Daily Archives: 2005/09/15

Ainda mexem!

Fotografia tirada pela câmara de alta definição do rover marciano “Oportunity” no planalto de Meridiani onde surge os traços das rodas do próprio Rover.O rover “Oportunity” e o seu gémeo “Spirit” activos em Marte depois de terem sido à muito esgotados todos os prazos limite de funcionamento (495 e 515 dias, respectivamente) são conjuntamente com o sonda europeia Mars Express dos projectos marcianos mais bem sucedidos de sempre.

O sucesso deste trio prepara terreno para uma missão tripulada que a humanidade deve conduzir a Marte nos próximos 50 anos e que foi uma promessa da administração Bush. Veremos se será capaz de a cumprir e de reunir esforços com outros países (Rússia, China, Índia e Europa) para financiar e organizar um dos empreendimentos mais importantes da História do Homem na Terra…

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Parte 5: Os Descobrimentos Portugueses: Teses sobre a Conquista de Ceuta

Tese Tradicional sobre a Conquista de CeutaDesde Zurara e até à “Monarquia Lusitana” que se defendia que a ida a Ceuta resultara da necessidade de armar cavaleiros os filhos de Dom João I. Era a chamada Tese da Cavalaria.

Esta tese, conhecida como “tradicional”, sobreviveu até aos nossos dias na versão melhorada de Oliveira Martins, descrita no seu livro: “Os Filhos de Dom João I”.

Tese de António Sérgio sobre a Conquista de Ceuta

No “Ensaio de Interpretação Não-romântica do Texto de Azurara”.
O ensaio é antes do mais uma reacção à obra “Os Filhos de Dom João I”. Este enaltecimento da História leva ao engrandecimento da figura do Infante Dom Henrique, de “sangue celta” (Oliveira Martins julga ter encontrado no Infante o autor do projecto).

Embora António Sérgio se oponha a Oliveira Martins no tocante à sua visão romântica, admite contudo que Ceuta marca o começo do processo de Expansão. António Sérgio defende uma tese económica e burguesa, uma posição que pretendeu esvaziar a ida a Ceuta de todo o seu pendor nacionalista. Para o autor, a viagem a Ceuta resulta do projecto de um grupo social, a Burguesia, representada por João Afonso, o intermediário entre os Infantes e os Burgueses. A Burguesia pretenderia alcançar as rotas comerciais do Oriente. António Sérgio diz que não precisou de ler a Crónica de Zurara, visto que nela não encontraria as informações de ordem económica que julgava determinarem a conquista da cidade.

O autor julgava que Ceuta era o ponto de chegada a Marrocos da rota que levava, desde o Oriente, o ouro e as especiarias ao norte de África. Escreveria igualmente que Ceuta se encontrava numa zona rica em cereais.

Continuando o seu raciocínio, encontra em Dom João I, o monarca de:
uma Revolução, de uma Revolução Burguesa. A mesma burguesia que financiaria a expedição…

Tese de David Lopes sobre a Conquista de Ceuta

A tese de David Lopes surgiu essencialmente como uma resposta à posição manifestada por António Sérgio. Apesar disso, começa por criticar Oliveira Martins:
No prefácio do “Que Fomos Nós Fazer a Marrocos?” (1924): David Lopes defende que Ceuta não sendo um centro cerealífero, deveria ter sido preterida por uma cidade inserida numa das regiões cerealíferas marroquinas, se essa fosse a principal motivação da conquista.
A tese deste autor é principalmente, uma Tese Política:
A conquista de Ceuta dificultaria a actividade do corso muçulmano nas nossas costas.

É também uma Tese Religiosa: Uma vez que se tratava de um ataque aos muçulmanos, inimigos da Fé Cristã. E, finalmente, é igualmente uma Tese Geo-estratégica: Porque a sua conquista enfraqueceria o Reino muçulmano peninsular de Granada.

Tese de António Borges Coelho sobre a Conquista de Ceuta

António Borges Coelho baseia a sua tese na chamada “Carta do Pão” de 1414, nesta se diz que “Ceuta era um sorvedouro de homens e dinheiro”. Alguns historiadores contrapõe que Pedro de Menezes teria regressado de Ceuta rico, mas a verdade é que esta riqueza se devia não ao comércio mas ao resultado da pilhagem nos arredores da praça forte.

Em suma, A. Borges Coelho diz que a Burguesia foi o primeiro motor da conquista, mas seria a Nobreza a recolher os únicos lucros.

Por fim, para o historiador a conquista de Ceuta não teria resultado num desastre económico. Essa noção teria sido induzida pela Nobreza para impedir o crescimento e implantação da burguesia na praça marroquina.

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Fim do “reposting”…

…terminei a recuperação dos Posts antigos (salvos In Extremis) do grunho e que agora estão também disponíveis através do oGrunho. Daqui em diante prosseguirei com a normal publicação de Posts neste Blogue.

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Parte 24: A Escrita Cónia: O Culto do Touro

São frequentes as representações de personagens com capacetes de cornos, de cabeças de touro, ou de outros elementos directamente relacionáveis com o touro. Temos provas físicas deste culto entre os cónios na necrópole de Fonte Santa (Ourique) onde não longe do Túmulo VIII Caetano Beirão encontrou uma máscara de cerâmica em forma de uma cabeça de touro, que se destinava obviamente a ser utilizada num ritual hoje desconhecido. Também no Túmulo IX de uma outra necrópole, desta feita a de Keition (Alcácer do Sal) Virgílio Correia descobriu associados a alguns enterramentos da II Idade do Ferro pequenos bovinos em argila. Não é impossível estarmos aqui perante uma influência oriental, trazida até à Península através de contactos comerciais. De facto, este elemento é comum na civilização micénica, na Idade do Bronze cipriota. Também os soldados do Império Hitita são representados com estes capacetes no alto relevo de Ramsés II que comemora a sua vitória na batalha de Kadesh. Aliás, já Diodoro Sículo mencionava que o Culto dos Touros era comum entre os Iberos, algo a que Estrabão alude indirectamente na sua descrição do mito do roubo dos touros de Geryon por Herakles. Na Irlanda e em Inglaterra, a cabeça de touro era utilizada como um símbolo de adoração divina.

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Parte 24: A Escrita Cónia: Divindades Guerreiras

Seguindo ainda atentamente o trabalho de Varela Gomes, citamos mais uma passagem do seu artigo “Testemunhos iconográficos na Proto-história do sul de Portugal: smiting gods ou deuses ameaçadores”: “Foi possível atribuirmos, através da observação da sequência estratigráfica, técnica e estilística, à Idade do Bronze Final, uma cena pintada existente no Abrigo Pinho Monteiro. Este, situa-se nos contrafortes da serra de São Mamede, perto da Aldeia da Esperança, no concelho de Arronches (Portalegre)”.“A cena que nos propomos agora tratar, e para a qual não detectamos nenhum contexto material, é constituída por dois antropomorfos. Um oferece corpo quase bitriangular, braços caídos e pernas dispostas em V invertido, encontra-se sobre o dorso de um quadrúpede esquemático e tem na cabeça um gorro ou tiara cónica. A parte inferior do corpo e metade das pernas parecem cobertas por um saiote. A identificação do quadrúpede é dado o seu grau de esquematismo, difícil de concretizar. Pois poder-se-á tratar de um equídeo controlado pelo antropomorfo através de uma rédea que este quase agarraria na mão esquerda, ou, antes, de um touro, cuja armação seria representada com certo grau de perspectiva, interpretação para a qual mais nos inclinamos. À esquerda, e pintado da mesma cor mas um pouco mais acima, encontra-se o segundo antropomorfo, ostenta na cabeça o que julgamos ser a representação de um capacete de cornos e, na mão esquerda, segura um bastão. Encontramo-nos, por certo, perante uma figuração de carácter guerreiro.”

Apesar do carácter pacífico dos povoamentos cónios, um carácter que podemos deduzir a partir da ausência de muralhas ou de qualquer outra estrutura defensiva, o certo é que são frequentes a referências a guerreiros entre os vestígios cónios, como aquelas que Varela Gomes descobriu. Não se tratando de uma sociedade guerreira, quem serão então essas personagens? Líderes tribais? Heróis míticos? Divindades Guerreiras? É difícil saber. Podem ser vestígios de uma época de transição, de uma época em que a ameaça dos invasores célticos vindos da Meseta se começava a fazer sentir, o que explicaria a aparição de homens armados no seio de uma sociedade que não protegia as suas povoações. À parte esta questão, a presença do touro, aliás muito comum noutros locais arqueológicos do sul de Portugal, indica a existência de um culto contínuo desde o Neolítico.

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Parte 5: Os Descobrimentos Portugueses: Crónica de Dom João I, de Fernão Lopes (resumo do conteúdo dos capítulos referentes à tomada de Ceuta)

* Descreve a primeira combinação sobre os termos da trégua entre portugueses e castelhanos.* Menciona as cláusulas das tréguas entre Portugal e Espanha:
Pazes Simples, ou seja, Dom João I queria assinar as pazes com Castela. Dom João I diz querer “lavar as mãos sujas de sangue cristão” auxiliando Castela na conquista de Granada. Ora os negociadores castelhanos querem que isso conste no tratado, o que implicava que Portugal ficava subordinado a Castela, visto que lhe prestava Serviço Militar. Dom João não podia concordar com um arranjo desta ordem.

* Surge uma nova sugestão dos portugueses em retomar a luta contra os mouros.

* Refere-se o problema das galés preparadas para auxiliar Castela contra os mouros: No decurso das negociações tinha ficado estipulado que Portugal auxiliaria Castela se esta o requeresse. É no decurso deste problema que Dom João I começa a preparar uma armada. Como esse pedido expresso não surge, Dom João I acabará por decidir empregá-la para outro fim: A Tomada de Ceuta.

* A questão com Castela é resolvida com o Tratado de Paz Definitiva de 1411, após o que o rei começa a preparar a armada (1409-10).

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Parte 23: A Escrita Cónia: Deusa Salutífera, uma Deusa-Mãe

A confirmada presença fenícia não pode ter deixado de influência a religião das populações indígenas. O arqueólogo Mário Varela Gomes pode ter encontrado vestígios dessas influências em Garvão, conforme escreveria: “enorme depósito votivo secundário indica ter existido em Garvão (Ourique). Neste local prestava-se culto a uma divindade feminina do tipo da Tanit cartaginesa, senhora da luz, da felicidade, mas também da morte e da regeneração a quem se ofereciam ex-votos, alguns anatómicos, em ouro e prata, além de peças coroplásticas e grande quantidade de recipientes com diversas formas e funções.” Mas aquilo que pode indicar essa influência semítica é negado por se tratar de um santuário “céltico” e pelas características demasiado genéricas da divindade cultuada. A influência fenícia no sistema religioso cónio não parece ter sido sensível, algo que deve ter resultado da quase inexistência de mercadores fenícios no nosso território. Esta “Tanit” estará certamente ligada por laços genéticos ao culto neolítico da Deusa-Mãe, comum aos povos megalíticos que abundantes vestígios deixaram no sul de Portugal. Dada a aparente continuidade entre estes povos neolíticos e os cónios, e mantendo a negação do carácter exógeno da origem dos cónios – como as provas arqueológicas parecem indicar – é altamente provável que exista algum tipo de culto a uma divindade feminina testemunhado nas estelas inscritas cónias, um pormenor a que estaremos particularmente atentos na nossa tentativa de tradução.

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Parte 22: A Escrita Cónia: Divindades adoradas pelos Cónios: Influências Exteriores

É um exercício particularmente difícil reconstruir a Civilização Cónia e, particularmente, o seu sistema religioso. Mas sendo as estelas cónias monumentos funerários e, consequentemente, de teor religioso este é um exercício indispensável.A adopção do culto de divindades salutíferas romanas, de que Esculápio constitui o melhor, pode ser um indicador de que já preexistia nas populações a predisposição a cultos deste género, ou mesmo cultos semelhantes que foram absorvidos e “latinizados”. Testemunho deste processo pode ser o tempo de Esculápio de Mirobriga (Baixo Alentejo) e a estátua deste médico divinizado descoberta em Serpa.

Não existem sinais suficientes para nos permitir defender a continuidade de um culto à Deusa-Mãe desde a época neolítica. É certo que alguns vestígios arqueológicos indiciam a sobrevivência de cultos a divindades femininas na Idade do Ferro do Sul, como se depreende dos “dois brincos de orelha, lunulares e terminados com duas pequenas esferas de ouro, na lúnula estão soldadas 14 pequenas cabeças femininas representando talvez Hathor, Astarté ou Aphrodite” que o Caetano Beirão descobriu no Tesouro do Gaio, em Sines.

Como dissemos, a reconstrução do sistema religioso cónio é, sem dúvida, um exercício particularmente difícil. Desde logo escasseiam os vestígios arqueológicos, os monumentais estão completamente ausentes e as fontes escritas ou estão por traduzir, ou escasseiam entre os autores clássicos. Existem contudo alguns elementos disponíveis que podem ser utilizados para tentar uma reconstrução parcial das crenças dessas populações do sul do actual território português.

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Os Sangramentos Nasais: O que fazer e Como Evitar

1. A pessoa deve estar sentado ou parada, sem inclinar a cabeça para trás, se o fizer isso fará com que o sangue desca pela garganta dando a falsa impressão de ter parado o sangramento, o que na realidade, não aconteceu.2. Limpe o nariz sem introduzir nada dentro das fossas nasais

3. Pressione firmemente com o polegar e os restantes dedos as narinas, como se estivesse a fechar o nariz perante um cheiro desagradável. Mantenha esta pressão por 5 minutos.

4. Mantenha a cabeça acima do nível do coração, sentado ou parado.

5. Pode aplicar gelo (envolto num pano) durante 3 ou 6 minutos, mas não mais.
6. Coloque um algodão húmido com o tamanho do dedo mínimo na fossa nasal e faça novamente pressão por 5 minutos.
7. Se ainda assim o sangramento persistir, leve o doente ao médico.

Para prevenir novos episódios:
a) Não se deve assoar violetamente nem introduzia nada no nariz. Para o limpar use soro.
b) Evite esforços ou actividades físicas intensas.
c) Por vezes, o médico recomenda a instalação de um humidificador do ar para combater o ar seco, uma das causas mais frequentes para sangramentos nasais. Noutras ocasiões a aplicação de vaselina no interior do nariz antes de deitar. Também é frequente o uso de uma solução salina com a mesma finalidade.

A situação reveste-se de relativa normalidade, mas deve ser reportada ao um médico se:
a) O sangramento não parar
b) Se é frequente
c) Se o paciente se sentir débil ou desmaiar
d) Se o sangramento fôr pela garganta e não pelo nariz

Fontes:
http://www.mipediatra.com.mx/infantil/epistaxi.htm
http://portal.ua.pt/projectos/mermaid/hemorragias.htm#hnasal
http://kidshealth.org/teen/en_espanol/cuerpo/nosebleeds_esp.html

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Movimento 560

O Proteccionismo está de volta e cada vez com maior vigor à medida que as fragilidades e desigualdades da Globalização se forem impondo.

Visite o site do http://560.adamastor.org/informacoes.html”

No nosso lado, a adesão é total: sempre que compramos algo procuramos sempre produtos nacionais, ainda que mais caros ou que não tenham exactamente as características que procurávamos.

Lembrem-se: Comprar produtos portugueses é dar emprego a portugueses, e um desses portugueses pode ser voçê!

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Os Problemas da Energia Eólica

Agora que o governo Sócrates parece ter eleito a Energia Eólica como a grande aposta em energia alternativas importa talvez indicar que esta não é contudo completamente isenta de defeitos (como tudo na vida, suponho…) uma vez que não faltam artigos e fontes jornalísticas diversas que apregoam as suas virtudes:a) A produção energética por unidade é baixa.

b) Existem grandes variações na produção de energia, dado que a fonte enérgica tem intensidade variável. Frequentemente estas variações não coincidem com as variações do consumo e logo, necessariamente, é necessária a construção de sistemas de baterias que permitam responder por estes desfasamentos

c) Somente alguns locais são adequados à instalação de geradores, nomeadamente aqueles onde a velocidade do vento é suficiente para alimentar as pás dos gerados durante a maioria do ano.

d) Os locais onde se constroem os geradores não devem ser habitados, dado que a rotação das pás interfere com transmissões de televisão, rádio e telemóveis.

e) Uma falha mecânica com um gerador – nomeadamente com pás que saltam dos eixos – podem ser perigosos, provocando mortos e feridos (se a construção do gerador violar a regra citada em d)) ou danos nos outros geradores.

f) Existe algum impacte junto do meio natural, nomeadamente resultante da necessidade de abrir clareiras para construir o parque eólico, as suas instalações de apoio e os acessos, e os riscos aos pássaros que podem pertencer a espécies protegidas.

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Argumentos contra e a favor do uso da energia nuclear

PRO:
1. No Japão, onde a Energia Nuclear fornece 27% das necessidades energéticas do país, novas centrais estão a ser construídas ao ritmo mais alto do mundo.
CONTRA:
1. Na Suécia, onde a Energia Nuclear fornece 42% do total das necessidades energéticas, um Referendo Nacional ordenou o encerramento de todas as centrais do país.PRO
2. A Energia Nuclear é uma das formas menos dispendiosa (custo por KW) de produzir energia eléctrica.
CONTRA
2. Entre 1971 e 1985 o custo de construir uma nova central nos EUA aumentou seis vezes (mais sistemas redundantes e de segurança)

PRO:
3. Os riscos de acidentes nucleares foi actualmente reduzido para um nível de probabilidade muito baixo.
CONTRA
3. Um acidente com uma Central Nuclear pode custar 50.000 mil mortos e 314 biliões de USDs em danos à propriedade “Atomic Industrial Forum, Inc., 1988”

PRO
4. O relativamente pequeno volume dos resíduos produzidos torna-os facilmente monitorizáveis e controláveis.
CONTRA
4. Ainda não existe tecnologia para eliminar todos os resíduos nucleares e o seu armazenamento a muito longo prazo não pode ser garantido.

PRO
5. Nos EUA, não existem relatos comprovados de problemas clínicos em trabalhadores de Centrais decorrentes do seu trabalho nestes locais.
CONTRA
5. Esta omissão pode resultar do facto dos danos das radiações serem geralmente provocados a longo prazo e do estabelecimento díficil de relação entre os mecanismos de causa e efeito.

Pode ler o original aqui

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Parte 4: Os Descobrimentos Portugueses: Os Primeiros Tempos Após a Conquista de Ceuta

Alexandre Lobato expressa a sua opinião sobre o assunto na sua obra “A Vida Quotidiana em Ceuta depois da Conquista”:Esta obra pretende ser um resumo da pesada e pouco acessível “Crónica de Dom Pedro de Menezes”.

Neste seu livro o autor mostra como Ceuta foi um acto de cavalaria, com motivações:
-> Religiosas;
-> Sociais;
-> Políticas e
-> Económicas.

A conquista de Ceuta seria o resultado de uma mentalidade e só pelo estudo da mentalidade do século XIV é que se poderia alcançar a compreensão sobre as motivações da expedição.

Nesta obra vê-se como desde a sua conquista e até 1640 nunca a guarnição teve um período de paz duradoura:

A primeira escaramuça série verifica-se logo no primeiro mês após a conquista;

A partir de então começam a organizar-se cavalarias para afastar os mouros da cidade:
-> Estrutura-se uma defesa virada para a ofensiva:
1) Destroiem-se os Valados e Arvoredos nos arredores da cidade, uma vez que facilitavam as emboscadas e dificultavam as vigilância;
2) Paralelamente às cavalgadas é montado um sistema de escutas (de dia, as atalaias, durante a noite, as escutas própriamente ditas);
3) Nos planos de Dom Pedro de Menezes estava o ermamento das regiões circumvizinhas de Ceuta.
-> Em resposta a esta táctica, os marroquinos organizam uma guarda regular, montam barricadas nas aldeias vizinhas e tornam a luta numa autêntica Guerra Santa.

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Plano de Ermamento de Ceuta de Dom Pedro de Menezes:

A área coberta devia estender-se até uma légua em torno da cidade, valor que posteriormente aumentaria para 25 léguas.

Toda a navegação mourisca é atacada pelo corso português, aliás, será no decurso de um desses ataques que a vida do governador é colocada em risco, o que revelaria a existência de um forte espírito de cavalaria, quando o próprio comandante-em-chefe faz questão de comandar pessoalmente as suas tropas.

A “zona de segurança” da cidade alarga-se até às aldeias costerias marroquinas mais próximas, que são vítimas de ataques directos e contra os seus barcos, naquilo que é designado como saltos.

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Em 1416 surge a primeira tentativa de estabelecer a paz com os mouros, mas sem sucesso. Dois anos depois a guarnição enfrenta a primeira grande ameaça, que conseguirá repelir graças à chegada de reforços.

O isolamento da cidade acentuar-se-ia a partir de 1417 e, em 1418-19 dar-se-ia o primeiro grande cerco de Ceuta:

Os reforços pedidos por Dom Pedro de Menezes são reunidos por Dom Duarte;

Segundo Zurara, os mouros haviam conseguido reunir 122.000 soldados;
Quando os reforços (600 homens) conseguem chegar à cidade, já esta estava submetida a um segundo cerco;

Embora tenha sido Dom Duarte a reunir os recursos para o exército de socorro seriam os infantes Dom Henrique e Dom João quem lideraria a expedição;

Será depois do regresso do Infante Dom Henrique desta expedição que começa efectivamente a epopeia dos Descobrimentos Portugueses.

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Parte 20: A Escrita Cónia: O Fim dos Cónios e a Razão do Desaparecimento da sua Língua

No mundo dominado pelo Império Romano, a permanência de uma língua indígena esteve intimamente ligada à manutenção dos demais traços da cultura subjacente. Onde mais prolongada foi a resistência desta, mais tempo durou o emprego da língua indígena.Vimos que no Sul, já frequentado, anteriormente aos Romanos, pelas navegações fenícias e gregas, maiores raízes criou a civilização dos conquistadores. A florescente Bética, não muito depois da conquista, já se tornara numa segunda Roma. Não surpreende, pois, o testemunho do geógrafo Estrabão, que escrevendo sobre Bétis, comenta: “adoptaram de todos os costumes romanos, e até nem já se lembram da própria língua.”

Muito diferente, porém, era o panorama das populações mais ao Norte. Aí só lentamente se foi infiltrando a romanização, e, como consequência, até bem tarde perduraram os costumes e a língua dos antepassados pré-romanos.

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A “Base de Dados” / Al Qaeda

Muito se tem escrito sobre a origem da denominação “Al Qaeda”. Mas sempre em torno da mesma tese, veícula a partir dos EUA: “Al Qaeda” significaria “A Base”, no sentido em que seria uma espécie de coligação de movimentos integristas que defendiam o ataque de alvos ocidentais pelo uso de meios armados e de “operações de Mártires”. Nada mais falso. A “Base” não é base nenhuma para movimentos anti-ocidentais…A designação quando o director dos Serviços de Informações da Árabia Saudita (o príncipe Turki al-Fayçal al-Saud) entregou a Osama Bin Laden e missão de gerir financeiramente as operações da CIA no Afeganistão. De 1979 a 1989, a CIA enviou para esta guerra secreta a imensa quantia de 2 mil milhões de dólares, e cabia a Bin Laden a gestão e distribuição pelos diversos movimentos que combatiam os soviáticos destes fundos.

E sabem onde Osama coloca estes dados? Exacto. Numa base de dados, a que chamava a “Base”, isto é, “A Base de Dados”…

In “11 de Setembro, 2001, a Terrível Impostura” de Thierry Meyssan, Frenesi.

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A Arca da Aliança

1. Introdução

A interminável sequela dos filmes da série «Indiana Jones» abordou na sua primeira encarnação o tema da «Busca da Arca Perdida», e podemos considerar que a temática escolhida terá sido um dos elementos determinantes para o sucesso do filme. Cremos que assim foi devido à grande populariedade que no imaginário judaico-cristão ocidental as místicas do Velho Testamento ainda conservam.Segundo a Bíblia (cap. XXV do êxodo) a Arca fora encomendada segundo uma forma muito exacta pelo Deus dos Judeus e executada sob as ordens directas de Moisés.

A Arca era constituída por um cofre de madeira revestido por uma protecção metálica dupla, no exterior e no interior, provavelmente de ouro e chumbo. Tinha no cimo dois arcanjos de ouro com asas abertas em atitude de protecção do cofre. O propiciatório colocado sobre a Arca media 2 cóvados e meio por um cóvado e meio, o que nos permite indirectamente avaliar as dimensões da Arca de Aliança. Segundo alguns autores conteria apenas as Tábuas da Lei dadas a Moisés por Yavé, segundo outros, além destas incluiria também o Bastão de Arão e um pote de Maná do deserto.

A guarda da Arca era confiada aos Levitas, os únicos com direito de lhes tocar. Estes, para a deslocarem «enfiavam dois bastões cobertos de ouro nos anéis».

2. A Arca da Aliança, uma pilha eléctrica?

Como dissemos a Arca era feita de madeira de cedro reforçada a ouro por dentro e por fora (o mesmo princípio dos condensadores eléctricos: dois condutores separados por um isolante). A Arca permanecia numa região seca, onde o campo magnético natural atinge normalmente 500 a 600 volts por metro vertical.

Uma vez isolada, a Arca por vezes aureolava-se de faíscas incandescentes e se algum imprudente lhe tocava provocava terríveis estremeções. Por outro lado, os levitas encarregues do seu transporte não lhe tocavam directamente mas só por intermédio de bastões de madeira (material isolante). Quando David pretendeu transportá-la da casa de Abinadan para o seu palácio, deu-se um incidente: a arca estava colocada sobre um carro de quatro rodas completamente novo, conduzido por Oza, filho de Abinadab; como os bois que o puxavam escoicinhavam «ao chegar perto da eira de Nachom, Oza colocou a mão sobre a Arca de Deus», para a segurar, pois estava perigosamente inclinada. E caiu fulminado.

Escavações feitas em alguns templos egipcios mostraram diversos engenhos que visavam impressionar os crentes através de efeitos de luzes e sons. Por outro lado, no Iraque nos anos sessenta foram descobertos diversos pequenos condensadores que tinha a finalidade de por electrolise aplicarem uma leve camada de ouro em estátuas de bronze. As bases da electricidade eram portanto conhecidas no Médio Oriente Antigo. Essa tradição pode ter sido captada pelos hebreus durante a sua presença no Nilo, com efeito, a composição de materiais da Arca sugere que ela se pode ter portado como uma pilha eléctrica com um pequeno condensador. As suas descargas de electricidade estática, embora não fossem certamente suficientes para fulminar alguém (apesar de alguns exageros bíblicos), eram com certeza bastantes para impressionar os crentes.

3. Simbolismos

Existem diversas leituras simbólicas para a Arca da Aliança e para os seus componentes. C. G. Jung refere que a Arca quando surgia nos sonhos era um símbolo do seio materno, mas para além desta leitura psicológica existe uma outra, aquela que os cristãos romanos mais tarde fariam, em que associavam a Arca à mãe de Deus, enquanto mediadora entre o Homem e o Divino, designando-a então por Arca da União.

Um dos componentes essenciais da Arca era a madeira. A madeira simbolicamente é equiparada à matéria em geral, mantendo um estreito relacionamento com o significado de «força vital», de «maternidade», e daí, com «fecundidade». Por outro lado, a escolha da madeira de Cedro também não está isenta de significado. Trata-se de um símbolo de grandeza e do sublime em razão do seu tamanho. É também um símbolo da força e da perenidade em virtude da resistência da sua madeira. Enfim, como todas as coníferas, é também um símbolo de imortalidade.

Além das Tábuas da Lei, que testemunham o contrato entre Deus e o Homem, e que regem a conduta deste último, outro dos componentes guardados dentro da Arca seria um resto de Maná, do mesmo Maná que alimentara os hebreus durante a sua caminhada pelo deserto (æxodo). O Maná é a designação simbólica de todo o alimento sobrenatural, simboliza igualmente o Logos.

Reunindo todos estes elementos simbólicos chegamos algumas conclusões interessantes. Em primeiro lugar a Arca era o símbolo do próprio Israel, terra-mãe e prometida dos hebreus. Noção esta que é reforçada pela madeira sua principal componente, também ela símbolo da maternidade, por outro lado a escolha do Cedro não foi certamente casual sendo ele um símbolo de força e grandeza. Não deixa de estranhar que o fim do estado de Israel tenha surgido pouco depois do desaparecimento da Arca (excluindo uma lenda etíope), ou seja, após o fim da força e grandeza deste. Por outro lado, a imortalidade simbolizada pelo Cedro também se revela na tradição que diz que a Arca não se perdeu, que foi guardada em lugar seguro e que um dia regressará ao seu legítimo lugar, o Templo de Salomão reconstruído. Quanto ao seu conteúdo, o Bastão de Arão simbolizaria o poder temporal do Estado de Israel, as Tábuas o Contrato entre Deus e Israel e o Maná o próprio Logos (ou Razão e Ordem Divinas) que porque incluso na Arca, deveria pertencer ao próprio espírito do Estado Israelita.

4. Historial

Sabe-se que Nabucodonossor II, senhor da Babilónia, no ano de 586 d.C. conquistou Jerusalém. O Templo de Salomão foi então destruído e os judeus levados para Babilónia no cumprimento de uma política de desenraízamento característica das soberanias orientais (inaugurada pelos Assírios). Só depois de 538 a.C. graças à tolerância do Rei dos Reis Persa Ciro II, que conquistara Babilónia, é que os judeus puderam regressar à Terra Prometida. De regresso, o rei judeu Zorobabel encetou a reconstrução do Templo, tendo sido concluída pelo escriba Esdras, sob a soberania do persa Artaxerxes, entre 404 e 358 a.C. Esdras conseguiu fazer regressar para Jerusalém a maior parte da ainda importante colónia judaica em Babilónia. Mas a Arca da Aliança nunca chegara a ir para Babilónia. As referências à pilhagem do Templo por Nabucodonossor II não mencionam a captura do importante objecto de culto (consequentemente uma arma política vital) que era a Arca. Mas mesmo se admitirmos que fosse transportada em segredo para Babilónia isso não explica como depois desta conquistada por Ciro II, fosse transportada para Jerusalém e não para a Pérsia vitoriosa. Ao que tudo indica teria sido escondida em lugar seguro pelos sacerdotes responsáveis pela sua guarda, e daí retirada posteriormente. É assim que quando sob Esdras o Templo é reaberto a Arca reocupa nele o seu lugar central. O seu traço só vem efectivamente a desaparecer muito tempo depois, precisamente quando os romanos ocupam Jerusalém e levam para Roma o seu espólio. Roma receberá assim no seu Tesouro a Arca. Daqui em diante não surge qualquer referência ao objecto. É provável que quando em 24 de Agosto de 410 Alarico, rei dos Ostrogodos, entra na Cidade Eterna e a pilha sistematicamente durante três dias, se tivesse apossado dela, mas também aqui faltam todas as referências.

Esta é a primeira tese, aquela que refere que a Arca teria acabado por cair nas mãos dos bárbaros Ostrogodos. Mas existe uma lenda etíope que lança uma segunda tese, insólita, mas porventura menos conjectural. A lenda é referida no livro «Éthiopie, fidéle à la Croix»: «Makeda, rainha de Sabá, cujo reino poderoso se situava entre as duas margens do mar Vermelho, iniciou um dia uma longa viagem em direcção ao norte. Ouvira falar da sabedoria do rei Salomão e tinha sido informada sobre o esplendor das riquezas de que este se rodeava. Iniciou a viagem com 797 camelos e um grande número de burros e mulas, carregados de presentes. Salomão exultou com a visita da rainha, possuídora de rara beleza, chegada de um país maravilhoso. Ofereceu-lhe refeições variadas e vestidos todas as noites.

A rainha prolongou a estada, admirando a sabedoria com que Salomão dirigia os trabalhadores do Templo, e conversava longamente com o rei sobre questões religiosas. A rainha de Sabá adorava o Sol, a Lua e as estrelas e transmitiu a Salomão o essencial para a construção do Templo.

Por fim resolveu regressar a fim de se ocupar do seu reino. Quando Salomão recebeu esta notícia pensou: «Quererá Deus dar-me um filho desta mulher tão bela que veio ao meu encontro do outro extremo do mundo?»

Decidiu realizar o seu desejo. Durante o banquete que deu em honra da rainha, mandou servir iguarias muito condimentadas para provocarem sede e, quando a noite desceu, convidou-a a passar a última noite no palácio real.

Esta consentiu na condição de não ser violentada. Em contrapartida aceitou não tocar em nada que pertencesse ao palácio. Foram colocadas duas camas nas extremidades da sala, e deitaram-se. A rainha acordou passado pouco tempo e, ao ver um jarro que os servos tinham colocado no meio do quarto, teve vontade de beber. Mas Salomão estava atento. Impediu-a de beber e disse: «Quebraste a promessa que tinhas feito.» A rainha reclamou que a promessa não se referia à água, mas o rei respondeu-lhe que nada havia de mais precioso no mundo, ela reconheceu o erro e pediu de beber.

Salomão libertou-se assim da promessa que fizera e obteve o que queria. Em seguida entregou um anel à rainha e disse-lhe: «Se tiveres um filho, dá-lhe este anel.» A rainha partiu para a Etiópia, onde deu à luz um filho que recebeu o nome de Menelique.

Ao atingir a idade adulta, desejou visitar seu pai. Nessa altura, a rainha entregou-lhe o anel e Menelique iniciou a viagem acompanhado de um séquito numeroso.

Como não queria reinar em Israel, contrariando assim aos desejos de seu pai, Salomão ungiu-o com o îleo Santo da Realeza e Menelique regressou à Etiópia.»

A versão etíope acrescenta que juntamente com Menelique partiram os filhos dos conselheiros e oficiais de Salomão, levando a Arca da Aliança, que desde então teria ficado guardada num local oculto em Santa Maria de Sião, na cidade etíope de Axum. Outra tradição afirma que foi à força que Menelique conseguiu roubar a Arca da Aliança aos hebreus.

5. Conclusão

Daquilo que acima foi escrito constatamos que as imagens do filme pouco correspondem à realidade. O seu aspecto geral é o correcto, especialmente pela presença dos dois arcanjos de asas abertas. Mas nada sugere que ela tenha sido capturada por algum Faraó egipcio.

No final do filme, vemos os anjos que dentro dela estariam guardados a fulminar os nazis que a profanavam. Tam-bém em relação a eles não existe nenhuma referência bíblica. Muito embora as descargas de electricidade estática acima referidas possam surgir aqui como uma possível fonte. Finalmente não se faz qualquer referência nem ao Bastão de Arão nem ao Maná do deserto. Também não parece provável que esteja guardada num qualquer armazém do exército dos EUA, muito mais provavelmente ou continua no mesmo esconderijo onde a guardaram antes da pilhagem de Jerusalém pelos Romanos ou foi levada por estes para Roma, onde teria sido guardada até à conquista bárbara, ou, mais provavelmente, derretida e transformada em barras de ouro.

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Petição “OTA e TGV – Esbanjamento Despropositado”

A fúria dos financiadores da campanha do PS parece imparável. Contra toda a razoabilidade e bom senso parece que as obras faraónicas do novo aeroporto na Ota e as múltiplas e inúteis linhas do TGV vão mesmo avançar.Coelho está por detrás desta sanha furiosa para afundar nos projectos e Sócrates que tem fama de teimoso vai para a frente com os projectos mesmo que contra eles se erga todo o país.

Este país devia investir no seu grande problema: o subdesenvolvimento da nossa indústria e a nossa quase total dependência do petróleo. Para isso, podiámos investir numa rede pública de centrais eléctricas de energias renováveis e reponderar a hipótese nuclear. Não torrar os preciosos recursos que nos restam em coelhadas.

Recomendo a visita da petição “OTA e TGV – Esbanjamento Despropositado” que pode ser assinada clicando aqui

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“A Guerra dos Mundos” de Steven Spielberg

Sem dúvida que este é um dos melhores filmes da temporada e provávelmente um dos melhores do realizador norte-americano. Na maior parte do filme, o espectador está be unhas fincadas na cabeira e quando cambaleia até à porta de saía, tal é a intensidade do fime.Dito isto, tenho que dizer que quem ainda não viu filme não deve ler as próximas linhas, sob pena de prejudicar o prazez desse visionamento…

Com efeito, gostaríamos de abordar algumas questões que o filme levanta:

1. A Homenagem: O filme de Spielberg é uma homenagem discreta ao fime “A Guerra dos Mundos” da década de cinquenta. Além de ser como ele uma adaptação moderna da obra do romancista inglês H. G. Wells, começa como ele com a mesma narraçâo e encerra também de forma semelhante. Como ele, mantém quase inalterada a cena em que se abre a escotilha do tripóide alienígena e de sai uma mão de três dedos com ventosas que cai da escotilha como sinónimo da morte do invasor. Diverge deste quando não resiste a mostrar o rosto da criatura, um “pecado” bem compreensível porque o público da actualidade não é como o da década de cinquenta, porque de tão saturado de monstros – alguns da autoria do mesmo realizador – nâo aceitaria conhecer o rosto e o corpo dos invasores. Neste aspecto, um dos pontos fracos do filme está naquela cena em que um grupo de invasores investiga – nús, sem nenhum tipo de fato de combate – o conteúdo da cave onde se escondera o herói.

2. A ritualística do “11 de Setembro”: o trauma provocado na sociedade norte-americana aquando do “11 be Seyembro” ainda está bem evidente neste filme. A bandeira da União está presente em várias cenas e no início do filme os protagonistas julgam estar perante um “ataque terrorista”. A este propósito não deixa de ser irónico comparar o exemplo americano com o nosso: se para o americano ostentar a sua bandeira na forma é uma forma de dizer aos terroristas que estes não o atemoriza e que aquela casa pode ser um alvo. Neste aspecto as bandeiras que ainda hoje estão decorando muitas janelas portuguesas não deixem de ser um tanto patéticas porque comemoram apenas a realização de um evento desportivo passado e onde ainda por cima não saímos vitoriosos…

3. “Os primeiros traços da invasão são confundidos com fenómenos naturais”: como no filme da década de cinquenta os primeiros sinais da presença alienígena são confundidos com fenómenos naturais. Antes meteoritos e agora tempestades eléctricas.

4. Spielberg optou por fazer surgir os tripóides de debaixo da terra, onde teriam sido deixados à milhões de anos atrás pelos alienígenas. Um bkm filme assenta sempre no delicado equilíbrio entre espectáculo e realismo. Por vezes os realizadores puxam demais para o espectáculo e foi o que aqui aconteceu.

Não é plausível que uma raça de invasores tivesse enterrado sob os nossos pés centenas ou milhares de tripóides e que nenhum tivesse ainda sido descoberto.

Não é plausível que tendo estado neste planeta o tivessem abandonado numa altura em que ainda não havia ninguém que lhes pudesse oferecer resistência.

Não é plausível que os invasores tivessem organizado duas viagens interplanetárias que exigem certamente recursos muito consideráveis quando podiam ter organizado tudo a partir de uma única operação.

5. Marte: Na história original de Wells e no filme da década de cinquenta a origem dos invasores é Marte. Aqui Spielberg foi forçado a fazer uma actualização. O actual estado dos cenhecimentos sobre o Planeya Uermelho é actualmente muito desenvolvido, sobretudo depois da recepção dos robots motorizados que ainda hoje progridem na superfície marciana e não é já plausível conceber a existência de uma espécie avançada em Marte (embora ainda exista esperança de encontrar aqui vida bacteriana ou pequenos insectos ou vermes subterrâneos). A haver uma invasão espacial esta viria certamente do alto (como no péssimo “Independency Day”) e nunca de debaixo da terra…

6. Embora isso possa desagradar a muitos apaixonados pela Ficção Científica a verdade é que é muito provável que o primeiro contacto com uma espécie inteligente alienígena fosse violento. Neste aspecto o E.T. é um “alien” muito menos plausível que os invasores deste filme… Mas porque seria este contacto violento? Porque segundo toda a probabilidade os seres que seriam capazes de cruzar as distâncias interplanetárias seriam muito inteligentes e o estádio final de evolução de uma espécie de caçadores, uma vez que o acto da caça implica uma maior inteligência porque implica a concepção de uma estratégia, de um plano, de uma acção coordenada e para que essas condições sejam reunidas é necessário bastante inteligência e é por causa disto que o Homem descende de um caçador omnívoro e não de um pacífico ruminante…

7. No filme – como na obra original de Wells – os tripóides alienígenas estão protegidos por campos de forças que os tornam imunes a tudo o que os homens lançam contra eles. Não são dados detalhes sobre estes campos de forças mas para além da sua improbabilidade científica – ainda que fossem magnéticos isso não os defenderia de armas não magnéticas como já é actualmente possível conceber. Por outro lado, esses campos teriam que ser emitidos a partir de um ponto central (geradores de campo?) e como qualquer campo magnético é sempre mais intenso quanto mais próximo se está do seu centro isso implica que o próprio núcleo dos tripóides seria destruído (repelido) para o exterior! Parece ainda evidente que os tripóides comunicavam entre si e com uma frota deixada em órbita. Ora essas comunicações tinham que passar essa barreira e – logo – ela era permeável a radiação! E se era penetrável pkr radiação porque não foram usadas armas nucleares no filme? Talvez porque Spielberg soubesse que nada pode resistir a um impacte directo de um engenho nuclear…

8. Nos dois filmes e no livro original os invasores são derrotados pelos microrganismos cem que os humanos se habituaram a conviver mas que são estranhos aos alienígenas. Neste ponto a plausibilidade do enredo é muito alta, mas fraca no desconhecimento dessa ameaça por parte dos invasores. Como podia uma raça tão avançada ao ponto de conseguir atravessar as imensas distâncias siderais desconhecer o risco de contaminação biológica? Como podiam criaturas manifestamente mais inteligentes do que nós respirar o nosso ar (a cena da cave) sem usarem sequer um simples filtro?

9. No filme os protagonistas percorrem as estradas americanas num Pontiac (claro… num carro americano) que consegue andar porque o solenóide do motor de arranque foi substituído depois da tempestade magnética. Mas essa mesma vaga de EMP teria também destruído todos os solenóides armazenados nas redondezas! E, aliás, teria o mesmo efeito na próprias máquinas dos alienígenas as quais aparentemente também usavam alguma forma de electricidade como se deduz do uso de trovões como forma de transporte dos alienígenas desde as naves em órbita até aos tripóides enterrados no solo?

10. O “Complexo do Herói”: Ao longo do filme o protagonista principal cujo papel é soberbamente desempenhado por Tom Cruise tem um papel relativamente passivo na acção, limitando-se quase sempre a seguir o rumo dos acontecimentos que o rodeiam. Contudo, perto do final, Spielberg cede e atribui ao até então relativamente apagado Tom Cruise uma acção heróica quando o coloca a destruir um tripóide com um cinto de granadas de mão… O sucesso do modo americano de fazer filmes depende de um factor: a identificação do espectador com o personagem. E para que essa identificação fosse bem sucedida o personagem tinha que ser um herói, alguém que se pgssa admirar e seguir.

11. Para o nacionalismo americano ainda muito ferido depois dos acontecimentos de 11 de Setembro a impotência revelada pelos seus militares ao tentarem repelir os invasores não era algo tolerável. Por isso, Spielberg coloca na cena final do filme um pelotão de soldados americanos a derrubarem um tripóide. O que o realizador não explica é porque é que os invasores desligaram os escudos dos tripóides em pleno território hostil…

12. Por fim, e para não me alongar mais porque é que Tom Cruise consegue cortar o pescoço do olho espião com um simples machado? Aço normal contra liga alienígena e o primeiro revela-se mais forte? Hum… E aliás, porque é que depois da destruição do olho espião os invasores não enviam ninguém a tentar apurar o que se passou?

Encerrando este já longo Post. Não estamos perante o melhor filme de FC de sempre (O Solaris original? 2001?), mas perante um dos melhores dos últimos anos, e certamente perante um dos mais emocionates. Apesar dos erros (a lista é apenas fragmentária) continua a ser um bom filme cujo visionamento recomendo vivamente.

O site do filme pode ser acedido aqui

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Parte 18: A Escrita Cónia: A Economia de Tartessos

Embora escasseiem os vestígios materiais, é possível esboçar a estrutura económica da civilização cónia. Tratava-se – segundo a “Orla Marítima” de Avieno – de uma economia em que as trocas comerciais e as navegações oceânicas desempenhavam um papel nuclear. A “Orla Marítima” diz-nos que: “entre os Tartéssios, havia o costume de negociar nos confins da Estrimnidas (Bretanha). Também os colonos cartagineses e o povo que habitava junto às Colunas de Hércules frequentavam esses mares, águas que, no dizer do cartaginês Himilco, apenas durante quatro meses podiam ser percorridas”. Este povo sem nome pela posição geográfica era sem dúvida o cónio e as cidades de onde partiam estes navios eram certamente as cidades cónias da costa hoje algarvia. Era assim essencial o papel desempenhado pelas cidades costeiras cónias no circuitos marítimos que ligavam o reino de Tartessos à Bretanha, um papel que para além de ser o de local de passagem e de abastecimento para os navios que empreendiam essa longa viagem parecia ser também mais activo e participativo, uma vez que parecem ter havido navios cónios empenhados em percursos marítimos até pelo menos à actual costa galega.

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A “Bolsa de Valores”: Fim e Inutilidade

Aparentemente, as bolsas tornaram a recuperar ontem porque “afinal o Furacão X não provocou danos nas plataformas petrolíferas no Golfo do México”.Ou seja, caíram porque os especuladores recearam que as empresas que operam no Golfo perdessem dinheiro com danos nas suas plataformas de extracção, mas como não perderam tornaram a subir. Alguém para além de mim observou a irracionalidade do movimento? Como se estas empresas tivessem algo a ver com as acções em seu nome que são movimentadas na Bolsa…

Nas suas origens a Bolsa e a emissão de Acções serviam como meio de financiamento das empresas e projectos, que as vendiam ao público e recolhiam capital deste modo. Na actualidade, após a emissão, as empresas perdem relação com o papel que emitiram e este é transaccionado vezes sem conta sem que a empresa embolse qualquer coisa. Se é assim, porque é que os eventuais prejuízos de um dado furacão devem afectar as acções de uma qualquer empresa?

O que é actualmente a Bolsa além de um puro jogo virtual completamente desfasado da Economia Real?

Este fenómeno demonstra a irracionalidade do Mercado Bolsista, a qual é contudo perfeitamente capaz de levar consigo ao fundo se num dos seus movimentos irracionais e imprevisíveis entrar em “crash”.

Pelos riscos económicos que induz, e pelos benefícios que traz para a Economia Real (zero) a Bolsa de Valores devia ser suspendida e o capital que nela é desperdiçado devia ser investido directamente nas empresas (Obrigações) ou em aquisições de partes dele através de Fundos de Investimento sem recurso a este mecanismo manhoso, imprevisível, fuga-ao-fiscoso que é conhecido como “Bolsa de Valores”.

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O que se passa com o Islão? Qual a raíz de tanto ódio contra o Ocidente?

Os recentes atentados da Al Qaeda em Londres tornaram a levantar a questão: Porque é que de tantas religiões só no islão assistimos à emergência do fenómeno do terrorismo islâmico?a) Afeganistão e CIA

Na década de oitenta, a CIA e outros serviços secretos ocidentais organizaram conjuntamente com os serviços secretos paquistaneses grupos de combatentes islâmicos que motivados pela fé religiosa e armados com equipamento americano (os famosos mísseis Stinger) e com instrutores americanos e britânicos organizaram uma tenaz guerra de guerrilha contra os soviéticos e aliados do governo afegão.

Estes grupos de resistentes seriam, depois da retirada soviética do Afeganistão o núcleo do movimento fanático conhecido como “Talibans” e da própria Al Qaeda.

De certo modo, americanos e britânicos combatem agora a mesma besta que ajudaram a criar, qual Leviathan que se virou contra o seu criador…

b) o Simplismo do Islão

De todas as grandes religiões o Islão é provavelmente aquela que exige dos seus crentes um menor trabalho de compreensão e interpretação, aquela que pelo literalismo permitido pelos seus textos possibilita uma adesão mais absoluta e literal ao sistema religioso. O Islão não foi criado por nenhum especulador iniciado das escolas rabínicas e no platonismo alexandrino, como Jesus, nem um príncipe real ensinado desde jovem pelos melhores mestres, como Buda, nem Rama, o mítico criador da densa, filósofica e complexa mitologia hindu. Maomé era apenas um homem simples, sem grande instrução nem méritos. É a simplicidade da religião que ergueu nas areias do deserto (local pouco propício a grandes efabulações) que explica o seu actual sucesso e porque é que é o Islão a religião que maior expansão conhece nos dias de hoje.

c) a Globalização

Este movimento que se diz imparável da Globalização e que se traduz na abolição total ou quase total de barreiras alfandegárias impõe aos países menos preparados para resistirem aos desafios da economia moderno padrões de vida inferiores. É sabido que em África se vive hoje pior que na década de quarenta e que a maioria dos países do Médio Oriente têm percentagens de desempregados elevadíssimas, uma vez que as industrias locais são inundadas de produtos de alta tecnologia do Oriente e da Europa e de produtos de consumo chineses e indianos. Essa desindustrialização do Terceiro Mundo, com as excepções chinesas e indianas está a germinar uma numerosa multidão de descontentes que alimentam as correntes mais radicais do integrismo muçulmano num ódio crescente contra o Ocidente e contra a Globalização que ele representa.

d) a “Cruzada”

As recentes operações britânicas e americanas no Iraque foram conduzidas de um modo muito insensível quanto às sensibilidades nacionalistas e religiosas do Médio Oriente. Sem se preocuparem em congregarem atrás de si países muçulmanos, os EUA e o Reino Unido invadiram um país muçulmano e humilharam as suas forças armadas em poucas semanas. Esta cruzada reeditada em pleno século XXI levará séculos a ser esquecida pelos muçulmanos de todo o mundo, uma vez que foram ocupados e bombardeados alguns dos lugares mais sagrados do Islão.

e) a “Questão Palestiniana”

A eternização da “Questão Palestiniana”, a inexistência de um estado palestiniano independente e as constantes humilhações que Isreal exerce sobre os árabes que vivem nos seus territórios e nos países límitofres acicatam o ódio contra os israelitas e todos aqueles que os apoiam, como os EUA. Enquanto a Palestina não fôr um Estado independente, económicamente viável e detiver o controlo sobre os seus locais sagrados em Jerusalém, os muçulmanos de todo o mundo hão-de invocar a questão palestiniana como um dos grandes insultos contra a sua religião e modo de vida.

f) O Colonialismo Britânico e Françês

Uma vez que a maioria dos países do Médio Oriente viveu sobre a ocupação ou protectorado britânicos e franceses, existe contra estas nações um profundo ressentimento histórico. Nas escolas destes países, franceses e britânicos são indicados como os colonialistas que ocuparam os seus territórios e que tiveram que ser expulsos pela força. Neste sentido, o ressentimento contra a França e o Reino Unido é elemento constitutivo da identidade nacional árabe, uma vez que antes do colonialismo europeu não existiam verdadeiros “estados” árabes, mas sultanatos, régulos, clãs e tribos, governados relaxadamente pelo longíquo e obsoleto (mas muçulmano) Império Otomano.

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Parte 3: Os Descobrimentos Portugueses: Documentação diversa sobre a expedição de Dom Luís de la Cerda

15 de Novembro de 1344Resumo:

Bula de Clemente VI, dirigida a Luís de Espanha [Luís de la Cerda] a conceder-lhe e a seus
herdeiros e sucessores católicos e legítimos, em feudo perpétuo, as Ilhas
Afortunadas ou Canárias para ele promover nelas a difusão da fé catolica.

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11 de Dezembro de 1344

Resumo:
Bula de Clemente VI dirigida a Afonso IV, bem como aos reis de Aragão e de
Castela, a comunicar-lhe que, desejando Luís de Espanha promover a dilatação
da fé católica nas Ilhas Afortunadas lhas concedera em propriedade, e lhe
solicita auxílio e favor para tal empresa.

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11 de Dezembro de 1345

Resumo:
Bula de Clemente VI para Luís de Espanha, a conceder
indulgência plenária, em artigo de morte, a todos os que participarem na
expedição às Canárias.

Comentários:
Esta bula parece admitir o fracasso de Luis de la Cerda na conquista das Canárias através da concessão de um regime excepcional idêntico ao que recebiam os cruzados que se batiam na Terra Santa.

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13 de Janeiro de 1345

Resumo:
Bula de Clemente VI para Luís de la Cerda, a conceder a todos os que,
dentro de três anos, trabalhem na empresa de conquista e conversão dos
canários, indulgência plenária em artigo de morte, como se abalassem em
socorro da Terra Santa.

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12 de Fevereiro de 1345

Resumo:
Carta de Dom Afonso IV a Clemente VI em resposta as cartas pelas quais o
pontífice lhe comunicava haver nomeado Luís de Espanha para principe das
Ilhas Canárias no intuito de ele promover nelas a difusão da fé católica, e
lhe solicitava que o auxiliasse com navios, gentes de armas, víveres e outras
coisas. Reclama o monarca as ditas ilhas, atendendo a que foram os
portugueses quem primeiro as encontrou, a proximidade do território de
Portugal e ainda ao facto de ele próprio, antes das lutas com Castela, ter
enviado lá expedição. Cede-as, contudo, ao dito principe, em reverência à Se
Apostólica e por contemplação para com Luís de Espanha, a quem apenas poderá
fornecer víveres e outras coisas dispensáveis, mas não navios e gentes de
armas, tudo pouco para a luta em que está empenhado contra os sarracenos.

Comentário:
* Dom Afonso IV reclama as ilhas para si porque:

-> os portugueses as descobriram;
-> Pela sua proximidade
-> porque ele, Dom Afonso IV, lá enviou uma expedição.

* Segundo alguns, esta carta traduzia a formulação de uma teoria da Guerra de
Cruzada Nacional contra os Sarracenos porque:

1) Afonso IV afirma que as ilhas estão sob a sua influência devido à
proximidade geografica;

2) Teoria da Guerra porque todos os meios militares estão empenhados nela.

* “Antes das lutas com Castela”, Afonso IV, tinha enviado as Canarias uma
expedição. Um conflito que começou em 1336.

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Parte 2: Os Descobrimentos Portugueses: A Questão das Canárias no Tempo de Dom Afonso IV

O Relato de Bocaccio
Através da leitura da Relação de Boccacio surge a seguinte questão:
As ilhas foram:
Descobertas ou
Achadas?

Por outro lado, surgem também mais duas perguntas:

O manuscrito de Boccacio é a primeira referência às ilhas Canárias?
A viagem nela descrita foi de conquista ou comércio?
Posteriormente ao Relato de Boccacio, surgem outras referências a expedições às Canárias:

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A Expedição de Dom Luís de la Cerda

Depois destas expedições – com intuitos comerciais – surge um projecto de conquista sistemática liderado por um nobre castelhano:

Dom Luís de la Cerda

O seu projecto arranca depois de uma Investidura do Papa que o qualifica como Principe da Canária, em troca da sua promessa em cristianizar os indígenas.

Esta expedição dependia largamente do apoio material e logístico dos estados cristãos da Europa. Será precisamente a sua ausência que explicará o falhanço do projecto.

Preocupado com esta eminência, o Papa em 11 de Dezembro de 1344 solicita que Dom Afonso IV municie a expedição de Dom Luís de la Cerda.

A intenção expressa na primeira carta papal é reforçada a 10 de Janeiro de 1345 por outra, também dirigida a Dom Afonso IV, concede ao monarca durante dez anos a dízima dos rendimentos eclesiásticos para que Portugal possa continuar a suportar a guerra contra o reino de Benamarim.

Uma bula, também datada de 10 de Janeiro de 1345 e dirigida aos bispos portugueses confirma a anterior seguindo-se-lhe ainda uma terceira desta vez dirigida aos prelados mais clero secular e regular.

Aparece ainda outra Bula que admite o fracasso de Dom Luís de la Cerda concedendo a Indulgência Plenária em Artigo de Morte.
A 13 de Janeiro de 1345, uma outra bula compara os expedicionários aos que participavam numa Cruzada à Terra Santa, desde que por 3 anos tomassem parte nessa guerra.

Todo o projecto virá a fracassar devido à recusa de Dom Afonso IV:
Em 12 de Fevereiro de 1345 uma carta de Dom Afonso IV a Clemente VI responde ao papa reclamando as ilhas para Portugal, porque:
os portugueses é que as descobriram;
estão mais próximas de Portugal;
ele próprio, Dom Afonso IV já lhes tinha enviado uma expedição.

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A Expedição de Jean de Bettencourt

Em 1402 Jean de Bettencourt organiza uma expedição de conquista das Canárias.

Seria esta a primeira a conseguir algum sucesso concreto. Com efeito, dela resultaria o estabelecimento de uma base de operações na ilha de Lançarote.

Devido ao sucesso obtido, este normando passaria a usar o título Rei da Canária.

Será desta ocupação que nascerá a disputa entre os reis de Castela e os de Portugal a propósito da soberania sobre o arquipélago. Contenda que duraria até ao Tratado de Alcanices e depois o de Toledo, que decidem a questão canariana a favor de Castela.

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A Viagem de Lançarote de França

São três as fontes documentais que se referem a esta viagem:

29 de Junho de 1370 Dom Fernando
7 de Julho de 1376 Dom Fernando
8 de Novembro de 1385 Dom João I. Aliás, é graças a este que se conhecem os dois anteriores.

Comentários:

Fortunato de Almeida: Identifica Lançarote de França com Lançarote Pessanha.

Luís de Albuquerque: Não concorda com a identificação de Fortunato de Almeida. Como Lançarote Pessanha tomou partido por Dona Beatriz foi linchado pela população do seu Senhorio, assim, não é provável que Dom João I que conhecia certamente as circunstâncias da sua morte tivesse escrito que tinha morrido nas Canárias.

Charles Verlinder: Para este historiador, Lançarote da França seria Lançarote Mallocelo:
Este Lançarote Mallocelo, segundo a Carta de Dulcert terá tomado as Canárias em 1339;
Lançarote da França e Lançarote Mallocelo seriam o mesmo personagem, um genovês que teria vindo para Portugal com o almirante Pessanha.
A admitirmos esta associação, Lançarote Mallocelo seria o comandante da expedição de Dom Afonso IV.
Entre 1370 e 1376, Mallocelo teria falecido num combate, a que se faz menção no Libro del Conoscimiento, onde se diz que Lançarote Mallocelo faleceu nas Canárias, dando origem ao nome de uma dessas ilhas, precisamente chamada de “Lançarote”.
Luís de Albuquerque: Ataca a posição de Verlinder, lançando sérias dúvidas sobre a sua credibilidade.

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Parte 17: “A Escrita Cónia”: Extensão do território ocupado pela nação cónia

Heródoto (Histórias, II, 33), é um dos primeiros autores clássicos a mencionar – ainda que vagamente – a posição geográfica dos Cónios: “Os celtas encontram-se além das Colunas de Hércules limítrofes dos Kinessioi que são, pelo Oceano, o último povo da Europa”. Mas preciso seria Estevão de Bizâncio que designa o Sudoeste da Península Ibérica como Cyneticum, um nome que resultava do nome dos seus habitantes, os Cynetes do também grego Heródoto de Heracleia (século V a.C.). De sublinhar que nesta época, que corresponde grosso modo à Idade do Ferro Peninsular, todo o Sudoeste era considerado como território cónio. Uma situação diferente da que os romanos encontrariam séculos mais tarde.Segundo Mário Saa (“As Grandes Vias da Lusitânia”) a província romana da Lusitânia era dividida em três “promontórios”, entre quais se contava o Cuneus Ager, ou “Terra Cúnea”. Este território estendia-se desde o rio Guadiana até ao Sado, incluindo o cabo de São Vicente. Seria nesta região que se inseriam as prósperas cidades turdetanas de Myrtili, Esuri (Tavira), Balsa (Mela; 3, 7) e Ossonoba. Já escrevemos antes sobre o estreito parentesco entre cónios e turdetanos (se é que não existe mesmo uma relação genética). A estas cidades somavam-se outras que na época romana já eram maioritariamente povoadas pelos célticos que tinham descido da Meseta Central, nomeadamente Lacobriga e Porto de Annibal , no Promontório Sacro. No Promontório Magno, a cidade túrdula de Ebora era a povoação mais importante daquela região. Com excepção destas penetrações célticas e túrdulas, parece-nos pacífico que toda a região era, em tempos anteriores à presença romana, “Terra Cúnea”.

Incluídos nesta “Cuneus Ager” estariam o “promunturium Sacrumi” de Plínio (4, 115) (o Cabo Espichel, segundo K. G. Sallmann) assim como outro cabo, o “Cuneus” (o Cabo de São Vicente, segundo K. G. Sallmann, o de Santa Maria, segundo Amílcar Guerra e García y Bellido).

A comunidade de fronteiras entre cónios e tartéssicos é-nos testemunhada por Avienus: “Aqui, no penhasco consagrado a Saturno vagueiam hirsutas cabras e numerosos bodes… desde aqui até ao dito rio há uma viagem de um dia e aqui encontra-se o limite do povo dos cinetes. O território dos Tartessos é contíguo ao deles e o rio Tartessos (rio que tem o nome da cidade) rega a terra”.

Existe uma coincidência entre a área atribuída pelos autores clássicos ao “Cuneus Ager” e a distribuição geográfica das estelas cónias tal como ela nos é apresentada por Amílcar Guerra. É este investigar que chama a atenção para a concentração de testemunhos epigráficos nas bacias hidrográficas que se situam na Serra do Caldeirão, sobretudo nas imediações do rio Mira, num percurso que parece acompanhar rotas comerciais que ligavam a próspera economia de Tartessos, no Sudoeste de Espanha, aos territórios ocupados pelos Cempsi e Saefes (num período mais remoto) e a Célticos e Túrdulos no período mais tardio. Os Cónios surgem em ambos os momentos na posição de intermediários, através dos cursos fluviais que dominavam e é desta posição de contacto com diversas culturas e com os mercadores e agentes comerciais fenícios que percorriam estas rotas que resultou o seu domínio da escrita numa época tão remota como os séculos VII e VIII a.C.

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Parte 2: Os Descobrimentos Portugueses: Documentos (A “Relação” de Boccacio), extractos de um documento que aborda a conquista das Ilhas Canárias

“No primeiro de Julho deste ano [1341] duas naus providas por el-rei de Portugal de tudo o necessário para a viagem, e com elas uma embarcação mais pequena armada, dando à vela da cidade de Lisboa, se engolfaram no mar alto, levando florentinos, genoveses, castelhanos e outros espanhóis e, além disso, cavalos, armas e vários instrumentos bélicos para expugnar cidades e castelos”(…)

“chegaram a elas, ajudados de um vento favorável, em cinco dias, trazendo consigo o seguinte: primeiramente quatro homens dos habitantes daquelas ilhas, e além disso muitas peles de bodes e de cabras, sebo, azeite de peixe, e fragmentos de focas, pau vermelho para tingir (…); e além disso cortiça de árvores que igualmente tinge de vermelho.”

(…)

“Niccoloso de Recco, genovês, que era o outro capitão das naus, sendo
perguntado dizia que as ditas ilhas distavam da cidade de Sevilha quase 900 milhas, porém que do lugar a que hoje chamam Cabo de São Vicente era menor a distância ao continente.”

(…)

“Esta multidão de gente mostrava desejo de ter comércio.”

“Sendo as casas muito belas de madeiras belíssimas, por dentro eram todas tão alvas, que pareciam branqueadas com gesso. Acharam tambem um oratório ou templo em que não havia nenhuma pintura nem outro ornato a excepção de uma estátua de pedra que representava um homem nu com uma bola na mão, e com as partes pudendas cobertas com umas coberturas de palma, conforme o uso da terra, e tirando-a de onde estava a embarcarem nas naus, e a trouxeram para Lisboa.”

(…)

“aportaram a muitas outras ilhas, em número de 13, umas habitadas, outras inteiramente desertas.”

(…)

“E das treze ilhas onde foram, acharam que cinco são habitadas e com muitos habitantes; porém, não são igualmente povoadas; porque umas tem mais, outras menos moradores. E dizem além disso que são tão diversas na linguagem que por maneira nenhuma se entendem uns aos outros.”

(…)

“Acharam também outra ilha em que não desembarcaram porque se vê nela uma coisa maravilhosa. Dizem que há nesta ilha um monte que, por estimação, terá de altura 30 milhas ou mais, que se vê de grande distância, e em cujo vértice aparece uma coisa branca (…) forma de um castelo.”

(…)

“contudo, assentaram que não era castelo mas um penhasco agudíssimo em cuja sumidade se mostra um mastro de grandeza de um mastro de uma nau, de que prende uma antena com uma vela de uma grande embarcação latina.”

(…)

“e julgando este prodígio obra de encantamento, não ousaram desembarcar nela. E outras muitas coisas acharam que este Niccoloso não quis referir; contudo, segundo parece, estas ilhas não são ricas, porque os navegantes apenas puderam salvar as despesas da viagem.”

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Parte 1: Os Descobrimentos Portugueses: Introdução e “Bula Apostolice Sedis – Construção Naval e Cruzada Marítima”

Nota Introdutória:

Vamos dar início a uma série de curtos textos sobre a primeira fase dos Descobrimentos Portugueses. Este conjunto de textos fazia parte de um Site sobre o tema que mantinhamos no Geocities e que entretanto foi descontinuado. A sua primeira intenção era dar a conhecer ao público estudantil informação que pudesse usar no decorrer da sua carreira académica. Assim, faria todo o sentido tornarmos a disponibilizar esta informação no Blog…

Nesta Bula, passada por João XXII, a 23 de Maio de 1320, el-rei Dom Dinis recebe a resposta a uma sua Súplica feita através do Deão da cidade do Porto e do almirante genovês Manuel Pessanha para que lhe seja concedida a Dízima dos rendimentos eclesiásticos de toda a nação conforme fora definido durante o Concílio Geral de Viena para socorro da Terra Santa e outras necessidades da Fé cristã, durante três anos. Dom Dinis consegue aqui a sua extensão à guerra marítima contra o corso muçulmano no sul de Portugal.

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Nove Soluções para a Misteriosa Origem de “OK”

Existem várias variantes de explicações para a expressão “OK”.1) Uma das mais populares (mas também uma das menos credíveis) baseia-se na lenda de que durante a Guerra Civil americana (1861-1865), os oficiais nortistas que tinham a responsabilidade de contar as baixas usavam a fórmula “0 Killed” (0 mortos) que escreviam numa placa, daí a “OK” seria apenas um passo.

2) A palavra índia “oke”, da tribo Choctaw que significava “tudo está bem”.

3) “Ok” seria uma forma incorrecta de abreviar a frase “All Correct” (Oll Korrect), que teria sido usada pela primeira vez pelo presidente americano Andrew Jackson.

4) O controlo de qualidade na fábrica de Henry Ford era da responsabilidade de um alemão de nome Otto Kaiser: O.K.

5) Segundo a teoria de um catedrático equatoriano na época do telégrafo, o alfabeto Morse não era no início usado por todos os telegrafistas, mas um deles tinha um particular cuidado nas suas mensagens: o seu nome era Oscar Kevin: “O.K.”

6) No começo do século, em Nova Iorque muitos emigrantes gregos trabalhavam no cais como estivadores. No seu trabalho de carga e descarga, quando davam um caixote como pronto para ser embarcado escreviam nele “Olá Kalá”, “tudo bem”, em grego…

7) Em irlandês, a expressão “Och Aye” significa “Oh, sim”, lendo-se “Ock-Ai”, resultaria assim em “OK”.

8) “OK” é o oposto de “K.O.” expressão usada no pugilismo e que corresponde a derubar e deixar inconsciente um adversário, seguindo esta tese, o oposto de estar derrubado (K.O.) seria estar “OK”…

9) Na década de trinta do século XIX o jornal Boston Morning Post tinha por hábito escrever iniciais e logo a seguir o seu significado. Por vezes, para introduzir uma nota de humor, escrevia mal esse significado. Numa dessas ocasiões escreveram “OK (All Correct)”…

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O Monstro Imobiliário que nos devora a todos por dentro

Se os preços da habitação estão ao Portugal ao nível mais alto de sempre – apesar da mais série crise económica desde 1940 – muito desta irracionalidade se deve certamente às “Agências Imobiliárias”.São estas que inflacionam os preços para cobrarem mais comissão, são estas que puxam o preço para cima, porque como recebem sobre uma percentagem da venda (normalmente 3%) se o valor absoluto fôr 100 mil contos, cobram 3% sobre 100 mil, e logo, têm um interesse em que as casas se vendam sempre mais caras. Como consequência deste inflacionamento, os compradores, anos depois, quando tornam a vender as casas, têm que encaixar este aumento no valor da venda, e como as colocam à venda em agências, estas, tornam de novo a aumentar ainda mais o preço. E assim se entra nesta louca espiral inflacionista.

O imenso e escandaloso sucesso do ramo da intermediação imobiliária está a estrangular a vida de todos nós em prol do lucro babilónico de uns quantos. O mercado é aliás tão rentável que multinacionais como a Remax e Forêt vieram para Portugal para contribuirem ainda mais com o agravamento dos preços da habitação.

E quando uma família portuguesa dedica 60%/70% do rendimento para o pagamento do empréstimo, algo está muito mal… É necessário quebrar este ciclo vicioso imposto pela imobiliárias.

É necessário que o Governo aja e cumprindo o seu papel de regulador, regule aquilo que está desregulado.

E pode começar por definir patamares e percentagens máximas de aumento de uma habitação por ano e por zona geográfica. Pode depois, e com urgência, obrigar as agências a não cobrarem comissão e, percentagem, mas num valor fixo, ou seja, o trabalho de vender uma casa de 30 mil contos e uma de 300 mil é assim tão diferente? Porque é que não se cobra um valor fixo pela venda, em vez de uma percentagem sobre o valor da venda?

Ora aí está mais um lobby para enfrentar…

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