David Ricardo: “Nada contribui mais para a prosperidade e felicidade deum país como os lucros elevados”

"Nada contribui mais para a prosperidade e felicidade de um país como os lucros elevados", dizia David Ricardo no começo do século XIX… Mas a realidade contemporânea parece negar Ricardo. Em países como a França e a Alemanha, os lucros das empresas não têm parado de subir, e as economias dos dois grandes motores da Europa não dão sinais de recuperação. Os rendimentos dos trabalhadores caem sem cessar, o desemprego alcania números inéditos.

O Mundo Bolsista separa-se cada vez mais da Economia Real, com ganhos por acção de 100% na Alemanha, 50% em França, 70% no Japão e 35% nos EUA.

Apesar da prosperidade corporativa, os Estados onde as corporações nasceram e têm as suas sedes vivem em dificuldades, cercados por décadas de benefícios e isenções fiscais, por "engenharias financeiras" cada vez mais ardilosas. O Investimento nas economias domésticas retraí-se e não produz mais riqueza. Onde antes havia regresso do capital à Economia na forma de reinvestimento, aumento de remunerações, ou aumento do número de contratados, hoje assistimos a um simples mais intenso aumento do retorno do capital aos investidores: fundos de investimento ou accionistas.

O emprego está em evaporação rápida em todo o mundo. As 40 maiores empresas do mundo empregam 55% da sua força de trabalho no estrangeiro e recolhem 59% dos seus lucros nesses países, embora continuem a comercializar esmagadoramente os seus produtos nos países de origem.

Com lucros crescentes, a par de uma descida constante dos rendimentos do trabalho, dos benefícios de saúde e das pensões, os assalariados viram-se para os Governos que elegem apelando a eles para a sua defesa. Mas estes estão com as suas próprias dificuldades… Os constrangimentos orçamentais limitando acções de fundo e as medidas mais razoáveis que seriam:

A) Restrições aos investimentos no Estrangeiro, acompanhadas de taxas de reinvestimento nas economias de origem

B) barreiras alfandegárias

C) aumento dos impostos sobre o lucro

Numa economia globalizada, estas medidas seriam suicidárias… As empresas mover-se-iam simplesmente para esses "paraísos" empresariais de desregulação. E haveria sempre algures um "paraíso" pronto a acolher a empresa mais selvagem de todas…

Buttonwood, o colunista de "Finance and Economics" da "The Economist" propõe várias alternativas interessantes:

A) Introduzir medidas que encoragem as empresas a implementar sistemas de partilha de lucros pelos seus funcionários;

B) Introduzir mecanismos que forçem as empresas a distribuir aos consumidores dos seus produtos os imensos cortes nos custos que têm recolhido com a Globalização. Com custos em queda, é incompreensível que os preços ao consumidor não parem de subir, num contexto de reduções consentidas de salários e de desemprego crescente, entre os principais mercados consumidores. Nos EUA, os preços do retalho cairam muito mais nos últimos anos do que na zona Euro. Assim se têm retirado aos consumidores grande parte dos ganhos que as empresas obtiveram com a Globalização.

C) Melhorar a educação e a formação, como forma de tornar mais competitivos e atraentes os mercados laborais dos países desenvolvidos.

Categories: Sociedade, Wikipedia | 6 comentários

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6 thoughts on “David Ricardo: “Nada contribui mais para a prosperidade e felicidade deum país como os lucros elevados”

  1. Parece-me que se está aqui a partir de um principio errado. As soluções propostas, por bonitas que possam parecer não resolvem o problema. São simples paliativos para algo que está muito doente. Como aconteceu no inicio do seculo anterior tudo isto não passa de mais uma vaga do capitalismo que atingiu o mundo. Repetem-se os erros (se calhar não são erros e é algo que faz parte do seu intimo) e coloca-se a sociedade numa situação em que mais cedo ou mais tarde a revolta e a violencia vão estalar com o surgimento de novos Socialismo num ciclo histórico que se repete.
    A solução para os problemas passa pelo fim deste modelo economico e pela sua substituição por um outro. Não há outra volta a dar.

  2. Rui: Tentei varias vezes do meu PC, tentei entrar de links de outros blogs e agora de um outro PC e nunca me apareceu o dito X2.pufile.com. Também já fiz um scan ao disco e não existe nada com um nome parecido. Poderá ser algum triano que ande pela net. Vou tentar ficar atento mas não encontro o bicho.
    O que me tem criado alguns problemas (esporádicamente) é o blinkar que em certos momentos não carrega, mas pode ser só um problema de manutenção.
    Obrigado pelo aviso e se o mal continuar avisa-me por favor
    Um abraço

  3. Tenho de concordar com o Kaos. As medidas preconizadas pelo Buttonwood, não passam de paliativos.
    O facto é que, este modelo económico caminha a passos largos para o seu fim, o espremer constante da sociedade em busca do aumento desenfreado do lucro, ano após ano, terá inevitavelmente de parar. E quando se esgotar e as bolsas começarem a cair desenfreadamente para não mais se levantarem, assistiremos ao inicio de uma nova era.

  4. kaos: concordo em absoluto. o modelo económico actual e aquele para onde caminhamos a passos largos desumaniza a economia e o próprio Homem e há-de se devorar a si própria devido à contestação que vai gerar e aos conflitos internos que será incapaz de gerir. Estas medidas são boas… Especialmente a que defende a repartição dos lucros e de acções pelos trabalhadores (agora chamam-nos de “colaboradores”). Mas são um passo intermédio, um passo para um modelo de sociedade melhor e mais justo. Mas aí é a minha costela de idealista shumakeriano (http://www.schumachersociety.org/), de quintano e de português de Quinhentos que fala…
    Hoje o teu site tem carrgado bem, embora que algo lento… Suponho me tens um nº muito alto de links na homepage e basta q um se atrase para se atrasar todo o download da homepage. Enganei-me… Era x2.putfile.com, com t

    Pires: serão paliativos, é certo, mas aumenta a justiça social e a redistribuição dos rendimentos do trabalho, que são precisamente os dois grandes problemas da modernidade… Tb não defendo esta sociedade, mas teremos que caminhar para uma espécie qualquer de sistema intermédio, antes de se instaurar um novo sistema. Receio é que essa transição seja violenta. E quanto mais força ganha o “sistema” mais violenta será esta transição.

  5. felipe

    E bom saber a respeito da riqueza de informaçoes nos parametros que o autor ao qual estudamos ocupa queiram saber o porque David ricardo se preocupou com a queda das barreiras alfandegarias

  6. felipe

    felipe felipe

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