A Lei, a sua Interiorização, o Civismo e o conceito de Paidéia


(http://www.educ.fc.ul.pt)

“Em Portugal, país do desenrasca permanente, a lei é coisa relativa, sempre ultrapassável, sempre fintável.”

António José Teixeira, Diário de Notícias, 20-12-2006.

E esta é precisamente a grande diferença que nos separa dos povos do norte da Europa… Os nórdicos interiorizaram a Lei a Civitate, a chamada ideia de Paidéia dos Gregos.

A palavra Paidéia vem do grego Paidos (“criança”) e começou por se limitar a significar “educação de crianças”, mas cedo evoluiu para aquilo que representaria no apogeu da Grécia Clássica: a educação dos cidadãos para vida cívica. A Educação grega não visava formar técnicos ou operários. Ela visava forjar uma comunidade de cidadãos nos conceitos de Liberdade e Nobreza de Espírito (a “Virtu” de Maquiavel).

É este cidadão exemplar que surje em Platão consumado na sua forma mais sustentada: a verdadeira Educação ou Paidéia é aquela que dá ao educando o desejo de ascender a cidadão, ditando-lhe como mandar e obedecer, procurando sempre a Justiça como objectivo primeiro e último.

E contudo não é este o modelo de Educação seguido em Portugal, e no Ocidente em geral. A Educação tem sido encarada como uma forma de treinar técnicos e de criar executantes de técnicas. Este é o modelo de uma Educação “Operativa” e tecnocrática que cria abortos culturais como Cavaco Silva, senhor de um Doutoramento, mas que no auge da sua actividade política se orgulhava de “não ler jornais, nem livros, apenas relatórios e dossiers governativos”. E é este ensino tecnocrático que falha e que se mostra incapaz de integrar as minorias étnicas que incendeiam a França todos os dias (longe agora dos holofotes dos Media). É este Ensino incompleto que é responsável pelas baixas taxas de civismo que testemunhamos hoje nas ruas (lixo pelo chão), nas nossas casas (vizinhos barulhentos), nos transportes públicos (empurrões selváticos) e que é a primeira causa dos crescentes níveis de abstenção e desinteresse pela “Res Publica” (“Coisa Pública”) do português dito “comum”, mais preocupado com os desenvolvimentos da densa (SIC!) trama do enredo da Floribella, ou com o último resultado do seu clube de Futebol do que com…

A Política,

A forma como é Governado,

E enfim, a Educação Cívica ou Paidéia…

Acha que os portugueses têm um nível de Civismo
1) Mais alto que a média europeia
2) Dentro da média europeia
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Categories: Educação, Movimento Internacional Lusófono, Política Internacional, Política Nacional | 7 comentários

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7 thoughts on “A Lei, a sua Interiorização, o Civismo e o conceito de Paidéia

  1. Realmente tends toda a razão. A grande falha do nosso sistema de ensino é não ensinar civismo. Se assim fosse, seriamos muito mais avançados, haveriam muito menos acidentes de automóvel e não estariamos sempre à procura de um buraco na lei que possamos usar a nosso favor…
    Um ABraço.

  2. Gostei muito deste post. Define claramente a ideia de educação vigente em Portugal. Eu, felizmente tive um Pai que era um curioso e que sempre defendeu a cultura geral e que os melhores professores do país deveriam estar na escola primária.
    um abraço

  3. penso que os Gregos e o Helenismo continuam a ter muito para nos ensinar… “Conhecemos” muito mais (Techne->Técnicas), mas “Sabemos” (Sofia->Sabedoria) muito menos…

  4. sa morais

    Só posso concordar com o que foi dito até aqui… E esperem pelas próximas gerações… Civismo?! K é ixo? Mas a verdade é que a nossa geração ( pais dos actuais miudos ) deve estar a falhar em alguma coisa… Talvez só se preocuparem com vaidades e materialismos? Hum… Por exemplo, para os miudos de agoras, os idosos são… velharias que não sabem nada! Não há respeito pelos idosos e nem se poe a hipotese de estes terem uma sabedoria que sirva de alguma coisa. Novamente, nossa culpa! Quando dizemos coisas como: Estes miudos de hoje já sabem tudo! Pois… Percebem de computadores, PSP’s, telemóveis, etc, etc… E o resto???

  5. Sá: quanto a isso não sei… parece-me que esta actual geração de jovens está mais bem “municiada” que qualquer outra para mudar realmente as coisas… nunca houve tanta informação tão disponível a tanta gente. E muitos jovens vivem causas cívicas e têm uma participação activa nestas. A sua percentagem deve ser ainda maior do que nos anos 80, onde vivi a minha juventude e onde a maioria dos jovens era civicamente amorfos.

    em suma: tenho esperança (fundada?) de que esta geração que alcança hoje a maioridade seja aquela que finalmente se livra das argolas do Salazarismo, do Pós-Revolução e de todas as cangas que nos impuseram desde Dom João III…

    tenho esperança!

    mas terei razão?

  6. Assim vai este país… e o poder de compra diminui e o desemprego aumenta.
    Começo a estar farto disto, é chegada a hora de sair à rua…
    Bom Fim de Semana

  7. sa morais

    Rui: Hum… Homem optimista! Se calhar sou eu que sou pessimista, mas tenho algum contacto que os miudos de hoje e… não vejo grande coisa… Mas estou a generalizar, claro! Há excepções! Felizmente… Mas a maioria… Esta é a gerção das facilidades, do “quero, peço e tenho”… O “tudo feito”, “tudo uniformizado”…
    Repara que os próprios pais se estão a descartar da educação dos filhos…

    A informação ciclópica, esse Graal dos nossos dias, pode ser uma faca de dois gumes. É que a informação é apenas mais sopa da panela da teoria… E ter uma boa “base de dados” mental não é tudo! Falta… a experiência, a realidade, o contacto com a realidade… Humanização!

    Quanto a uma consciência politica… Bem… Vai perguntar a uns miudos de 17, 18 anos o que foi, por exemplo, o 25 de Abril e és capaz de ter uma má surpresa.

    Acho sempre um exagero as tais frases: “Os miúdos de hoje sabem tudo!”
    É que já disseram o mesmo de nós e os nossos avós disseram isso dos nossos país! E os nossos filhos vão dizer isso dos nossos netos…
    E se sabem tudo, porque sabem sempre tão pouco sobre aquilo que escapa da esfera do ecrã de um computador ou de uma televisão?
    Quanto a mim, esta é uma geração como outra… Com mais informação, mais confortos, mas que até corre o risco da indolência, da obesidade narcisista, do materialismo ( ainda mais )desenfreado…

    È verdade que os miúdos estão mais consciencializados para certos aspectos como o ambiente, mas estão-se a desligar de outros aspectos importantes.

    Resumindo… Bem, vamos a ver quem tem razão! Espero que sejas tu!

    Abraço!

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