O CPE está morto. Viva o…

O recuo do governo Villepin a propósito do até ontem irrecusável CPE reflecte o desgaste profundo provocado no governo francês depois de dois meses de protestos diários e de milhões de franceses em protestos na rua, num ritmo diário e de intensidade crescente, reunindo as maiores manifestações populares dos últimos vinte anos, comparáveis aliás, somente à grande crise de "Maio de 68".

O novo "dispositivo legal" apresentado como alternativa ao CPE vai custar aos cofres do Estado francês perto de 150 milhões de euros este ano, e o dobro em 2007, mas eliminará esta proposta "liberalizadora" do mercado de trabalho juvenil que tanta contestação criou.

O certo é que algo tem que ser feito.

Em toda a Europa (Portugal incluído) a taxa de desemprego entre os jovens é avassaladoramente mais alta do que entre o resto da população, sendo em França de 24% quando no resto da população é de "apenas" 9%.

O rumo da liberalização laboral parece estar a funcionar nos EUA e no Reino Unido, onde os níveis de emprego não param de subir. Será esta então a alternativa? Liberalizar para Empregar?

E porque não seguir – de novo… –  o modelo nórdico, ou melhor, o modelo dinamarquês? Neste o empregador pode despedir com relativamente "liberalidade" ao modo do americano ou britânico, mas o Estado assume todos os custos do desemprego e torna este menos doloroso para as empresas (que não têm que pagar as custosas "rescisões amigáveis-coercivas" nem os traumatizantes "despedimentos colectivos") e sobretudo, para os empregados, que ainda que colocados no Desemprego, não conhecem as mesmas incertezas dos seus pares do centro e sul da Europa.

Querem soluções? Não olhem para a selva americana ou britânica (quanto a esta, o desemprego entre os jovens também não é nada famoso…), mas sim para norte… para o extremo norte, para a Península Escandinava e seus arredores.

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Categories: Sociedade, Wikipedia | 3 comentários

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3 thoughts on “O CPE está morto. Viva o…

  1. Sempre achei e continuo a achar que a solução está na redistribuição mais equitativa da riqueza, e no conceito de uma sociedade assente em diferentes pressupostos do que actual, onde o Homem seja o bem mais precioso. Porque, como dizia o Prof Agostinho da Silva, o homem não foi feito para trabalhar. Mas já que temos que viver neste tipo de conceitos sociais, que o façamos seguindo aqueles que nos pareçam mais justos.

  2. Concordo totalmente com o tb.
    Fedlizmente em Portugal o nosso desemprego jovem não atinge os valores de França e ainda se mantem identico ao dos mais velhos. Será no entento uma questão de tempo até lá chegarmos. A liberalização não é solução por injusta e pela insegurança que cria na vida de cada um de nós. A solução nordica tem o problema dos custos para o estado. O grande problema e que é a base não só de desemprego, mas também de um outro sem numero de soluções logicamente impossiveis para problemas reais, é o proprio sistema capitalista em que vivemos. Enquanto ele se mantiver não há soluções boas, só remendos para lhe garantir a sobrevivencia. Quem paga com isso: Todos nós

  3. só passei para te dizer que gostei do teu comentário e que já fiz a devida actualização.
    um abraço

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