Daily Archives: 2006/05/01

RepórterGrunho: Fotografia 3

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Depois de umas obras de emergência no Hall de entrada do edifício onde moro, o belo e antigo telefone de porteiro do começo de 1940 foi substituído por… este pedaço de cartão de uma camisa.

Ainda alimentei por uns tempos a ilusão de que se tratara de um roubo, puro e simples.

Mas foi pior… Foi a senhoria que mandou tirar o telefone, com o pretexto de que "estava a cair" e substituir por este estético e decorativo… cartão de camisa.

Foi roubado sim senhor… Mas pelo próprio… E agora decora o estendal de um qualquer antiquário lisboeta!

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Agostinho da Silva (Paulo Borges): “Portugal e Brasil na Senda do Pentecostes”

“Portugal e Brasil na Senda do Pentecostes
(introdução de Paulo Borges)

“Agostinho vê a história nacional, dentro da peninsular, intimamente animada por um divino projeco de reinstaurar um novo Paraíso de santidade, fraternidade e liberdade criadora, invertendo o curso do crescente individualismo, funcionalismo e utilitarismo da civilização norte-centro europeu, herdado e levado “às últimas consequências” pela América do Norte.”

Agostinho da Silva; Ensaios sobre Cultura e Literatura Portuguesa e Brasileira I; Âncora Editora.

Nas próximas entradas vamos apresentar apenas uma selecção de frases desta introdução de Paulo Alexandre Esteves Borges a este volume das obras completas de Agostinho.

Comentar o comentário seria absurdo e logo vamos abster-nos de desempenhar esse papel. Especialmente porque nada teríamos a comentar sobre a interpretação de Agostinho de Paulo Borges, que teve a imensa sorte de poder comungar e poder acompanhar de perto o pensamento do Professor quase até à sua morte.

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A Escrita Cónia: Os Cónios, Tartéssicos e Turdetanos, um mesmo povo? E a questão da designação da Escrita Sud-Lusitânica

“Segundo o Itinerário de Antonino Pio, o território dos cónios era separado daquele ocupado pelos Turdetanos pelo rio Guadiana, ocupando os cónios a margem ocidental e os Turdetanos a oriental. Beja e Mértola eram habitadas por Turdetanos, assim como Myrtillis, Balsa e Ossonoba, no litoral, do Guadiana ao Cabo Espichel. A este juntava-se aquela que era provavelmente a capital do território, mercê da importância económica e do seu posicionamento geográfico, Imperatoria Salatia (a actual cidade e sede de concelho Santiago do Cacém). Esta profunda penetração de populações Turdetanos no seio da “terra cónia” é um dos maiores argumentos a favor da identidade entre Cónios e Turdetanos. Algo que aliás, está bastante claro nos autores clássicos, sobretudo no que respeita à cidade de Balsa. Com efeito, se Ptolomeu (2, 5, 2) e Marciano (2, 13) a classificam apenas como uma “cidade turdetana”, Mela (3, 7) vai mais longe e indica claramente que estaria situada no “ager Cuneus” (“Terra Cónia”). Figura 6: Situação dos Cónios no actual território português. Os Lusitanos do Contexto Peninsular.

Alguns historiadores espanhóis já tentaram classificar as inscrições sud-lusitânicas encontradas no território português (com penetrações até ao sul de Espanha) no universo das inscrições tartéssicas do Levante Espanhol. A designação “escrita turdetânica” foi também ensaiada, mas sem conseguir recolher grande adesão, especialmente entre nós. Quanto à inclusão das inscrições sud-lusitânicas nessa esfera tartéssica, encontramos num autor espanhol, Juan Carlos Alonso uma indicação sobre a área geográfica efectiva do “Império” de Tartessos: “a monarquia da cidade de Tartessos, homónima do rio, compreendia toda a actual Andaluzia mais a província de Múrcia e ocasionalmente o sul de Portugal; dominaram a costa desde Lisboa até Cartagena. Ao norte mantiveram fixas as suas fronteiras com os celtas (Cempsii) na barreira natural de Sierra Morena. (…) No Oeste, o sul de Portugal (Os Cinetes) permanecia unido a Tartessos, mais por laços comerciais que por submissão.” Desta citação ressalta a referida intenção de integrar o Cyneticum dentro do âmbito do Império Tartéssico, algo que não encontra nenhuma substância em textos clássicos ou em testemunhos arqueológicos, para além dos naturais paralelismos e contactos entre populações fronteiriças que mantinham sólidos e intensos laços comerciais. Este suposto “império” Tartéssico nunca encontrou nenhuma prova presencial no território nacional, e aliás, a prova disso mesmo está no emprego da expressão: “ocasionalmente o sul de Portugal”.

Estrabão, na Geografia III (1, 6) afirma que os Turdetanos são considerados os mais cultos de todos os iberos. Diz o autor, que conheciam a escrita e possuíam, inclusivamente, testemunhos do seu antigo passado: crónicas históricas, poemas e leis em verso, que afirmavam ser de uma antiguidade de seis mil anos. Acrescenta ainda que “as suas cidades são numerosíssimas, pois dizem ser duzentas. As mais importantes por seu tráfego comercial são as que se acham junto aos rios, nos estuários ou junto ao mar.” Não se tratavam obviamente de duzentas grandes cidades, aliás, a maioria destas não deveria agrupar mais do que uma ou duas dezenas de famílias, à semelhança dos povoados cónios encontrados no Alentejo e no Algarve por Caetano Beirão. A concentração junto do litoral ou perto de cursos fluviais está de acordo com a tradição de laços comerciais intensos entre as duas margens do Guadiana e confere com os relatos de Ptolomeu, Marciano e Mela citados no parágrafo anterior.

Qual seria a relação entre estes cultos e prósperos Turdetanos com o nosso objecto de estudo, os cónios? As inscrições tartéssicas[1], e as inscrições sud-lusitânicas ou cónias[2] sobrepõem-se geograficamente, embora permaneçam morfologicamente distintas e as suas zonas nucleares de maior densidade sejam facilmente identificáveis. Estes indícios indicam estarmos perante duas civilizações semelhantes, obviamente próximas sob todos os aspectos, mas perfeitamente distintas. Também o grande nível de prosperidade alcançado no sul da Península e sobretudo o número de cidades ocupadas por estas populações turdetano-tartéssicas, as afasta das modestas e raras povoações cónias que conhecemos. Aliás, as referências de Estrabão e de outros autores clássicos parecem aludir sobretudo ao que se conhece da cidade de Tartessos e aos territórios por ela directamente tutelados. Não é impossível que os Tartéssicos não fossem mais do que os Turdetanos que viviam na cidade de Tartessos, assim como não é impossível que os cónios fossem os turdetanos que viviam na margem ocidental do Guadiana. A posição periférica dos cónios em relação aos grandes centros comerciais do sul peninsular explica a menor riqueza e – sobretudo – a diminuta dimensão das suas povoações.

A acreditar em Antonino Pio, os Turdetanos ocupavam antes da chegada dos romanos o território cónio. Poderemos então considerar os cónios como Turdetanos? Recordemo-nos que os Turdetanos eram considerados como “os mais cultos dos iberos” e que conheciam a escrita, assim como os cónios. Dada a proximidade geográfica, é impossível admitir que não tenham existido contactos entre cónios e Turdetanos. As relações comerciais entre ambos são inegáveis e robustas, como testemunha a arqueologia. Mas as inscrições sud-lusitânicas podem ser designadas com pertencentes a uma “escrita turdetânica” ou a uma “escrita cónia”? Acreditamos que a melhor prova de que se tratam de inscrições cónias está precisamente na presença quase omnipresente da palavra “cónio” nas estelas do sul de Portugal. Não encontrámos até hoje nenhuma alusão aos Turdetanos nas nossas leituras, conforme veremos mais adiante… Esta identidade entre Tartéssicos e Turdetanos é praticamente consensual, como nos testemunha J. Constantin Dragán quando afirma que: “Os romanos chamavam aos Tartessos pelo nome de Turdetanos.” Daqui se infere que as expressões “escrita turdetânica” ou “escrita tartéssica” são simplesmente equivalentes, uma vez que Tartessos era a cidade capital dos Turdetanos. Algo de semelhante, contudo, não pode ser dito em relação à “Escrita Cónia” ou “Sud-Lusitânica”.

O termo “Escrita Sud-Lusitânica” tem sido o preferido pelos historiados portugueses e do além Guadiana. Mas esta expressão peca pela sua limitação geográfica e imprecisão. Efectivamente, e para além do evidente galicismo de “Sud”, nem só na Lusitânia foram encontradas inscrições deste género, uma vez que na Bética (além Guadiana) também temos diversos exemplos do seu uso[3]. É certo que esta é mesmo a mais segura das expressões, uma vez que não implica nenhuma adesão às teorias turdetânicas, tartéssicas, cónias ou hebraico/fenícias. Daquilo que já escrevemos, deduzimos que o povo que escreveu estas estelas foi efectivamente o cónio. Seguindo uma linha de pensamento semelhante à nossa, Lopes Navarro prefere o emprego da expressão “Escrita Cinética”. O termo é efectivamente adequado na medida em que respeita à designação de Cyneticum empregue por alguns autores clássicos e porque indica a origem genética das próprias inscrições. Infelizmente, a palavra “cinética” tem um significado bem diverso no dicionário da língua portuguesa e o seu emprego pode suscitar confusões perfeitamente desnecessárias. Julgamos assim que uso da expressão “Escrita Cónia” expressa mais claramente a origem das inscrições, o seu âmbito geográfico e, sobretudo, não utiliza uma palavra de uso corrente e diverso daquele que se pretende utilizar, razão pela qual o utilizámos exaustivamente no decorrer do nosso trabalho.[1] Regra geral consideradas como provenientes da civilização turdetana, que aliás, em muitos historiadores surge como sinónimo de “civilização tartéssica”.[2] A designação “escrita Sud-Lusitânica” é mais consensual entre os historiadores, mas sublinha apenas a região geográfica onde foram encontradas as inscrições deste tipo, mas ignora as inscrições que foram encontradas muito para além da margem portuguesa do Guadiana, em plena Bética. O termo étnico, “Escrita Cónia”, parece-nos mais acertado. Quer porque respeita o nome do povo que ergueu as estelas inscritas que são o seu principal testemunho, quer porque não se auto-limita geograficamente.”

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