“No artigo “The World is Spiky”, publicado na revista The Atlantic Monthly, que existe uma forte correlação entre a actividade económica e a produção de propriedade intelectual. Esta localiza-se num conjunto reduzido de regiões no planeta em que existem universidades de classe mundial.”
“As classificações internacionais das universidades são sempre questionáveis porque utilizam um conjunto limitado de critérios. Mas as mais recentes demonstram que a Europa tem um reduzido número de universidades de excelência e que Portugal não tem nenhuma.”
(…)
“Se o Benfica seguisse o sistema napoleónico das nossas universidades, baseado em vagas e no Orçamento Geral do Estado, é o que aconteceria (…) As promoções baseadas no mérito (e não em vagas) poderiam ser facilmente financiadas por fundos próprios.”
“Este é apenas um dos muitos exemplos que explicam a ausência das nossas universidades nas classificações internacionais e de Portugal nos mapas da economia do conhecimento.”
Fonte: Expresso de 9 de Setembro de 2006.
Este curto artigo de António Câmara, no Expresso, é revelar do estado calamitoso em que se encontram as nossas universidades… E da importância que existe em recuperar deste estado para que – por fim – se possa retirar o país deste estado de atraso endémico e tradicional.
O exemplo da Índia é nos dias hoje flagrante: embora muito do seu presente sucesso dependa dos baixos salários e do baixo nível de vida da sua população, o coração do seu presente sucesso reside na capacidade das suas universidades de gerarem um número muito razoável de licenciados de classe mundial, que participam nas primeiras linhas da permanente revolução da Informação dos nossos dias. Um dia, estes antigos universitários (fruto de um dos mais exigentes sistemas de selecção do mundo) exigirão ordenados compatíveis com os europeus e americanos, mas então, já terão transferido para a Índia um número suficiente de empresas de tecnologia que crie por si a devida massa crítica para garantir a sua própria sobrevivência no local, e continuarão a ter o mais importante…. O capital intelectual…
Da minha fugaz passagem pelo curso de Direito na Universidade Clássica e da menos fugaz passagem por História da UAL observei também este fenómeno das promoções por vagas, do nepotismo generalizado e dessa praga que assola Portugal inteiro, que é o dos nomes-de-família. Muitos dos professores que conheci eram-no apenas porque eram filhos de fulano ou de sicrano. Porque tinham nos últimos nomes o mesmo nome de um professor ilustre de antanho, porque eram sobrinhos de Alguém, filhos, etc, enfim, Nepote no seu melhor… Os quantos que lá estavam por mérito efectivo (em média um em cada quatro) sobreviviam dificilmente num meio fortemente adverso que tudo fazia para impedir a sua progressão por mérito e que favorecia sempre os filhos-de-alguém. Entrar no sistema? Era praticamente impossível… Embora por vezes, com uma grande dose de sorte, tal fosse efectivamente possível… No Estado era ainda pior… O sistema era tão napoleónico como escreve António Câmara e as escassas vagas eram desesperadamente disputadas e ansiadas ao longo de décadas, pouco importando o valor dos trabalhos de investigação de cada um ou as suas valências académicas… O que importava mesmo era a “Vaga”, não se se era um bom ou mau professor, ou se se era um bom ou mau investigador… Só importava “aquele” texto no Diário da República…
Enfim. Este é o estado de coisas que urge mudar… Se queremos mesmo transformar a nossa sociedade e retirar as nossas universidades dos rankings humilhantes onde são colocadas em todas as tabelas internacionais que classificam universidades públicas e privadas…












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