O Açúcar da “Papisa Joana”

Ando agora a ler a biografia romanceada da misteriosa e polémica “Papisa Joana” numa edição da Presença (ver AQUI). O texto surge recheado de alusões “feministas” sobre os escassos (nulos?) direitos humanos das mulheres na época, infelizmente perfeitamente correctas no contexto social da Alta Idade Média carolíngia, mas numa das primeiras páginas do livro dei com um erro de palmatória… (ver AQUI)

Joana, a futura papisa, ainda menina entra no salão do Bispo, que fundou a Escola onde irá estudar e encontra um fausto banquete a decorrer… E sobre a mesa vários doces… feitos de açúcar. A palavra açúcar fez logo tocar umas campaínhas cá dentro, porque não me pareceu que fosse conhecido na Europa do século VIII d.C. Os próprios árabes e egípcios aprenderam com os persas a produzir açúcar sólido, mas apenas no século X d.C. e a introdução do dito na Europa ocorreu apenas por volta do século XIII, mas somente no século XV é que haveria de conhecer uso corrente entre os europeus… Como num banquete “bispal”…

Enfim. Um erro. Compreensível, mas ainda assim um erro que mancha um livro que nos demais aspectos me parece absolutamente correcto e históricamente certeiro.

Enfim… Erro mais crasso, só mesmo aquele que alguém cometeu sobre os… crotalus

(ainda se lembram?)

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Categories: Alquimia, Economia, História, Livros | 10 comentários

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10 thoughts on “O Açúcar da “Papisa Joana”

  1. Crotalus… Crotalus… Eheheheh!

    Não li o livro, mas conheço mais ou menos a história. Li a teoria num outro livro qualquer.

  2. Nito

    Ok Rui…estás perdoado… 😉

  3. Não li ainda o livro, mas se recomendas fica na lista.
    Quanto aos crótalos se calhar as cascaveis também gostam de açucar…
    Um Abraço

  4. Nunca teria dado pelo erro do açucar de que falas se tivesse lido o livro (só tu para dares com os detalhes). Mas, se por um acaso extraordinário desse por um erro desses num livro ficala logo desconfiado de tudo o resto. Neste caso. e visto tu o recomendares vou colocá-lo na lista (longa) de livros para ler.
    abraço

  5. e mais para o fim fala também de “figos açucarados” outra incongruência idêntica… mas no demais (ao que sei, e a Alta Idade Média não é a minha especialidade) é fiável em tudo o mais…

  6. Fogo,não te escapa nada!

  7. Nito

    Infelizmente alguns romances históricos, para embelezar a trama falham com alguns detalhes históricos.

  8. mas neste caso… foi mesmo lapso. a autora nem deve ter posto a questão a si própria, e logo, não investigou… é um erro compreensível, mas serviu para aprender algumas coisas sobre a introdução do açúcar na Europa medieval!

  9. Pingback: O livro "A Papisa Joana" vai ser passado a cinema pelo realizador alemão Volker Schlondorff « Q u i n t u s

  10. amilcar lobo

    O livro não é original,o francês Maurice Lachatre já havia escrito sobre o tema.No Brasil há um romance similar:”A mulher que foi papa”,escrito na década de ’30 do século passado,por Inácio Raposo.Tanto o romance de Raposo como o de Donna Cross,contém anacronismos,o que é perdoável.
    A grande questão é saber se Joana é fato ou é mito.Muitos afirmam que ela efetivamente existiu,que teria sucedido Leão IV.A Santa Sé nega-a peremptoriamente.

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