Timor Lorosae: Silêncios e Raridades

Em Timor Leste derramou-se ontem, pela primeira vez desde a independência, sangue. Por meio de um conflito cuja essência ainda é fundamentalmente incompreensível, mas que parece radicar em bases étnicas, o exército timorense cindiu-se em combate agora entre si.

José Ramos-Horta pediu entretanto o envio de uma força internacional e vários dos países desafiados a ajudar já responderam positivamente, sendo a Austrália naturalmente o maior contribuinte para essa força tendo em conta os laços económicos com Timor, a própria proximidade e o elevado grau de treino e equipamento das suas forças armadas.

Portugal irá enviar 60 homens da GNR. Tendo em conta os laços históricos e culturais que unem Portugal a Timor (potência admnistrativa legal até à sua independência da Indonésia), a raridade da força portuguesa choca. E sobretudo, tratando-se aqui de uma missão de interposição entre militares, esperar-se-ia também o envio de uma força portuguesa militar, não policial… Ao invés, Portugal opta por manter contingentes significativos e países com os quais não tem laços económicos, culturais ou históricos significativos…. Como o Afeganistão, a Bósnia, o Kosovo e mais recentemente, o Congo… Eis como se observa a inexistência de uma política para a Lusofonia… E a CPLP? Porque não tem esta um braço armado, que possa potenciar a sua utilidade para os seus membros e ser usado em emergências deste género? Para onde forma as promessas feitas no ano passado sobre a constituição de uma força de intervenção da CPLP? Portugal, Brasil e Angola possuem forças militares de alto nîvel, capazes de responder a qualquer tipo de ameaça em qualquer lugar do mundo. Porque não foram estas forças usadas e ao invés de assistiu a uma tímida presença portuguesa (policial) e ao vazio brasileiro, angolano e dos demais países da CPLP?

Mas no meio desta guerra civil… Existe um silêncio que é absolutamente ensurdecedor… Onde está a voz do imensamente prestigiado e respeitado Xanana Gusmão? A sua presença junto dos revoltosos iria certamente acalmar a siatuação e poderia incluivé ter impedido estes incidentes ocorridos a 24 de Maio de onde resultaram a morte de 3 timorenses… Mas de Xanana, nada, nenhuma declaração pública, nenhum esforço negocial, nenhuma tentativa significativa de influenciar os acontecimentos… Nada. Será que – como se suspeitou – aqueles anos de prisão quebraram mesmo o Espírito de Guerrilheiro das montanhas de Gusmão?

E a Igreja? Tão vigorosa para defender os seus interesses quando o governo da Fretilim tentou abolir o ensino religioso parece agora desinteressada de intervir neste conflito… A sua influência na sociedade timorense é tremenda e também ela poderia contribuir para a resolução deste conflito…

Nesta "guerra civil", o que faz mais barulho não são os disparos das metralhadoras… São os silêncios de Xanana e da Igreja Católica.

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Categories: Política Internacional, Sociedade | 1 Comentário

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One thought on “Timor Lorosae: Silêncios e Raridades

  1. O Xanana já assumiu, só hoje, o comando das forças armadas. Esperemos que consiga calar as armas.
    uma abraço

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