova questão em relação ao estatuto da vida humana nos seus primórdios. Louise Brown foi o primeiro ser humano a nascer a partir de um embrião fertilizado no exterior do corpo humano. O êxito de Robert Edwards e Patrick Steptoe ao demonstrarem a possibilidade de fertilização in vitro (FIV) assentou em vários anos de experiências com embriões humanos – nenhum dos quais sobreviveu. A FIV constitui hoje um modo de proceder rotineiro para certos casos de infertilidade e deu origem a milhares de bebés saudáveis. No entanto, para se chegar a este ponto, muitos mais embriões tiveram de ser destruídos no decurso de experiências científicas.”
página 156

Ética Prática, Peter Singer, Gradiva, Lisboa, 2002.

É por esta razão que quem realizou, realiza, ou antevê realizar a breve prazo um processo de fertilização In Vitro não pode – em plena consciência – ser um opositor do “Sim” ao Referendo… Todas as fertilizações (FIV) contemplam sempre (se forem bem sucedidas) e necessariamente a produção de vários embriões que são depois destruídos ou armazenados, e nada distingue estes embriões daqueles que persistem no interior do ventre materno, com excepção do local onde são inseridos ou não…

Ou seja, é moralmente incompatível defender a “santidade” do embrião no sentido em que este deve ser preservado a todo o custo e que é já um “ser humano” e depois praticar a FIV… Alimentar esta contradição é como votar “Não” e participar na Campanha pelo “Não” e depois, fazer parte daquela lista de duas mil mulheres que vão abortar a Badajoz todos os anos…

Qual será o seu sentido de voto a 11 de Fevereiro?
1) Sim
2) Não

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Categories: A Escrita Cónia, Livros, Referendo da IVG, Sociedade Portuguesa | 3 comentários

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3 thoughts on “O Referendo da IVG: 1º Argumento (a fertilização In Vitro)

  1. Eu nem sou tão rebuscado nos meus argumentos. Respeito e acredito nas mulheres o suficiente para escolherem. (sei que nunca é uma escolha fácil para nenhuma delas).
    abraço

  2. Aconselho, se me permite, a seguinte leitura:

    http://dre.pt/pdf1sdip/2006/07/14300/52455250.PDF

  3. Estou contigo nesta questão, como de certeza já reparaste pelo meu blog. Continuo a não compreender como se pode defender o indefensável para manter uma lei que já se viu que não serve. Eu sou contra o aborto, mas voto sim, pois sou a favor da liberdade de escolha e quero que o flagêlo do aborto clandestino seja reduzido a um mínimo. Esta atirar de areia para os olhos e mudança das regras do jogo a meio do mesmo são um sinal de desespero, de quem já não tem argumentos… Onde andaram estas medidas propostas agora pelos defensores do não, nos últimos 8 anos???
    Um Abraço.

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