Parte 4: Os Descobrimentos Portugueses: Os Primeiros Tempos Após a Conquista de Ceuta

Alexandre Lobato expressa a sua opinião sobre o assunto na sua obra “A Vida Quotidiana em Ceuta depois da Conquista”:Esta obra pretende ser um resumo da pesada e pouco acessível “Crónica de Dom Pedro de Menezes”.

Neste seu livro o autor mostra como Ceuta foi um acto de cavalaria, com motivações:
-> Religiosas;
-> Sociais;
-> Políticas e
-> Económicas.

A conquista de Ceuta seria o resultado de uma mentalidade e só pelo estudo da mentalidade do século XIV é que se poderia alcançar a compreensão sobre as motivações da expedição.

Nesta obra vê-se como desde a sua conquista e até 1640 nunca a guarnição teve um período de paz duradoura:

A primeira escaramuça série verifica-se logo no primeiro mês após a conquista;

A partir de então começam a organizar-se cavalarias para afastar os mouros da cidade:
-> Estrutura-se uma defesa virada para a ofensiva:
1) Destroiem-se os Valados e Arvoredos nos arredores da cidade, uma vez que facilitavam as emboscadas e dificultavam as vigilância;
2) Paralelamente às cavalgadas é montado um sistema de escutas (de dia, as atalaias, durante a noite, as escutas própriamente ditas);
3) Nos planos de Dom Pedro de Menezes estava o ermamento das regiões circumvizinhas de Ceuta.
-> Em resposta a esta táctica, os marroquinos organizam uma guarda regular, montam barricadas nas aldeias vizinhas e tornam a luta numa autêntica Guerra Santa.

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Plano de Ermamento de Ceuta de Dom Pedro de Menezes:

A área coberta devia estender-se até uma légua em torno da cidade, valor que posteriormente aumentaria para 25 léguas.

Toda a navegação mourisca é atacada pelo corso português, aliás, será no decurso de um desses ataques que a vida do governador é colocada em risco, o que revelaria a existência de um forte espírito de cavalaria, quando o próprio comandante-em-chefe faz questão de comandar pessoalmente as suas tropas.

A “zona de segurança” da cidade alarga-se até às aldeias costerias marroquinas mais próximas, que são vítimas de ataques directos e contra os seus barcos, naquilo que é designado como saltos.

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Em 1416 surge a primeira tentativa de estabelecer a paz com os mouros, mas sem sucesso. Dois anos depois a guarnição enfrenta a primeira grande ameaça, que conseguirá repelir graças à chegada de reforços.

O isolamento da cidade acentuar-se-ia a partir de 1417 e, em 1418-19 dar-se-ia o primeiro grande cerco de Ceuta:

Os reforços pedidos por Dom Pedro de Menezes são reunidos por Dom Duarte;

Segundo Zurara, os mouros haviam conseguido reunir 122.000 soldados;
Quando os reforços (600 homens) conseguem chegar à cidade, já esta estava submetida a um segundo cerco;

Embora tenha sido Dom Duarte a reunir os recursos para o exército de socorro seriam os infantes Dom Henrique e Dom João quem lideraria a expedição;

Será depois do regresso do Infante Dom Henrique desta expedição que começa efectivamente a epopeia dos Descobrimentos Portugueses.

Categories: História | Deixe um comentário

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