Do “Branqueamento” dos efeitos das Invasões Bárbaras e das suas verdadeiras intenções

Terminei recentemente a leitura de um excelente pequeno livro com o título “A Queda de Roma e o Fim da Civilização“, de Bryan Ward-Perkins e publicado pela Aletheia Editores.

Não cabe aqui o espaço suficiente para fazer um resumo, nem esse é aliás é o papel de Blog (seja lá ele qual fôr), mas gostaria de deixar uma nota:

Este livro assenta numa permissa: De que as Invasões Bárbaras não foram o processo lento, contínuo e quase sempre pacífico que a maioria dos historiadores modernos nos tentam vender… Foram um fenómeno violento, súbito e profundamente traumático que atirou a Europa e o Mundo do Mediterrâneo para os patamares demográficos da Idade do Ferro, que arruinou completamente todas as bases da Cultura, que sobreviveu apenas no Império do Oriente (Bizâncio) e que, mais tarde, foi recuperada pelo Islão. Os níveis de literacia – muito disseminada no Mundo Romano – desceram para patamares que só recuperaram no século XIX, o Comércio, a Produção Industrial e os contactos entre povos europeus, só no século XIV regressaram aos padrões do século III d.C.

Mas o que é mais espantoso, é que todo este processo de “branqueamento” das Invasões Bárbaras está profundamente inquinado e cheira a podre… O “Branqueamento” começou no norte da Europa, especialmente entre os historiadores de língua alemã e inglesa, em data recente (anos 80) e teve grandes financiamentos de programas da União Europeia. Estes académicos pretendiam assim eufemenizar os termos usados até então como “Invasão”, “Crise” e “Queda” para outros – mais politicamente correctos – como “Entrada”, “Transformação” e “Mudança”…

Esqueceram estes herdeiros modernos de Godos, Vândalos, Suevos, Burgúndios, Francos e quejandos que para os próprios romanos não passavam de saqueadores, violadores e ladrões?

E a União Europeia – financiada com dinheiro também dos povos mediterrânicos – pactua com esta “limpeza” da História?

Sim!

Categories: Economia, História | 6 comentários

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6 thoughts on “Do “Branqueamento” dos efeitos das Invasões Bárbaras e das suas verdadeiras intenções

  1. Estes descendentes de Radagaisus(agora já sei quem é 😉 ), querem branquear o que foi feito. E o pior é que estamos a colaborar com isso…
    Um Abraço.

  2. A história é sempre escrita pelos vencedores. Cabe depois a historiadores procurarem desvendar o que realmente aconteceu e colocar as coisas no seu devido lugar.
    abraço

  3. Pedro Tavares

    Branquear, não sei, a minha avó levava a roupa para o rio (coisa que já não se vê).
    Processo lento? Primeiro por partes, o único processo lento foi o da queda do império do ocidente (que já estava em curso à muito tempo), por seu lado só poderemos considerar as invasões lentas se tivermos em conta que ocorreram ao longo de vários séculos, porque vários estudos demonstram que a mobilidade e rapidez (é desta velocidade que quero falar) das tribos Germânicas foram um quebra cabeças para as defesas romanas.
    O rasto de destruição deveria ser impressionante, isto acontecia não pela vontade pura de destruir, mas porque estas tribos viviam num estágio de evolutivo inferior, onde a lógica recolectora de alimentos imperava.
    Pode-se perguntar, mas os recursos esgotavam-se tão depressa que os obriga-se a seguir em frente? Não, mas certamente o fascínio que o império (riqueza, cultura, infraestruturas….) exercia sobre estes povos “empurrou-os” para roma. Porque esperar e esgotar um recurso se podemos ficar como dos outros?
    Pacifico? Claro a destruição de cidades e colheitas pelo fogo (os romanos quando evacuavam povoados também o faziam) foram acontecimentos totalmente pacíficos, quantificar as mortes ocorridas é difícil mas foi certamente muito pacifico.
    Mais século menos século também os europeus tentarão branquear o seu papel no processo de expansão marítima.
    Quem sabe um pouco mais frente, será a vez dos americanos, de nos venderem a sua verdade sobre o domínio do império do tio sam sob mundo (bem na verdade esta já eles andam a vender à muito)

    O blog é muito bom, só é pena ainda só ter ganho um Quid ( a concorrência é feroz, uns verdadeiros bárbaros, ou romanos sei lá abraços para todos.

  4. Kaos: o grande problema da História e da sua escrita está em que geralmente os historiadores dependem de um qualquer tipo de subvenção Estatal para trabalharem e, consequentemente, são sujeitos a pressões por esse Poder que os financia…

    Pedro:
    1. A queda do Ocidente foi relativamente rápida… Para um Império que durou 600 e tal anos, o colapso que começou em 400 e tal e durou até 475 estas décadas foram um processo relativamente rápido.
    2. A rapidez dos germanos devia-se ao facto de… fugirem à frente de outras tribos que os pretendiam exterminar (veja-se p.ex. o caso dos Hunos que perseguiam os Godos).
    3. A escassez de alimentos a Leste tem muito a ver com o facto das colheitas terem sido más no século V… Parece que o Sol atravessou então um período de baixa actividade e… que houve vários impactos meteóricos que lançaram grandes quantidades de poeira para a atmosfera que barrou a luz solar…
    4. Os germanos não tinham de facto a intenção de destruir o Império, pretendiam antes beneficiar do seu alto nível de vida e prosperidade. Mas ao entrarem e saquearem quebraram a estrutura administrativa excelente que mantinha elevada a rede de transportes e comunicação romana e acabaram por – sem intenção – matar a própria galinha dos ovos de ouro.
    5. Todas as Civilizações tentam sempre limpar os registos mais escuros, e estes, existem sempre… Roma não foi excepção. Os bárbaros e os seus actuais herdeiros do norte também não… Precisamos é de estar atentos e vigilantes e – sobretudo – sempre críticos a estes fenómenos!
    6. Obrigado pelo elogio! é pois… eles são ferozes… tanto que até a mim já me apanharam em falso (ou seja, os concorrentes sabiam mais do Quid do que eu próprio) e até acho que isso já aconteceu mais do que uma vez… Mea Culpa!

  5. De facto como disse ja um comentador, quem escreve a historia normalmente fa-lo tendo sempre em mente a pessoa que o subsidia, isso mesmo fizeram Fernao Lopes, Rui de Pina por exemplo nosso pais.
    Tambem e nornal os vencedores tentarem branquear um pouco a historia, todos os povos o fazem, infelizmente para muitos historiadores de gabinete, existem os arqueologos que por vezes descobrem uma historia muito mais verdadeira e fundamentada.

  6. Excelente artigo.
    Excelentes comentários.
    Não é o meu campo, mas dá gosto de ler, até para campos actuais que me dedico por força de circunstancias e pelo futuro de gerações, campostambém eles completamente bárbaros, e que será dificil um dia fazer história, pois não há livros, incrivelmente.

    Obrigado.
    Pela lição, queria eu dizer….

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