Daily Archives: 2006/07/13

Agostinho da Silva: “Interesses europeus ou de talhe europeu repeliram judeus”

“Sabemos perfeitamente como o grande pecado dos judeus é, por assim dizer, um pecado contra a inteligência, um pecado contra a lógica; capazes de seguir o seu pensamento até ao fim quando se trata de matemática, de física ou de vida prática, o judeu revela-se singularmente incapaz de ser inteiramente lógico no que diz respeito a pensamento religioso ou às raízes metafísicas da tal vida prática: é como se, em virtude de alguma antiga falta de fé, lhe tivesse sido vedada essa verdadeira Terra da Promissão. E sabemos como foi perseguido pelos judeus o único judeu que neste domínio soube ser lógico; sabemos como a Sinagoga esteve contra Espinoza.

Mas sabemos por outro lado como os portugueses tinham conseguido o milagre de dar alguma lógica aos judeus como igualmente deram lógica aos mouros, esses de resto muito mais defensáveis.”

(…)

“Pois bem: interesses europeus ou de talhe europeu repeliram judeus. O que teve duas consequências de aspecto bem diferente; a dos judeus que, refugiando-se no Brasil, foram tentar continuar aí uma comunidade fraternal de tipo português escapando à acção do rei e de seus instrumentos de repressão”

(…)

“Mas a outra consequência do gesto real foi muito grave para o conjunto da civilização europeia: soltou sobre a Europa um judeu completamente viradoi agora, por ressentimento e desespero, para o tal pendor da vida prática que já o tinha levado a, desprezando o Salmo, emprestar a bom juro, e a cristãos, o dinheiro que, no fundo, de cristãos era. E é este judeu agudamente argudo, diligente e resistente, sabendo aguentar todas as humilhações e sabendo também não as poupar no momento oportuno, o grande agente daquela civilização de tipo germânico que nos nossos dias veio a dar, por um lado, os Estados Unidos, por outro lado, a Rússia, até opor os dois.”

Agostinho da Silva, Ensaios sobre Cultura e Literatura Portuguesa e Brasileira, I, Âncora Editora.

Estes potencialmente polémicos segmentos dos textos de Agostinho poderão revelar para alguns a existência de alguns traços de antisemitismo em Agostinho. Pela minha estrita parte, creio estar isento desse “pecado” dado que corre em mim sangue “marrano” ou pelo menos, semita… E Agostinho também deve ser isentado… Em primeiro lugar, porque todos os portugueses modernos transportam em determinada proporção algum sangue judeu, fruto da grande antiguidade das migrações semitas (afroasiáticas) para o Sul da Península e que terão começado no ano 1000 a.C. Com a fundação de Gades por mercadores fenícios, por outro lado, e analisando agora sumariamente (como sempre…) o texto, observamos que se trata fundamentalmente da análise do temperamento da alma judaica, como Agostinho analisa noutras passagens a alma alemão, castelhana ou portuguesa. E usa esta crítica, para justificar a forma portuguesa medieval de enquadrar judeus e mouros numúnica comunidade coerente e pacífica, quebrada a partir do cristianismo radical de Dom João II e pela primeira expulsão ou conversão forçada de Dom Manuel.

É aliás nas perseguições aos judeus, que Agostinho localiza os grandes males da Europa contemporânea. Os responsáveis não são os judeus, mas aqueles que os expulsaram e que lhes não deixaram outra alternativa que o desejo de vingança e um ressabiamento que a Soah não fez mais do levar até ao paroxismo…

Categories: Movimento Internacional Lusófono | 4 comentários

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