O Day After da “Gripe das Aves”: Variante Humana

A maioria dos virologistas concorda na inevitabilidade da mutação do H5N1 numa variante humana, que combine no Homem a extrema virulência e letalidade do H5N1 (2/3 de mortos) e a extrema adaptabilidade e facilidade de propagação do Virus Influenza da Gripe Comum. Quando este cruzamento ocorrer – e não é uma questão de "se" ocorrer, mas uma questão de "quando" – teremos uma Pandemia que se propaga pelo mundo, com a rapidez de semanas e se estenderá a todos os países usando os novos meios da Globalização: os transportes aéreos. Nunca antes houve tanta facilidade para um vírus se estender a toda a Humanidade e se tivermos em conta que o H5N1 tem um período de incumbação de dois dias, antes de surgirem os primeiros sintomas (febre) vermos como é impossível impedir a entrada de cidadãos potencialmente infectados, mas sem sintomas, nos aeroportos internacionais…

Com efeito, os Media apesar de todo o alarmismo criado em torno da "Gripe das Aves" têm deixado escapar alguns pontos muito essenciais nesta questão:
1. A inevitabilidade da mutação humana
2. A necessidade de um período de pelo menos seis meses até aparecer a primeira vacina
3. A escassez de medicamentos antivirais, assim como a sua provável perda de eficácia
4. A extrema facilidade de propagação de um virus que combine as características da Gripe Comum com a letal Gripe das Aves
5. A incrível letalidade humana do H5N1, com 2/3 de mortos entre os infectados

Se juntarmos todos estes elementos, ignorados frequentemente pelos Media, compreendemos a escala de gravidade do problema que se coloca perante a Humanidade. Não se trata de centenas de milhares de mortes, como sucedeu no passado recente com a Gripe Espanhola ou com a SIDA, trata-se de centenas de milhões de mortes, trata-se de uma revolução demográfica comparável à Peste Negra, que ceifou – também ela – quase 2/3 da população da Eurásia no começo da Idade Média.

Imaginemos que num dos populosos, desprovidos de sistemas de saúde e vigilância e recheados de população avícola países asiáticos ou africanos se dava a mutação. Quando tempo acham que o virus demoraria a tornar-se endémico e a sair do país de origem? Que virus transportado por aves seria detido pelas fronteiras? Como impedir o fluxo de centenas de milhares de refugiados procurando escapar dos focos de infecção?

Quando o virus chegasse a uma sociedade, esta estaria no imediato confrontada com a preemente e vital necessidade de travar a sua expansão. As primeiras medidas seriam a interrupção de todos os transportes públicos, escolas, serviços públicos, empresas. Numa economia tão dependente dos sentimentos caprichosos e imprevisíveis da Bolsa de Valores haveria outra resposta que não fosse um Crash maior do que qualquer outro jamais ocorrido?
Com a Bolsa em queda brutal, com todas as empresas e instituições do Estado reduzidas ao seu modo "mínimo", começaríamos a assistir a um exôdo para os campos. Os hospitais estariam cheios até muito acima do seu limite e o aumento de mortes entre o pessoal clínico (os antivirais seriam insuficientes e crescentemente ineficazes) reduziria a sua capacidade de resposta empurraria decisivamente as populações urbanas para o Campo.

No Campo assistiríamos a uma multiplicação de tentativas de ocupação de habitações e quintas. Quem tivesse residência ou familiares estaria em vantagem, mas cedo seriam esmagados pelas turbas desesperadas refugiadas das grandes cidades…

O Mundo e a Sociedade tal como os conhecemos colapsariam e só pequenas comunidades mais ou menos isoladas e defendidas conseguiram escapar ao poderoso rolo compressor dos milhões de citadinos desesperados.

O Mundo cairia numa dissolução quase absoluta, onde os últimos redutos da civilização seriam as pequenas comunidades ou as pequenas cidades que apresentassem maiores capacidades defensivas. As grandes capitais do Mundo seriam esvaziadas e entregues a hordas de salteadores impunes, os exércitos nacionais seriam minados por ondas generalizadas de deserções assim que os seus primeiros membros começassem a tombar nos cordões sanitários rodeando os focos de doença.

Os transportes aéreos, os transportes de bens, todos os ramos do Saber e da Arte seriam seriamente afectados pela brusca redução das trocas de bens e de ideias entre as comunidaddes humanas… O Homem demoraria muitos séculos a ganhar as mesmas resistências que hoje os europeus carregam dentro de si contra a Peste Negra (sendo os herdeiros dos seus sobreviventes medievos).

O mundo resultante seria um mundo menor, menos povoado, provavelmente com menos de um terço da população actual, porque além dos mortos pela doença haveria também que somar todos aqueles que seriam mortos pelas convulsões sociais, a desaparição da maioria das crianças, alvos preferenciais pelas revoltas populares contra os governos e os membros da sociedade classificados como "prioritários" mais as suas primeiras vacinas e exclusivo de antivirais, pela desaparição dos sistemas de saúde, etc. Seria um mundo menor, menos Global, mais fechado sobre si mesmo, mais desconfiado do vizinho e do outro.

Seria o "Day After"…

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Categories: Política Internacional, Política Nacional | 2 comentários

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2 thoughts on “O Day After da “Gripe das Aves”: Variante Humana

  1. Pingback: Quintus » Blog Archive » Porque é que ainda não vi esta notícia em nenhum Jornal, Revista ou Televisão?

  2. Pingback: A “Gripe das Aves” (H5N1) terá registado o primeiro caso de Variante Humana na Indonésia « Quintus

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