A caça às “Armas Secretas Alemãs” promovida pelos Aliados após o final da Segunda Grande Guerra

Em 27 de Abril de 1945, o general Carl A. Spaatz da USAF ordenou ao Air Technical Service Command que organizasse um departamento com o objectivo de investigar o território anteriormente ocupado pela Alemanha, numa área que compreendia cinco países (Alemanha, Áustria, Noruega, Dinamarca e França).

Uma das prioridades da lista nas mãos do general era o Messerschmitt Me 262. A operação de recuperação destas aeronaves recebeu o nome Lusty e foi colocada sob o comando do coronel Harold E. Watson. Os Me 262 capturados e reconstruídos foram entregues a uma equipa de pilotos conhecida como Watson’s Whizzers que os testou intensivamente. Mas os Watson’s Whizzers não voaram somente nos Me 262. Além destas aeronaves também foram utilizadas outras: Arado Ar 234B, Focke Wulf FW 190D-9 e 190F, FW Ta 152H, Heinkel He 219A, Junkers Ju 290A e o Dornier Do 335. Simultâneamente, também os britânicos testaram os seus protótipos capturados. A Royal Aircraft Establishment (RAE), de Farnborough, chefiada pelo capitão Eric “Winkle” Brown, também capturou e testou várias aeronaves alemãs, entre estas estavam oito Me 262 capturados em Leck-Schleswig, na Alemanha do norte. 2 de Maio de 1945, em Oberammergau, no Sul da Alemanha, as tropas dos EUA capturaram o Dr. Herbert Wagner, distinto especialista em mísseis, com ele, estavam dois membros responsáveis da equipa de investigação sobre misseis em Peenemunde: Werner von Braun e o general Walter Dornberger. Os três seguiram para Paris e, daí, para os EUA. “Estamos interessados em continuar o nosso trabalho”, escreveria mais tarde von Braun, “e não em ser espremidos como um limão que a seguir se deita fora”. O envio das armas secretas alemãs capturadas pelas forças norte-americanas começou a 22 de Maio de 1945. O major do US Army William Bromley que chegara dias antes a Nordhausen tratou de preparar e encaixotar mais de quatro toneladas de equipamento para o porto belga de Antuérpia. Daqui a carga seguiria até White Sands, no Novo México onde seria alvo de cuidadosa análise. A sua missão estava cumprida a 1 de Junho, ainda durante a vigência da ocupação da região pelas forças americanas. No dia seguinte a administração da região seria entregue às forças soviéticas. Quando o exército vermelho penetrou na zona – a 20 de Junho de 1945 -, já um comboio especial tinha transportado os cientistas alemães e as suas famílias para a zona aliada. Pouco depois começaria oficialmente a “caça aos cérebros alemães”. A 6 de Julho o estado-maior ordenava o arranque da operação Overcast cujo era objectivo era o de “cérebros excepcionais e escolhidos cuja produtividade intelectual queiramos utilizar”. À data da sua conclusão, mais de 350 cientistas alemães e austríacos haviam sido levados para os EUA. É de um desses transportes que nos dá conta a 29 de Setembro de 1945, o New York Times noticiando o desembarque de 16 “técnicos do Reich”, que tinham chegado a Boston a bordo de um transporte de tropas. Entre estes, encontrava-se o maior especialista alemão de misséis e aquele que formaria o núcleo da investigação americana nesse domínio, o Dr. Werner von Braun. Mas os norte-americanos não eram os únicos que procuravam colmatar o avanço tecnológico alemão com massa cinzenta capturada. Também o Reino Unido – que aliás em domínios como o da propulsão a jacto já estava um degrau acima da tecnologia americana – tentava reunir todos os dados possíveis e capturar o maior número possível de técnicos e cientistas alemães. O equivalente britânico da operação Overcast, a operação Surgeon. O nome provinha da intenção expressa pelo Ministério do Ar britânico de extirpar “pela raíz” toda a potência aeronautica alemã. A caça aos cérebros alemães foi dirigida a partir do centro de investigações de Volkerode na região sob controlo britânico, comparativamente com os norte-americanos os seus resultados foram muito mais modestos (aliás, alguns dos cientistas “capturados” acabariam depois por seguia para os EUA, como sucedeu com Adolf Busemann). De entre os nomes de técnicos e cientistas alemães, os mais sonantes eram os Wernher Pinsche e Dietrich Kuchemann, que com outros vinte especialistas seriam transferidos para a base da RAF em Farnborough. A operação Backfire seria o resultado desses esforços conseguindo a 2 de Outubro de 1945 o lançamento de uma V2 a partir da base de testes de Altenwalde, na zona de ocupação britânica. Apesar de todos os esforços britânicos os resultados da Surgeon e da Backfire foram bastante modestos comparados com os resultados da operação Papelclip norte-americana, sucessora da mais limitada Overcast (que só visava o saque de mentes e equipamento). O Reino Unido debilitado por uma longa guerra e assolado por complexas questões coloniais, não podia oferecer aos cientistas alemães as mesmas condições que os EUA. Por isso seguiram para os EUA 457 cientistas alemães, de 1945 a 1948, contra apenas pouco mais que uma vintena para o Reino Unido.

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Categories: As "Armas Secretas" da Alemanha Nazi | Deixe um comentário

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