Da Europa Alargada à Bulgária e à Roménia e da Falta de Visão

O processo de adesão da Bulgária e da Roménia à União Europeia está concluído e, em comunicado, o comissário europeu pelo Alargamento, Elli Rehn, confirmou a ratificação da adesão destes dos países em todos os parlamentos dos 25 países da União Europeia

Assim, a 1 de Janeiro de 2007, a Bulgária e a Roménia deverão aderir à União Europeia e esta passará a contar com um total de 27 países membros.

Com a passagem para 27 países, a União Europeia constitui cada vez um actor de peso na cena política e económica mundial. Apesar de quer a Bulgária, quer a Roménia terem um reduzido peso económico, o mesmo não se pode dizer da sua demografia, dado que trazem ambos mais de 30 milhões de novos cidadãos para a União…

Apesar da presente dimensão da União Europeia e desta ser actualmente o maior esteeio de Liberdade e Democracia no Mundo, posições que explicam igualmente o facto de ser a maior potencia económica mundial, continua a ser um gigante com pés de barro… A económicamente inferior Rússia (apesar de todo o seu Gás Natural e Petróleo) ocupa na cena internacional uma posição cada vez mais activa e os EUA assumem-se como autênticos “Senhores do Mundo” a quem nada pode ser negado. E isto porquê?

1. Internacionalmente, a Europa contonua a falar a várias vozes… Interesses nacionais frequentemente antagónicos continuam a prevalecer sobre as posições comuns.

2. Militarmente, os Exércitos nacionais dos 25 continuam virados de costas uns para os outros… Os programas de desenvolvimento embora sejam cada vez mais partilhados não são comuns… e nada existe de um “Exército Europeu” que devia substituir as forças militares nacionais, de forma a maximizar recursos e levar a um novo patamar de relevência internacional a União Europeia.

3. Naquela área que no século XXI será a “Nova Fronteira” da Humanidade, o Espaço, a Europa ainda não tem uma voz… A ESA (Agência Espacial Europeia) não é uma agência da União Europeia, mas uma agência de alguns países da União.

4. E sobretudo, falta à Europa uma Visão, um Objectivo mais substancial e profundo para além dos valores macroeconómicos frios e distantes que só excitam contabilistas e gestores -de-topo (gente frígida por essência). Falta um Motor de Vontades que leve à Europa o mundo e lhe retorne o lugar central no Desenvolvimento da Paz, da Democracia e da supressão da Pobreza que ela pode cumprir. É nossa convicção que esta reforma de Valores e Objectivos só pode ser levada a cabo pelos pequenos países da União… Porventura saindo dela e deixando-a com os “Senhores do Norte” e formando uma nova União, a Sul, predominantemente Mediterrânica, talvez trans-Mediterrânica a abrangendo os países da Bacia do Mediterrâneo, seguindo o modelo romano e unindo países como a Itália, a Grécia, a Espanha (ou as Espanhas) a Portugal, numa adaptação do modelo que sonhamos para o Futuro e que seria o de Agostinho da Silva e António Vieira…

Fonte: Diário Digital

Categories: Movimento Internacional Lusófono, Política Internacional, Sociedade | 6 comentários

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6 thoughts on “Da Europa Alargada à Bulgária e à Roménia e da Falta de Visão

  1. Pedro Tavares

    Rui: Eu sei que o especialista és tu, mas o modelo romano não teria de ser mais abrangente (chipre, libano israel, egipto, tunisia….).
    Achas que uma realidade destas está ao “nosso” alcance, ou teremos de nos contentar com um modelo romano decepado?

    Abraços.

  2. “modelo romano” no sentido de “modelo mediterrânico”…
    O modelo do Imperio Romano tem sido perseguido praticamente desde a sua Queda… Os Ostrogodos e Teodorico, o seu rei, pouco depois de se assenhorarem de Roma fizeram cunhar moedas em que o rei ostrogodo surgia como um novo “imperador” e enviaram a Constatinopla, as insignias imperiais, indicam assim que a julgavam como sucessora de Roma… Mais tarde, o Sacro Império alemão reinvidincou essa descendência, e muito antes dele Carlos Magno fazia-se coroar imperador do Ocidente em Roma… Napoleão, Hitler e Mussolini também usaram a imagem do Império para o procurarem de forma deturpada replicar…

    e mesmo hoje, quando vi a reportagem do Papa Ratzinger a celebrar uma missa comum com o patriarca de Constatinopla (Istambul): o papa trazia vestida a púrpura, cor reservada sob pena de morte aos imperadores do Ocidente e o Patriarca, tinha na mão o Orbis, o ceptro que simbolizava o império de Bizâncio sobre o Oriente…

    Ainda hoje!

  3. De facto esta união europeia tal como está assenta apenas em valores económicos e assim nunca consiguiremos ter um papel verdadeiramente importante no mundo.

    Quando vi reportagem não tinha reparado nas particularidades imperiais que referiste entre Bento XVI e Bartolomeu I. Agora que as referiste, vejo que não são pormenores, são simbologias muito importatantes, que não foram usadas por acaso…

    Um Abraço.

  4. não é por acaso que esta União começou como CECA (sim… SECA…) ou seja Comunidade Europeia do Carvão e do Aço… Isto diz tudo sobre quais são os seus verdadeiros objectivos: a Economia.

    do lado católico, a púrpura e a própria sede em Roma queriam representar para os cristão do mundo romano ocupado pelos reinos bárbaros que Roma e a sua Igreja eram as únicas e legítimas herdeiras do Império, a Oriente, a mensagem é idêntica, reforçada ainda pelo facto de haver pouco mais de 2% de cristãos da Turquia e destes terem sido perseguidos ao longo da História desse país do Médio Oriente…

  5. Nito

    Um modelo Imperialista Europeu não terá lugar visto de momento o único Império existente é o modelo do imperialismo Americano.
    A necessidade de aumentar a União Europeia é para ( na minha modesta opinião ) tentar integrar por um lado o Leste europeu com a sua mão d’obra qualificada e barata, energia e potencial económico, e tentar com isso (união maior e mais abrangente) servir de balança entre o Império Americano e Médio-Oriente / Africa.
    Aproveitando boas relações com ex-colónias das várias ex-potências europeias (novos mercados, recursos naturais,etc..), e comunidades emigrantes em França, Alemanha e UK.
    Por um lado acho que a Europa tem os meios para se colocar noutro patamar internacional, ser uma voz activa e não “lavar os pratos depois de os E.U.A terem jantado…” mas para isso é necessário resolver questões seculares nas relações entre os seus principais agentes (França – Alemanha – UK – Espanha…)

    Bom feriado

  6. otavio

    e muito legal esse siti

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