Parte 5: Os Descobrimentos Portugueses: Teses sobre a Conquista de Ceuta

Tese Tradicional sobre a Conquista de CeutaDesde Zurara e até à “Monarquia Lusitana” que se defendia que a ida a Ceuta resultara da necessidade de armar cavaleiros os filhos de Dom João I. Era a chamada Tese da Cavalaria.

Esta tese, conhecida como “tradicional”, sobreviveu até aos nossos dias na versão melhorada de Oliveira Martins, descrita no seu livro: “Os Filhos de Dom João I”.

Tese de António Sérgio sobre a Conquista de Ceuta

No “Ensaio de Interpretação Não-romântica do Texto de Azurara”.
O ensaio é antes do mais uma reacção à obra “Os Filhos de Dom João I”. Este enaltecimento da História leva ao engrandecimento da figura do Infante Dom Henrique, de “sangue celta” (Oliveira Martins julga ter encontrado no Infante o autor do projecto).

Embora António Sérgio se oponha a Oliveira Martins no tocante à sua visão romântica, admite contudo que Ceuta marca o começo do processo de Expansão. António Sérgio defende uma tese económica e burguesa, uma posição que pretendeu esvaziar a ida a Ceuta de todo o seu pendor nacionalista. Para o autor, a viagem a Ceuta resulta do projecto de um grupo social, a Burguesia, representada por João Afonso, o intermediário entre os Infantes e os Burgueses. A Burguesia pretenderia alcançar as rotas comerciais do Oriente. António Sérgio diz que não precisou de ler a Crónica de Zurara, visto que nela não encontraria as informações de ordem económica que julgava determinarem a conquista da cidade.

O autor julgava que Ceuta era o ponto de chegada a Marrocos da rota que levava, desde o Oriente, o ouro e as especiarias ao norte de África. Escreveria igualmente que Ceuta se encontrava numa zona rica em cereais.

Continuando o seu raciocínio, encontra em Dom João I, o monarca de:
uma Revolução, de uma Revolução Burguesa. A mesma burguesia que financiaria a expedição…

Tese de David Lopes sobre a Conquista de Ceuta

A tese de David Lopes surgiu essencialmente como uma resposta à posição manifestada por António Sérgio. Apesar disso, começa por criticar Oliveira Martins:
No prefácio do “Que Fomos Nós Fazer a Marrocos?” (1924): David Lopes defende que Ceuta não sendo um centro cerealífero, deveria ter sido preterida por uma cidade inserida numa das regiões cerealíferas marroquinas, se essa fosse a principal motivação da conquista.
A tese deste autor é principalmente, uma Tese Política:
A conquista de Ceuta dificultaria a actividade do corso muçulmano nas nossas costas.

É também uma Tese Religiosa: Uma vez que se tratava de um ataque aos muçulmanos, inimigos da Fé Cristã. E, finalmente, é igualmente uma Tese Geo-estratégica: Porque a sua conquista enfraqueceria o Reino muçulmano peninsular de Granada.

Tese de António Borges Coelho sobre a Conquista de Ceuta

António Borges Coelho baseia a sua tese na chamada “Carta do Pão” de 1414, nesta se diz que “Ceuta era um sorvedouro de homens e dinheiro”. Alguns historiadores contrapõe que Pedro de Menezes teria regressado de Ceuta rico, mas a verdade é que esta riqueza se devia não ao comércio mas ao resultado da pilhagem nos arredores da praça forte.

Em suma, A. Borges Coelho diz que a Burguesia foi o primeiro motor da conquista, mas seria a Nobreza a recolher os únicos lucros.

Por fim, para o historiador a conquista de Ceuta não teria resultado num desastre económico. Essa noção teria sido induzida pela Nobreza para impedir o crescimento e implantação da burguesia na praça marroquina.

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