LOST (Perdidos): Gilgamesh, o “amigo de Enkidu”

No último episódio de LOST (Perdidos) notei que John Locke estava a jogar às palavras cruzadas precisamente no momento seguinte a que aparecia no écran a imagem de "Mr. Eko". A pergunta das palavras cruzadas era "friend of Enkidu" a que Locke respondia (bem): Gilgamesh.

 

Desde logo, vem a pergunta… Como é possível que um "simples" vendedor de ferragens, sem instrução académica, nem visível apetência pela leitura soubesse quem era o "amigo de Enkidu", um personagem da primeira epopeia da História? Locke não é um homem comum… Desde logo, afirmou-se como um líder do grupo de sobreviventes, rivalizando com o médico e conquistando uma posição de respeito no grupo, que Jack obteve pelas suas capacidades médicas. Locke, para recolher o mesmo grau de respeito, contou apenas com o seu carisma e conhecimentos de técnicas de sobrevivência.

 

Será Locke, mesmo um simples "vendedor de balcão", ou será uma espécie de "agente secreto" ou "mercenário cansado" que usava esse emprego como fachada ou como repouso depois de uma vida agitada e turbulenta?

 

E como conheceria John Locke a "Epopeia de Gilgamesh"?

 

O chamado "Ciclo de Gilgamesh" é composto por um conjunto independente de poemas que narram as aventuras do rei lendário Gilgamesh, rei de Uruk(Suméria, no actual Iraque). Gilgamesh teria governado por 126 anos durante a primeira metade do terceiro milénio a.C.

 

Sendo uma criatura semidivina, Gilgamesh teria sangue divino, por parte da sua mãe, tendo dela herdado uma beleza incomum assim como uma força física desumana.

 

No primeiro episódio da "Epopeia", os deuses arranjam para Gilgamesh, um companheiro que é o seu completo contrário, Enkidu, criado entre os animais selvagens e mais rápido que as gazelas.

 

No segundo episódio da Epopeia, Enkidu traz a Gilgamesh notícias da existência de uma estranha "floresta de cedros" e do terrível guardião que nela habitava. Os dois partem então de Uruk e penetram na floresta enfrentando e vencendo o gigante guardião Huwawa.

 

A floresta surge aqui na narrativa como um lugar mágico e perigoso, habitado por gigantes semimágicos e perigosos… Recordam-se de como no episódio anterior o segundo grupo de sobreviventes manifestava um receio (fundado) sobre a "Selva" e a convicção de que os "Outros" viviam nela? Isso, mais os estranhos (mas entretanto desaparecidos) ursos brancos e a "Sombra" que surgiu nos últimos episódios da série 1 reforçaram o conceito da Selva/Floresta como o "lugar do Mal" que urge evitar e recear… Exactamente como na narrativa de Gilgamesh e Enkidu…

 

E este par de amigos: Enkidu e Gilgamesh: "homem natural" e "rei urbano", será que encontramos algum paralelo no quadro de personagens de LOST? Sim… nos dois líderes naturais do grupo… O urbano e respeitado Jack Shephard (Gilgamesh?) e o prático mas igualmente respeitado John Locke (Enkidu)? Ou será que Mr. Eko é a personificação de Enkidu?… O desenvolvimento deste personagem nos próximos episódios pode esclarecer esta dúvida…

 

Por outro lado… Quem quiser obter alguns fundos de écran da série LOST (Perdidos), encontra-os aqui

Categories: Ciência e Tecnologia, LOST (Perdidos) | 11 comentários

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11 thoughts on “LOST (Perdidos): Gilgamesh, o “amigo de Enkidu”

  1. Rui: Continuas a surpreender-me com a tua perspicácia. Vês aquilo que mais ninguem (pelo menos eu9 não vejo. Quanto ao Locke, não era deficiente antes da queda do avião?

  2. Desconhecia completamente a Epopeia de Gilgamesh. Sempre bom saber.

    Ah, e parabéns pelo Blog! (sou um novato por aqui)

  3. Por vezes a cultura de uma pessoa não se coaduna com a profissão que desempenha. Mas lost é uma série que tem vindo a dar varias pistas de forma quase muito imperceptívela ao espectador comum.

  4. Acho que faz uma associação notável. Quanto à cultura de John Locke, é como diz Dae-su Oh. Nem sempre um elevado grau académico condiz com a curiosidade intelectual. Há analfabetos cultos e licenciados menos cultos.

  5. Dae e Acarvalho… concordo com a questão da cultura de alguém poder nada ter a ver com a sua profissão. Mas neste caso é uma pista… para o passado de Locke.

  6. To rui: Eu foquei isso não de uma forma tão directa na frase final. É pena que eles não pensem que o espectador está ausente dessa cultura, especialmente os americanos.

  7. Sem falar da série propriamente dita, concordo com o Dae e o Acarvalho: há analfabetos cultos e licenciados menos cultos. Até diria mais: Em Portugal também há licenciados vendedores de balcão…

    Quanto à série em si, sempre admirei a personagem de Locke, ele é o homem dos “mil artificios”. Julgo ser o único que realmente encara o desafio que é a ilha. É verdade que ele revela aptidões pouco condizentes com a sua profissão, mas julgo que isso também será explicado…

  8. “Humanist Idea: To Locke “all objects of understanding” can be called ideas which are in the mind. The origin of these ideas comes from human experience. The mind understands these experiences through ideas of it’s own operation. “When the mind acts, it has an idea of its action, that is, it is self-conscious, and as such, is assumed to be an original source of knowledge.” These ideas come in two different varieties. Simple ideas come from sensation or observation of mental operations as these sensations take place. Complex ideas come from the “processes of combination and abstraction carried out by the mind.” These ideas have primary and secondary qualities. He sees the simple idea as a test and standard of reality.
    “All relation terminates in, and is ultimately founded on, those simple ideas we have got from sensation or reflection.” (Essay Bk 2:28:18) “General and certain truths, are only founded in the habitudes and relations of abstract ideas.” (Essay Bk 4::12:7)”

  9. Fazendeiro

    o sa morais es dos meus o locke e o unico sobrevivente propriamente dito pois so ele e ke luta pelos seus objectijos com garra alem dele gosto do desmond e do ecko

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