Somália: Um novo Afeganistão “talebanizado” mesmo ao virar da esquina?


Imagem: http://www.interet-general.info

O dito “Conselho Supremo Islâmico da Somália” que congrega as milícias islamitas que se apossaram do controlo da capital da Somália e da maior parte deste país do Corno de África declararam que estariam prontas a investir contra Baidoa, onde se refugiou o “governo transitório” composto por uma coligação de “senhores da Guerra” sudaneses desde que foi expulso da Capital, Mogadíscio em meados deste ano.

A ofensiva parece ter começado a 9 de Dezembro, com intensos combates registados em Dinsoor, uma cidade a sul de Baidoa e as forças do governo somali teriam recebido apoio não especificado do exército etíope, o qual já declarou ter forças em Baidoa e junto à fronteira, “prontas para intervir, se necessário”.

Na verdade, não existe nada que possa afirmar-se na Somália como “governo de transição” e aquilo que assume por essas bandas essa designação não passa de um aglomerado de bandidos e criminosos muitos deles envolvidos no episódio “Black Hawk down“.

A confirmar-se esta ofensiva e o seu mais que provável desfecho, assistiremos ao nascimento de mais um estado islâmico radical, bem ao lado de um outro, o Sudão e isto em plena “Guerra ao Terrorismo” e precisamente no mesmo local onde em 1993 as forças americanas sofreram uma humilhante derrota… Se as forças americanas não estivessem atulhadas no Iraque poderiam agora assistir na defesa de Baidoa (ainda que provavelmente estivessem a ajudar alguns dos seus antigos inimigos) e impedir o surgimento de um novo Afeganistão no Corno de África…

Fonte: Público

Categories: DefenseNewsPt, O Código da Vinci, Política Internacional, Sociedade | 22 comentários

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22 thoughts on “Somália: Um novo Afeganistão “talebanizado” mesmo ao virar da esquina?

  1. Realmente uma situação preocupante e que só mostra que ainda vamos no caminho errado. Com trantas frentes, a poderosa América já não sabe para que lado se virar. O pior é qie todos estamos a pagar pelos erros de um bush. Até quando.
    abraço

  2. com as forças americanas atoladas no Iraque, se eu fosse o Bin estaria agora a fazer as malas para a Somália… Isto é, se ele pode mesmo sair do buraco onde vive, quero eu dizer…

  3. Nito

    Cá para mim o Bin está a curtir nos states, caraibas,america do sul…
    os States não vão mexer uma palhota, aquilo não tem nem gaz natural, nem petróleo nem diamantes (que eu saiba), baseado nisto, dúvido que os Estados Unidos voltem à Somália.
    O iraque ao pé disto é um Club Med… ainda por cima da última vez que lá estavam levaram um uppercut ..
    enfim, vamos ver os próximos episódios..

  4. Anónimo

    Meus caros, desde quando é que os norte-americanos têm de resolver todos os problemas enquanto os europeus não mexem uma palha? Até porque se os E.U.A. interviessem na Somália, vinham lá os tipos do costume a criticar contra o imperialismo americano. Não estará na altura de a Europa fazer algo, em vez de só ter basófia?

  5. nã… deve estar mas é algures numa aldeia da fronteira paqui-afegã, entre os amigos pashtuns onde o governo paqui não mete o pé e onde o inepto e disperso “governo” afegão nem quer saber…

    tenho a certeza de que neste momento, na Casa Branca, já se congemina algo para deter este avanço islamita na Somália… Os EUA não podem (não devem) ficar parados perante a chegada ao Poder de mais uma “república islâmica” que pode servir de guarida à Al Qaeda (seja lá ela aquilo que fôr).

  6. anónimo: tem, evidentemente, toda a razão… Sendo a Somália um misto de antiga colónia britânica e italiana, competeria a estes dois países uma espécie qualquer de intervenção… É da sua (nossa) responsabilidade, e os dois têm meios aéreos suficientes para usando as bases francesas (defendidas pela Legião) travar o avanço dos islamitas.

    a Europa tem os meios…
    não tem é a devida…

    Vontade.

  7. Nito

    Acho que se corre o risco de entrar numa cruzada mundial, que não vai trazer nada de positivo.
    Republica / Reino / Emirado islâmico seja ele qual for vai ter logo inimigos (Bush & Blair), tanto os politicos, como os media aproveitam-se para criar um combate Ocidente vs. islão.

    Por mim acho que deve existir intervenções da ONU quando:
    – calamidades
    – refugiados, fome, epidemias
    – crimes de guerra
    Neste caso acho que nem os EUA, nem a UE,nem ninguem deve intervir.

  8. bem, até hoje nenhuma “república islâmica” trouxe algo mais ao seu povo além de torturas, repressão de direitos humanos e guerras com os seus vizinhos…

    a Somália é ainda uma calamidade… O país simplesmente não funciona, não tem governo digno desse nome, nem nenhuma estrutura estável ou funcional, nada mesmo.

    Na verdade, quem devia intervir aqui era a União Africana, com assistência da UEO (Itália, França e RU, principalmente)… Mas para intervir aqui, estabilizar o país, organizar eleições, enfim, tudo o que a ONU não conseguiu antes fazer era preciso antes acabar com o outro escândalo mesmo ali ao lado… Darfur…

    Outra solução seria dar à Etiópia um mandato da UE para estabilizar a Somália… Ela poderia fazâ-lo facilmente se recebesse apoio logístico e aéreo europeu e americano. Vontade de intervir têm eles… Já que estão muito nervosos com a aparição de um “califado” mesmo à sua porta…

  9. O motivo é bastante simples: não há petróleo na Somália, tampouco algum recurso econômico atrativo aos USA, para que se possa inventar um discurso dito “de libertação” e “humanitário”…

  10. Nito

    concordo catatau !

  11. catatau e nito: sim… mas não tarda nada a Somália (se cair mesmo num “emirato islâmico”) vai ser um viveiro de radicais treinando-se para se fazerem explodir no Ocidente e no Iraque… Os EUA estarão dispostos então a tolerar isso? Não seria melhor este problema ser tratado já, enquanto o controlo islamita na Somália ainda não é total?

  12. Nito

    na teoria talvez…mas na prática sabemos que isso vai ser deitar mais gasolina para a fogueira.. acho.

  13. Oi Rui,

    Essa questão é interessante, num ponto bem específico: o do terrorismo. É curioso notar que o terrorismo é um sintoma, de todas as relações econômicas, políticas e sociais contemporâneas. E, como um sintoma, há toda uma rede de funcionalidades que fazem desencadear e manter esse “sintoma”.

    Como extirpar esse sintoma? Obviamente, não simplesmente cauterizando as partes ‘doentes’. Deve-se, para combater o terrorismo, eliminar o tipo de relações políticas, econômicas e sociais internacionais que criam toda a desigualdade e desfavorecimento que propicia, como última consequência, o nascimento do terrorismo. E isso, os USA não estão nem um pouco interessados.

    O terrorismo é para os USA a outra face de uma mesma moeda; estaria os USA dispostos a mudar sua própria “face” dessa moeda, para que consequentemente mude também a outra?

  14. nito: a fogueira só arde porque tem madeira seca… Isto é, porque a Somália está um caos, sem governo efectivo, nem administração centralizada… Falta ordem e estabilidade e isso uma missão internacional série e forte (não aquela coisa tímida e fraca dos tempos de Clinton) poderia dar à Somália e ao Mundo que terá que lidar com esta fornalha de suicidas que ali se prepara para nascer.

    catatau: efectivamente, o Terrorismo é o resultado, e não a origem… Ele recolhe energias de sociedades e populações em esperança e excluídas da prosperidade material que se refugiam em ressentimentos mais ou menos antigos contra o Ocidente (ocupação colonial) ou contra Israel (Palestina) ou contra os cristão (Cruzadas). Para o eliminar de vez é necessária a força (a tal Manu Militare), para lidar com essa ameaça no imediato, mas é tb preciso suprir as sua causas: exclusão económica do 3º Mundo, miséria nas sociedades árabes, a questão palestiniana e iraquiana e mudar o discurso radical da actual Igreja Católica…

  15. Anónimo

    Caro catatau:
    “eliminar o tipo de relações políticas, econômicas e sociais internacionais que criam toda a desigualdade e desfavorecimento que propicia”: é uma falácia. Os terroristas do atentado em Londres não eram pobres, não sofreram nunca qualquer tipo de discriminação ou humilhação e não estavam desintegrados em relação à sociedade Britânica. Além disso, ouve um atentado no metro de Paris na década de 90 por um grupo terrorista argelino, ou seja, um atentado no país dos maiores lambe-botas dos árabes, a França.
    Será difícil de encaixar na cabeça que as causas do terrorismo islâmico é o fanatismo religioso profundo e o ódio exacerbado a tudo que não seja muçulmano?

  16. Nito

    estamos aqui a tratar de assuntos diferentes, a Somália e mais um leque de países africanos que se situam entre o Norte (egipto, argélia, tunisia…) e a africa austral, têm uma situação interna complicada, um misto de religião, anti-colonialismo e pobreza extrema para além disso vários grupos armados vivem do tráfego de pessoas e bens e detêm o poder pela força dentro dos próprios estados.
    Por um lado concordo que na teoria, uma intervenção poderia por fim a este estado de coisas, mas acho muito complicado porque:
    – o governo seria imposto e perdia legitimidade e credibilidade (governo fantoche sul americano)
    – as máfias locais vão ser substituidas por máfias “governamentais”
    – o ódio pró-ocidental vai aumentar dando força a outros grupos extremistas.

    A única maneira de conseguir (tentar) minimizar danos com a “talibanização”, seria terminar com o vírus pela raiz, apoiar o governo e o país através de ajuda alimentar, construção de infra-estruturas (estradas,escolas,rede de esgotos-agua…), pelo menos demonstrar que o que se pretende é ajudar e não colocar governos fantoches favoráveis à facção A ou B.

  17. Anónimo

    Caro Nito:
    Se na Somália os “líderes” são senhores da guerra e fanáticos religiosos:
    “apoiar o governo e o país através de ajuda alimentar, construção de infra-estruturas” = dinheiro mal gasto que serviria apenas para enriquecer os “líderes” perpetuando a mísera dos somalis. ou acredita mesmo que esses tipos estão mesmo preocupados com o bem-estar da população?

  18. nito: uma intervenção estrangeira poderia trazer a paz se fosse feita com tropas africanas, da UA… com apoio logístico e aéreo da NATO, de modo a garantir o seu sucesso, claro. A África do Sul, a Nigéria e o Egipto têm boas unidades que poderiam ser aqui empregues. A força realizaria eleições livres, após um período de “estabilização” e assim garantiria a ascensão de uma Democracia no país. As mafias locais seriam perseguidas, julgadas e condenadas, durante o período de estabilização e o ódio ao Ocidental seria anulado pela inexistência de “ocidentais” no terreno. Mas haverá vontade de intervir por parte destes países? A Etíopia tem mais do que vontade e tendo em conta o estatuto de “milícias” dos islamitas poderia bastar-se sozinha para os vencer.

    anónimo: concordo. apoiar, mas só depois de estabilizar, sobretudo porque aqui dificilmente se pode falar de “governo” segundo a nossa interpretação do mesmo… Aquilo é mais uma coligação de senhores da guerra que dividiram entre si uns ministérios.

  19. Nito

    Anónimo:
    Claro que não acredito que estejam preocupados com isso, mas acho que se essa ajuda existir os argumentos anti-ocidentais podem cair por terra.

    Rui: Nesse ponto que mencionas, força com tropas africanas, acho que poderia ser uma das chaves do sucesso de uma possivel operação desse género.

    A ajuda que mencionei seria em parte para contrariar os argumentos dos tais senhores da guerra (anti-ocidentais) e juntando essa ajuda com a força militar de intervenção africana aí sim podemos ter uma solução.
    Solução essa criada num Blog…eheheh 😉

    Alias porque não nos contactaram antes da intervenção iraquiana ??

  20. no Darfur e na Serra Leoa existem actualmente forças da UA. Fracas, dispersas e sem apoio aéreo ou logístico… Este último poderia ser dado pelos EUA (que têm ambos em abundância, mesmo com o atoleiro iraquiano). E quem sabe quem lê mesmo isto?… o Kaos certa vez disse que era visitado por IPs estranhos, tipo do governo americano ou isso e por isso mesmo é que passou a colocar palavras-engôdo para o Echelon em cada Post… Por isso…

  21. Asmodeu

    Osama está aqui tranquilo, dormindo em sua casinha, saindo as noites para as baladas no Rio de Janeiro

  22. e daí… quiça?!
    eu é que não meteria as mãos do fogo…

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